terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Onde vc queria estar agora?

Querida Danuza,

Muitas vezes penso nisso, onde gostaria de estar agora. Geralmente isso ocorre em situações de stress, onde a melhor coisa a fazer seria ser teletransportada para outra dimensão, longe dos problemas, e ficar lá até tudo passar, e só então voltar.
Acabei de ver uma foto de um mosteiro em Trabzon, na Turquia, pendurado magicamente em um penhasco, no meio de uma floresta, longe de tudo e de todos e imediatamente me imaginei lá. A única coisa que faria lá seria respirar, nada mais. Aprenderia a meditar com os monges e pararia de pensar, nem lembraria que o resto do mundo existe. Esperaria o Natal passar, o Ano Novo passar, o Carnaval passar e talvez até a Páscoa passar; ficaria lá só meditando e respirando. Deve ser assim que os monges vivem. Meditando e respirando. Deve ser mágico, e ainda mais naquela altitude.
Ando cansada das repetições e das obrigações das datas. Devo estar ficando velha, com toda certeza. Uma impaciência com as repetições e com as frases feitas, penso às vezes que faço parte de um grande teatro, onde a peça se repete a cada ano, e eu ali, fazendo o meu papel.
Vou pesquisar se esse mosteiro recebe estrangeiros para períodos de meditação e fuga do mundo real. Se sim vou me candidatar. Devo levar uns três dias para chegar lá, e vou ficar muda pois não falo turco. Será maravilhoso não ter que responder perguntas nem falar com ninguém.
Também não receber e-mails nem mensages do Whatsapp, nem acompanhar o Lava-Jato nem saber quem vai ser preso hoje. O corrupto do dia e os corrompidos da noite.
Essa crise moral por que passa o país está me exaurindo. Penso em todas as corrupções diárias que praticamos e que já estão impregnadas em nós.
Gostaria de acreditar em mágica, uma simples varinha de condão, um desejo e plim! Sonho realizado!
Outro lugar onde gostaria de estar agora? Bem longe do Natal, de Papai Noel, de shoppings lotados de pessoas comprando presentes e de votos de Boas Festas. Cansei disso tudo, já fiz essa cena tantas vezes que cansei.
Não aguento mais ver filmes sobre a vida de Jesus, nem jornais com o resumo das tragédias mais importantes do ano, e esse ano foi premiado!. Guerra, terrorismo, assassinatos em massa...Não tenho mais paciência para assistir as previsões para 2016.
O mundo ficou globalizado demais e já não existem lugares com ritmo próprio, tudo ficou pasteurizado, repetitivo e obrigatório.
Não consigo pensar em outro local onde gostaria de estar agora que não o mosteiro pendurado na rocha.
Agora me passou pela cabeça que até lá pode ter SKY e vai ser uma decepção muito grande se tiver!!!
E vc, onde gostaria de estar agora?




quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Luta de classes sociais

Querida Danuza,

Engraçado como uma palavra às vezes nos remete a uma situação da nossa cultura!
Decidi ir hoje à tarde à Prefeitura, que fica no centro da cidade, para resolver um problema.
Deixei o carro no estacionamento e fui andando pelas calçadas antigas e desniveladas, Fui bem devagar para não cair do salto que estava completamente desapropriado para o percurso.
Fui observando alguns casarões que estavam em reforma, outros bem estragados em ruínas, e fiquei um bom tempo na porta de uma pequena igreja onde estava acontecendo uma missa.
Ao sair fiquei atrás de 2 moças jovens, negras, uma com cabelos alisados, outra com cabelos curtos e crespos em cachos, roupas justas, uma bem gordinha e falante e a outra mais alta que escutava e concordava.
A primeira coisa que ouvi foi: "Imagine que a barona não gostou da minha comida!".
Entendi tudo de primeira. Ela estava se referindo à patroa, a Barona, e ela devia ser a empregada doméstica, que fez a comida e recebeu uma chamada da patroa. Claro que ela não sabia que o feminino de barão, como se fala quando se quer se referir a pessoas ricas e posudas, era baronesa, e falou de forma tão segura que até tive vontade de adotar o mesmo feminino.
Continuou dizendo: Os menino tudo gostaram, só ela que é toda metida a especial achou salgada! no seu português sem qualquer concordância verbal.
A outra garota só concordava com a amiga balançando a cabeça. E eu colada nelas ouvindo a conversa interessada nessa briga de classes.
- A barona bota defeito em tudo que eu faço, o marido até que é bonzinho, mas eu não vou aguentar isso não! Reclama, mas não sabe fazer nada, nem o dever do filho pequeno sabe fazer, mas ela vai ver, se reclamar de novo vou deixar ela falando sozinha!
A outra disse : Não sei como você aguenta  essa barona, se fosse eu já tinha ido embora e deixado ela sozinha.
- Só estou esperando meu décimo e vou pedir minhas contas, vc vai ver!
Atravessaram a rua e seguiram falando da patroa e suas chatices.
Atravessei para o outro lado pensando em como é difícil essa relação de patroa e empregada, onde os sentimentos mais verdadeiros afloram com tanta facilidade.
A que emprega, precisa dos serviços e se acha no direito de exigir e reclamar e a que se emprega precisa do dinheiro e não acha que deve ser reclamada nem exigida. Uma se acha mal servida e a outra se acha explorada.
Minha observação é que enquanto a educação não nivela as pessoas esse sentimento de barona e escrava fica no nosso sobconsciente, resultado da nossa história e se traduz nas nossas ações dando fôlego a essa guerra de classes.
E me pergunto o que eu posso fazer para contribuir para que isso aconteça?


Preciso de um tempo!

Querida Danuza,

Ouça essa história fantástica contada por Vera, ainda no nosso encontro de Natal.
O adjetivo "fantástica" se deve à inteligência emocional da dona da história, uma psicoterapeuta que enfrentou e resolveu de forma diferente uma dor que quase todos nós já passamos pelo menos uma vez na vida, a dor do amor que está acabando entre duas pessoas.
Vamos chamá-la de Neide para facilitar o texto.
Neide e seu marido formavam a típica família feliz; os dois profissionais liberais, 3 filhos, situação financeira confortável, casa, carro, viagens nas férias, tudo mais que perfeito.
Eis que um dia o marido olha para ela e diz: preciso de um tempo!
Como ela não percebeu? O susto do desamor, da rejeição, ainda mais ela psicóloga!!!! Noites de lágrimas remoendo onde tinha errado e todas essas coisas que pensamos ao sermos dispensados.
Mas na sua dor, ela viu a luz. Claro, ela também precisava de um tempo! Tempo para estudar fora, para pensar, para dar andamento à sua formação de psicoterapeuta.
Aceitou a proposta do marido desde que ele ficasse tomando conta da casa e dos filhos e ela fosse fazer um curso fora. O marido ficou assustadíssimo, pois contava em ficar livre para curtir seu tempo, mas não teve outro jeito senão aceitar.
Ela foi e quando voltou reataram por um tempo mas logo depois o casamento acabou. Vale registrar que o casamento acabou mas sua vida pessoal e profissional cresceram; ela começou a ser convidada por empresas a dar palestras, aumentou a clientela do consultório, e começou a escrever artigos para revistas, continuou a criar os filhos e a namorar quando aparecia alguém interessante. Chegou até a se casar mais uma vez, mas agora estava sozinha.
Sozinha mas não solitária porque soube criar outros pontos para lhe sustentarem; trabalho, família, amigos e até passeios de bicicleta nos finais de semana.
Achei essa história fantástica porque sai da fórmula "não te quero mais fique aí sofrendo" para uma situação de "acabou essa história e agora vou viver outra".
Moral da história: Muitas vezes não precisamos passar tão profundamente por uma dor, se aprendemos com outra pessoa que passou por dor semelhante e achou uma saída que trouxe uma nova forma de viver a vida.



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Natal das amigas

Querida Danuza,

O Natal proporciona muitos encontros e muitos momentos felizes, sempre.
É um belo motivo para reunir grupos e quando é de amigas é muito bom!
Segunda passada foi em uma reunião dessas que passei horas que valem a pena ser registradas nesse blog.
Éramos 8 em torno de uma mesa, numa noite quente de verão, comemorando o Natal que chegará em alguns dias, dispostas a conversar sem censura e degustar as delícias sem medo de engordar ou de ser pega em uma blitz no retorno para casa.
Uma coisa que eu valorizo é a amizade em torno de uma mesa com comida gostosa.
Cheguei tarde e perdi uma parte das entradas. Minha amiga Sol é excelente na cozinha e nesse dia estava especialmente inspirada.
Perdi algumas entradas; o Camemberd com geléia de frutas trazida da Inglaterra, da mesma loja onde a rainha compra as suas, aquecido no micro-ondas com torradas fininhas; salgadinhos trazidos por uma das amigas, Angela, e outras entradas que não gravei.
Mas ainda peguei a burrata com molho pesto, acompanhada de torradas, um spaghetti à puttanesca que estava divino, com um molho bem apimentado e massa "ao dente", acompanhado de pro-seco geladinho, depois vinho Malbec, e para coroar, docinhos sortidos e café.
Acho que a comida gostosa nos faz bem, facilita a conversa e abre os corações.
E a conversa? Levaria páginas contando as histórias que foram asssunto, cada uma melhor que a outra.
Para não lhe deixar muito curiosa, vou contar uma delas, contada por Vera, que nessa noite fez as vezes de Sherazade, e nos encantou com suas histórias.
Ela foi a um consultório médico e estava esperando a hora de sua consulta lendo um livro, quando entrou um senhor e se sentou ao lado dela, com uma postura ereta, e comentou alguma coisa do noticiário. A partir desse momento começaram a conversar e nesse meio tempo chegou um rapaz que se sentou perto e ficou ouvindo a conversa.
Esse senhor contou fatos de sua vida,  pensamentos e atitudes que calaram fundo em Vera e no rapaz que ficou impressionado com sua jovialidade apesar de sua idade avançada.
Quando o senhor entrou na consulta o rapaz insistiu em mostrar o retrato do pai a Vera, dizendo como o pai era velho (apesar de ser muito mais jovem) em razão de sua postura e atitudes em comparação com a de aquele senhor.
A postura daquele senhor perante a vida fez a diferença e ela trouxe isso nessa história.
É interessante perceber como ficamos sábias com o passar do tempo e conseguimos aprender com a experiência alheia.
Outra coisa interessante foram os desejos para 2016: a primeira queira um neto, a segunda uma viagem, a terceira dinheiro, a quarta um período sabático em outro país, a quinta o filho mais perto, a sexta que a filha realizasse seu sonho, a sétima bons negócios e a oitava também queria um neto.
Interessante pensar que ninguém pediu um marido...







sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Missa pela TV

Querida Danuza,
Quem poderia imaginar há alguns anos que a missa seria transmitida pela TV e que poderia substituir o culto presente?
Estou pensando nisso aqui enquanto escuto minha mãe acompanhar a missa à tarde pela  TV. Acabei de me dar conta que isso acontece todas as tardes.
A missa, o terço, as orações, ocupam o horário da tarde dos canais. A Assembléia de Deus, a Universal do Reino de Deus, o bispo R.R Soares, e outros tantos que não sei de cor.
Acabei de lembrar de Pe. Marcelo, que surgiu como um pop star da Igreja Católica. Jovem, cantos maravilhoso, simpático, porte  alto, escreveu livros que são best-sellers. Por que ele tem depressão? Tão amado, idolatrado, sucesso total de mídia. Outro dia o assistie em uma missa domingueira na TV e o achei encurvado, sem aquela chama que o tornou um sucesso de comunicação.
A religião é tão necessária para a maioria das pessoas que já não me questiono por isso. Tenho uma teoria nova agora, que as pessoas religiosas são mais felizes que as que não são.
São tão felizes que me assustavam assim que comecei a perceber issso.
Acreditam que pedem e são atendidos. Acreditam que o que é deles vai chegar e se não chegou é porque não o mereceram. Se algo de doloroso acontece foi a vontade de Deus que ninguém explica mas todos aceitam como letras secretas entre as frases.
Ou é castigo ou é prêmio e o juiz não se justifica, mas os fiéis entendem seus desejos e aceitam.
A fé deve ser cultivada e buscada diariamente para que sobreviva e cresça perante os bons e maus momentos.
A fé na medicina e nos remédios não é tão poderosa quanto a fé das orações para quem crê.
Milagres acontecem todos os dias e nisso eu acredito.
Acredito que eu mesma já fui salva por muitos milagres, ou muita sorte, ou uma mistura de instinto de salvação e premonição.
Outro dia conversando com uma amiga ela me disse que acredita em uma força maior, e que quando precisa reza.
Tenho conhecido pessoas que praticam o espiritsimo e algumas budistas, e vejo que quase todos buscam na espiritualidade uma forma de manter o equilíbrio e a esperança.
Agora estamos em guerra iniciada por provocações religiosas ao Islã. A religião é uma força poderosíssima e cada um tem uma interpretação de Deus, sua fúria, seus orgulhos, suas ofensas.
Deuses com sentimentos humanos e buscando reparação.
Será que sobreviveremos a essa guerra iniciada com os ataques a Paris?
Onde está o Deus da bondade, da caridade, da justiça, dos humanos piedosos?

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Falta de notícias

Querida Danuza,
À medida que o tempo passa meus pensamentos sobre o que acontece na minha vida mudam.
Antes ansiava por notícias, novidades. Agora anseio para que as coisas fiquem como estão, com uma melhoria aqui e ali.
Não sei se você me entende mas não ter notícias é porque está tudo bem. Quando alguma coisa de ruim acontece é um vai e vem de notícias até que o assunto fique exaurido, mas quando não chega nenhuma notícia, repito, é porque tudo está bem.
Numa cidade grande e sem segurança como a minha, estar à salvo da violência gratuita ou de acidentes é uma sorte que deve ser comemorada diariamente.
Em tempos em que se fala de câncer chegando a amigos próximos e alzeimer atingindo a grande maioria da população mais idosa e mal de parkinson e depressão e diabetes e tantas outras doenças, estar com saúde e no peso ideal, sem demonstrar uma pele envelhecida é presente dos deuses.
O tédio tem seus benefícios. A paz tem seu valor. O tempo passa rápido porém sem sobressaltos.
Uma vidinha, sem dúvida, mas não será para sempre e lá adiante não quero me ouvir dizendo, era feliz e não sabia. Sabia sim, uma espécie de felicidade morna, sem sal, mas felicidade.
Chegará o dia em que tudo isso mudará e como tudo tem seu tempo cabe agora aproveitar esse, sem medo e sem pressa, parada.
Perdas vão chegar e novas pessoas também. Essa vidinha também vai mudar.
Olho pela janela e vejo a rua vazia. Ouço o barulho do mar. Como aqui é uma rua sem saída, quase não se ouve barulho de carro passando, até isso é quieto.
Mas como lhe disse no início prefiro que notícas não cheguem, e se não chegam é porque está tudo bem.



segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O Bule de Chá

Querida Danuza,
O Bule de Chá todo dia era colocado na mesa às 17h, com seu conteúdo repleto de um chá cheiroso e bem quente. Todos os dias lá estava ele cumprindo o seu papel.
Para acompanhar a degustação podia ser um bolo de chocolate ou laranja, biscoitos, beiju, torradas...
As amigas vinham e conversavam sobre os assuntos do dia, às vezes a fofoca do momento, às vezes comentários sobre um evento, às vezes um caso de morte ou doença. E o Bule estava lá, ouvindo tudo sem emitir qualquer opinião, mas sabia de tudo, tudinho, o que estava se passando com aquelas amigas.
Como ele era de toda confiança elas falavam livremente e emitiam os comentários mais escabrosos, sem qualquer pudor. As risadas eram o melhor de tudo e as confidências simplesmente deliciosas.
Se aquele Bule um dia perdesse a compostura e falasse seria uma tragédia, desfaria amizades e casamentos, talvez até parentescos de primeiro grau.
Deve ser muito difícil ser Bule, participar e não poder viver as emoções.
Penso nisso quando leio as revistas das celebridades, vendo todas aquelas festas, vestidos, viagens, só falta sentir o cheiro dos perfumes.
Mas ficamos aqui, do lado de cá só perscrutando, comentando, como se nossos comentários fizessem qualquer diferença para aquelas fotos.
As redes sociais também tem esse papel, de nos fazer de Bules de Chá, tal a quantidade de almoços, aniversários, casamentos e festas. Só aparecem filhos maravilhosos, pais fantásticos, mães fabulosas, eventos dignos do Olimpo, tudo superlativo, estonteante.
Acho que o que se conta é sempre mais emocionante, pois carrega nas cores e nos detalhes.
Depois de um tempo fica tudo tão cansativo, tão repetitivo, que só sendo Bule para aguentar todo dia o mesmo chá.

domingo, 1 de novembro de 2015

O barulho do mar

Querida Danuza,

Demorei para me acostumar com o barulho do mar. Estava acostumada com o barulho dos carros, das buzinas, freadas e eventuais batidas e agora só ouço o barulho do mar e do vento.
Às vezes é tão forte que incomoda, agora mesmo ouço as ondas quebrando na areia,  e com a lua cheia as marés são maiores e mais fortes.
Penso na vida e seus movimentos, indo e vindo, mudando sempre. Antes eu tinha a ilusão de que tudo era para sempre e fiquei muito assustada quando realizei que na verdade tudo tem um tempo. Também achava que a vida era uma corrida linear, alcançar esse ponto e depois aquele outro. Para mim não foi assim, foi em zigue-zague, e nem sempre alcancei o gol.
Algumas coisas aprendi para sempre. Acho que a mais importante foi perceber em que ponto estou e avaliar com calma para que direção seguir agora. Outro grande aprendizado foi não pagar mais para ver quando já sei o que vai acontecer.
Tenho conhecido pessoas interessantes e muito religiosas, de várias crenças e fico emocionada com a fé dessas pessoas e como acreditam que todas as benção que recebem vem desse Deus Pai maravilhoso. Estou de alguma forma comovida com esses encontros.
Pessoas queridas que me rodeiam são Testemunhas de Jeová, batistas da Assembléia de Deus e Espiritas da linha de Allan Kardec, além de algumas católicas fervorosas da Igreja Carismática.
Conheci essa semana duas pessoas que me convidaram a conhecer obras de espíritas, palestras e até ganhei um Evangelho segundo o Espiritismo.
Penso o que está por trás disso, o que a vida está tentando me mostrar? Eu que sou tão resistente à infantilização das pessoas pela mágica da fé e pela crença nos absurdos dos dogmas, estou sensibilizada com a felicidade das pessoas religiosas e crentes. Hoje acho que as pessoas que creem em Deus são mais felizes. Não tenho nenhuma estatística para provar essa minha teoria, apenas um sentimento convivendo com pessoas de fé.
Estou pensando em aceitar o convite para visitar as obras mantidas por um Centro Espírita e vou ler o livro que ganhei de presente, até como retribuição pela gentileza dos convites e do presente e se essa pessoas chegaram até mim, deve ser por algum motivo bom.
Se o Uno é igual ao Todo e se a vida é como o mar, que vai e vem, devo buscar as mudanças que esperam por mim.


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Encontro de amigas

Querida Danuza,
É sempre bom encontrar com as amigas e conversar de assuntos antigos, novos, casos são contados pela metade, retomados, interrompidos por mostras de fotos das netas, noticias de outras amigas, comentários diversos. Dessa vez não se falou de política, talvez por estarmos cansadas demais de assuntos de corrupção e mentiras.
É interessante observar que as vidas seguem, cada qual com seus problemas, mas seguem. Os filhos continuam sendo criados e acompanhados, e quem ganhou netos não se cansa de falar de suas gracinhas.
Na mesa apenas eu ainda tenho mãe e todas ainda falam como suas mães eram e do que gostavam, ninguém falou de pais... Acho que as mães para as mulheres são mais presentes e deixam mais registros na memória, talvez por viverem mais e serem mais dedicadas aos filhos.
Cada qual com seu drama, difícil de ser resolvido, mas enfrentado. Todas mulheres na casa dos 50 e poucos, bem arrumadas, bonitas, alegres. Me impressionam os desafios de cada uma; a que vai enfrentar a quimioterapia depois de 10 anos de um câncer já tratado; a que acabou de enfrentar uma operação de troca da cabeça do osso do fêmur por uma peça de titânio; outra que deixou marido e filho nos EUA e não pode voltar porque estava lá como imigrante ilegal, e que não vê o filho há 3 anos, recomeçando a vida de novo; a que tem um namorado há mais de 15 anos e insiste em reconquistar o amado mesmo sem ele querer; a que não tem paciência para escutar ninguém e só quer falar sem saber escutar, e por aí vai.
Aí eu fico pensando na vida de todas nós. Vidas comuns, sem qualquer coisa especial. Eu ainda não tenho netos, então fico acompanhando os netos das amigas.
E os amores? Uma espécie de silêncio sobre esse assunto.Será que todas ainda tem sonhos de amores? Acho que sim, mas ninguém fala no assunto. Também não se fala mais de amores passados, nem das mágoas, nem dos ressentimentos, ficou tudo para trás.
Agora só se olha para frente, para o futuro. Sem pendências de amores. Os planos são de viagens, de manter a saúde, de se manter bonita, mas para si, sem a ansiedade de agradar ninguém especial.
Aquela fase de remoer os amores passou. Se aparecer algum, maravilha, mas se não aparecer tudo bem também.
E assim vamos vivendo nossas vidas simples com as famílias e as amigas. Sem maiores expectativas, apenas paz e saúde. A vida com amor e paixão é colorida, essa é branca, mas é boa também.


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Assistindo novelas

Querida Danuza,
Estive assistindo novelas ultimamente, principalmente uma de época, com todas as suas tramas, ingenuidades e personagens bons e maus.
Não lembrava que se sofria tanto assistindo novelas. Ao longo de cada noite, durante a exibição do capítulo se sofre com os dramas de cada personagem. Fui me apegando e mesmo quando não assisto quero saber o que aconteceu. Talvez seja falta de assunto mas assistir novela tem seus encantos.
Percebi que novela também é assunto de festas. Outro dia fui a um chá-de cozinha e eis que de repente estávamos trocando informações sobre a novela na mesa, entre as amigas.
Achei graça porque já há muitos anos não acompanhava nenhuma novela e eis que de repente estou conhecendo todos os personagens e suas histórias.
Houve um tempo em que pensei em trabalhar em equipes que escrevem as novelas tal o meu interesse em contar histórias, mas depois passou assim como passou a vontade de ser aeromoça e voar para bem longe.
Outra coisa que gosto nas novelas é a trilha sonora. Basta tocar aquela música e já se sabe que casal está na tela. E quando o personagem está triste, deitado na cama olhando para o teto toca uma música linda!
Todos nós devíamos ter direito a um fundo musical nos nossos momentos, já pensou? Logo, logo, o FB deve lançar fotos com tema musical, vai ser uma loucura!!!!
Por falar em FB meus amigos petistas silenciaram depois da bancarrota do país. Nada mais de  defesa à política social do PT, ou a qualquer de seus participantes.
Agora só se fala nos protestos ao Uber, e no impeachment que amanhã vai ser protocolado por um acordo suprapartidário (segundo li) das oposições.
Se você  me perguntar o que é melhor para o país não sei lhe afirmar. Acho que a governança com Dilma é insustentável, mas penso também em quem vai assumir no lugar dela e quantos conchavos vão ser feitos para essa troca de governo. Você até pode achar que é exagero meu, mas tenho medo de uma guerra civil. O país está dividido ao meio e tenho medo do MST nas ruas e da CUT e do PCdo B.
E quem assume? o PMDB? e que política vai aplicar? Desenvolvimentista ou Ajuste Fiscal? Será que é melhor manter Dilma e exigir correções estruturais no orçamento do país?
Assisto todos os jornais para acompanhar o que está acontecendo e não me animo com nenhuma das alternativas.
Se eu pudesse faria como muitos estão fazendo, indo embora do país para construir outra vida em um país mais sério.
Comecei esse texto falando das novelas da TV e terminei com as novelas das nossas vidas. Até que não fui mal!
Espero ter notícias melhores no próximo post.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Agenda negativa

Querida Danuza,
Só se fala em crise, ladroagem, corrupção, impeachment, roubo, assassinato, estupro, pedofilia e latrocínio.
Outro dia fiquei em casa o dia todo com a televisão ligada mudando de canal para assistir todos o jornais e no fim do dia estava com depressão.
O governo do PT jogou o país em uma recessão e as notícas da corrupção na Petrobras são tão vergonhosas que acredito, estamos todos assombrados com os números de milhões e bilhões de dólares.
Penso que não mereço estar aqui. Quantas pessoas pensam como eu? Devem ser milhões que como eu não queriam estar passando por isso.
Esqueci de acrescentar na minha lista de coisas ruins que o desemprego é o mais alto em 20 anos, e várias lojas do comércio fecham as portas diariamente no país. Clima geral de tristeza e desesperança.
Fico estarrecida com a cara-de-pau do time do PT ainda veiculando campanhas na TV colocando a culpa na crise internacional.
Pena que temos uma população que não tem discernimento e acredita nas lorotas do PT. Acho que todo o governo deveria ser preso por estelionato eleitoral, com todas aquelas propagandas fantasiosas de riqueza e prosperidade enganando uma população carente de líderes verdadeiros.
Lembrei agora de que não se pode dizer a verdade para ganhar eleições. Quando Fernando Henrique se candidatou a primeira vez caiu na asneira de dizer que era ateu. Verdade, ele é ateu. Mas os outros canditatos se aproveitaram disso para miná-lo junto aos eleitores crentes e essa foi uma das causas para a perda da eleição. No pleito seguinte ele se calou quanto a essa questão. Nem sei porque estou escrevendo isso.
Precisamos de líderes preparados para a condução do país.
Hoje li que o orçamento da União foi mais uma vez retalhado e R$8 bilhões devem ser economizados, e o repórter falou na escolha de Sofia. Cortar na educação ou na saúde? No livro, na entrada do trem, com os dois filhos pelas mãos Sofia teve que escolher entre entregar a filha ou o filho aos nazistas e escolheu o filho pois pensou que ele seria mais forte e teria mais chances de sobreviver.
Na minha opinião a educação deve ser nossa escolha e prioridade para um dia termos a chance de viver em um país sério. Talvez não eu , mas meus filhos sim.

sexta-feira, 13 de março de 2015

A viagem

Querida Danuza,

Vou viajar. Na verdade fui empurrada para fazer essa viagem e aqui estou eu a 5 dias do início da viagem, arrumando a mala e pensando como conseguiram me convencer a fazer essa viagem.
Eu não gosto de sair de casa por muito tempo e essa viagem vai durar 23 dias o que para mim é uma eternidade. Tenho personalidade de gato, gosto de sair um pouquinho mas voltar logo para casa. E viagens longas me assustam. Não devia ser assim nesse momento em que estou sozinha em casa, sem compromisso com os meus filhos, que estão morando fora, mas é assim que me sinto, arrependida previamente de ter me deixado convencer a fazer essa viagem e ter que participar da animação das outras participantes, que a viagem vai ser ótima, que vamos nos divertir muito, etc, e tal.
Até acredito que vamos nos divertir mas continuo pensando em como vou vencer todos esses dias.
Essa viagem tem muitos motivos, todos justos e plenamente justificados racionalmente, mas vão contra a minha vontade particular de ficar apenas poucos dias fora de casa.
Um dos motivos é acompanhar minha mãe em mais uma de suas viagens, que ela adora e se pudesse passaria meses viajando; não se cansa com seus 92 anos bem completados. O outro motivo é fazer companhia a minha prima-irmã Edinha, que deve ser filha espiritual de minha mãe porque também adora viajar, o que faz várias vezes ao ano com o marido, e queria muito fazer essa viagem. E as amigas? Edinha está levando duas, minha mãe está levando mais 3 e a operadora de turismo umas 400! Todos já devem estar com as malas fechadas, esperando ansiosamente para embarcar no navio e eu aqui olhando para esse lote de vestidos, calças, blusas, sapatos, bolsas, echarpes, casacos, achando ora um exagero levar tanta roupa, ora achando que vou sentir falta de várias coisas nos eventos da viagem.
A dita viagem é de navio, o Preziosa da MSC. Vamos sair do Brasil, com destino à Itália, passando pelo norte da África e costeando a Espanha e França até chegarmos ao porto de Gênova.
Você provavelmente está pensando que eu estou que algum desvario, me lamentando de estar entrando nesse navio nos próximos dias para fazer essa viagem. Também penso em quantas pessoas gostariam de fazer essa viagem e fico me convencendo diariamente que vou me divertir muito.
Acho que não estou emocionalmente preparada para fazer essa viagem e por isso estou tão receosa.
Como já te contei antes não sou uma pessoa que gosta de ficar conversando e todo esse tempo confinada dentro de um navio com as mesmas pessoas me cansa antecipadamente. Programação diária de passeios, eventos internos, jantar, depois o show e todas as pessoas se encontram e comentam e conversam... como será que eu vou me sair?
Essa obrigação de estar bem e feliz todos os dias me assusta.
Tenho apenas poucos dias para resolver todas as minhas pendências e preciso decidir sobre o que levar, colocar na mala, ver documentos, dinheiro, cartão, deixar as coisas em casa organizadas... e as coisas do trabalho...
Uma das coisas que não gosto de viagem de navio é que o acesso à Internet é escasso e caro o que também me deixa com a sensação de estar presa. Enfim, espero que eu esteja errada em tudo o que escrevi para você hoje e que a viagem seja ótima, que eu consiga me divertir e que traga na lembrança bons momentos.
Amém.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Um vazio de objetivos

Querida Danuza,
Fim de uma etapa. Início de uma nova etapa. Difícil, confusa, conflitante, dolorosa...com pensamentos e sentimentos racionais e emocionais diametralmente opostos. Vontade de fazer nada, nem de pensar.
Uma amiga me disse que em um mês passa, e espero que ela tenha razão.
Quando casei, tinha por objetivo ter um bom casamento, feliz duradouro, com bondade e generosidade, que durasse para sempre. Consegui ter um casamento que não foi muito feliz e não consegui uma união com amizade nem com respeito, que acabou em 20 anos.
Quando tive filhos tive por objetivo cuidar deles, educá-los, formá-los, torná-los homens equilibrados e aptos a ser felizes e independentes. Consegui criá-los e faze-los fortes para buscar seus sonhos e objetivos. Agora estão longe de casa, construindo seus objetivos.
Quando namorei busquei uma relação de parceria, amizade, companheirismo, amor, sexo, que fosse leve e alegre. Consegui realizar, mas a falta de confiança e objetivos de futuro conflitantes não permitiram que a relação continuasse e acabou.
Quando montei o organizei minha casa tinha como objetivo torná-la um ambiente confortável, de paz e de união com boa mesa e amigos em volta.
Esses eram meus macro objetivos emocionais. Alguns concluídos com sucesso, e outros nem tanto.
E agora estou aqui, nesse momento de vazio de objetivos emocionais. Acredito que seja assim com todas as pessoas, talvez não na forma que estou expressando, mas em sentimentos acho que sim.
A pergunta é: E agora? Como conseguir ter novos objetivos fortes, que me sustentem emocionalmente?
Fico pensando nas pessoas que conheço e como fazem para se estruturar emocionalmente após grandes mudanças em suas vidas. Penso e avaliou em como aproveitar suas experiências para mim.
Penso que todo dia a partir de hoje vou acordar e dizer para mim mesma: Hoje é um novo dia, levante e aproveite esse presente. Busque um dia feliz de trabalho e ligue para uma amiga para saber dela. Alguém vai lhe dar uma boa idéia para conseguir traçar seus novos objetivos.
Pensar um pouco na dor dos outros talvez seja uma saída para esse momento. Quem sabe ajudar uma creche, uma associação que trabalhe pela dor dos outros, tão maiores que as minha angústias?
Ainda não sei o que fazer, mas todo dia vou acordar com esse propósito de buscar novos objetivos para a minha vida.
Agora esse objetivos terão que ser meus somente, e isso para mim é novidade, porque sempre tracei objetivos onde os outros eram mais importantes que eu.
Se vc puder me dizer alguma coisa que ajude, agradeço. Me conte como vc passou por isso e sobreviveu e se reinventou, vai me ajudar.
Eu sei que essa depressão temporária vai passar, porque tudo passa...