terça-feira, 31 de julho de 2012

Me encante...

Querida Danuza,


Será que existe coisa mais linda que o encantamento entre duas pessoas? Esse poema de Pablo Neruda é simplesmente maravilhoso! 
Quando nos encantamos ganhamos de presente um colorido especial em nossas vidas, corremos riscos que valem prazeres e ouvimos segredos que parecem sonhos. 
Hoje o post é em homenagem ao encantamento do amor, aos perdidos e achados no redemoinho dessa emoção, a todos que já encantaram.


Me encante...
Me encante da maneira que você quiser, como você souber. Me encante, para que eu possa me dar.
Me encante nos mínimos detalhes. Saiba me sorrir, aquele sorriso malicioso e gostoso, inocente e carente.
Me encante com suas mãos, gesticule quando for preciso, me toque, quero correr esse risco.
Me acarinhe se quiser, vou fingir que não entendo, que nem queria esse momento.
Me encante com seus olhos, me olhe profundo, mas só por um segundo, depois desvie o seu olhar, como se o meu olhar não tivesse conseguido te encantar...e então, volte a me fitar, tão profundamente, que eu fique perdida, sem saber o que falar. 
Me encante com suas palavras, me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres, me conte segredos, sem medos...e depois me diga o quanto te encantei.
Me encante com serenidade, mas não se esqueça, também tem que ser com simplicidade, não pode haver maldade.
Me encante como você fez com a primeira namorada, sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.
Me encante na calada da madrugada, na luz do sol ou embaixo da chuva. Me encante sem dizer nada ou até dizendo tudo, sorrindo ou chorando, triste ou alegre...mas me encante de verdade, com vontade... que depois, eu te confesso que me apaixonei e prometo te encantar todos os dias do resto das nossas vidas!!!

(Pablo Neruda)

A arte de presentear

Querida Danuza,

Não conheço ninguém que saiba presentear melhor do que meu irmão. Ele tem a senha da arte. Sempre procura presentes diferentes e o mais importante, pretende ao máximo agradar o presenteado.
Se ele viaja e compra artigos de vestuário, traz o número certo, o modelo do gosto de quem recebe; se presenteia joias, são adequadas ao momento; se presenteia artigos de grife, são bonitos, da última moda; se presenteia arte, escolhe artistas que estão criando novidades, enfim, pode dar aulas sobre esse assunto. E tem mais, ele fica feliz quando presenteia, gosta de presentear e esse gostar faz o presente melhor ainda. Não sei se ele sabe que eu penso isso dele e vai ficar surpreso quando ler esse post.
Lembrei agora de uma história ligada a esse tema (acredito que tenha sido traumática para quem a viveu) que uma grande amiga me contou, pois foi testemunha do acontecido. Toda vez que ela me conta essa história comentamos sobre a coragem da personagem principal em fazer o que fez.
A história é a seguinte. Uma senhora muito rica, do tempo em que cacau era ouro, herdeira de fazendas na região de Ilhéus, tinha dois filhos, nessa época já casados e com filhos.
Essa senhora costumava presentear suas noras com presentes digamos simples para a condição que tinha e sem grandes preocupações em agradar as suas noras.
Uma delas, muito educada, recebia os presentes e mesmo não gostando, agradecia, e depois dava qualquer destino ao presente. A outra, não muito educada, também recebia e devia fazer o mesmo, até que um dia, em um Natal, recebeu uma blusa de presente e provavelmente  não julgando o presente à sua altura e de seu agrado resolveu fazer uma desfeita. Embrulhou o presente e o colocou de volta na caixa e o devolveu  à sogra dizendo que não tinha sido de seu agrado. Eu não sei você, mas eu nunca tinha ouvido contar uma coisa dessa, uma pessoa devolver um presente! E ainda mais da sogra! Imagine o constrangimento dessa senhora recebendo de volta, na frente de todos, em plena festa de Natal, o presente dado à nora!
Minha amiga me contou que a partir dessa data essa senhora tinha a maior preocupação em comprar bons presentes para agradar a essa nora, com certeza para nunca mais passar por aquele vexame de ter o presente devolvido.
Moral da história: a nora mal-educada ensinou à sogra a arte de presentear!





domingo, 29 de julho de 2012

A leitura dos sinais

Querida Danuza,

As pessoas não precisam dizer quem são, basta que saibamos ler os sinais e teremos todas as informações que precisamos sobre elas.
Fala muito de si? é vaidosa. Diz que vai ligar e não liga? não tem compromisso. Critica os conhecidos? é preconceituosa ou invejosa. Reclama de tudo? é difícil de conviver. Some final de semana? tem outro compromisso. E por aí vai.
Quando conhecemos uma pessoa e nos encantamos com ela fechamos os olhos e os ouvidos para os sinais, que estão ali, mas preferimos não vê-los.
Se eu tivesse ficado atenta aos sinais certamente não teria passado por muita coisa que passei, mas se não tivesse passado certamente não estaria aqui hoje escrevendo esse post.
Hoje estou mais atenta aos sinais e fico impressionada como são claros agora, talvez porque tenha controlado a minha ansiedade, esteja em um período de paz comigo mesma.
No final do ano passado encontrei com um casal jovem numa festa, ele filho de uma amiga minha, que estava de casamento marcado para o início desse ano. Eles saíram da festa na mesma hora que eu e fiquei observando a atitude dele, que saiu na frente, deixando ela para trás, sem se importar em lhe dar a mão ou acompanhá-la, numa atitude de falta de cuidado, de desatenção até diria de descaso. Pensei comigo mesma no sinal que ele estava emitindo em relação a ela e ao casamento próximo - total descompromisso. Eles casaram e o casamento está por um fio em menos de seis meses. Os sinais estavam ali mas eles não quiseram ver.
Acho que vou escrever um manual sobre Leitura de Sinais e vender aqui no blog, aposto com você que vou vender milhões de exemplares, licenciar o livro para filme de Hollywood e ficar milionária, o que você acha dessa ideia?










Você me faz bem!

Querida Danuza,

Você me faz bem! Já ouvi essa frase algumas vezes, mas hoje quando a ouvi novamente repercutiu diferente em mim, dessa vez recebi a mensagem com uma nova compreensão.
"Você me faz bem" é melhor ou igual a " Eu te amo". Vou tentar explicar o que senti dessa vez, para ver se você concorda comigo.
A primeira significa que você traz alegria, paz, saúde ao outro, é o movimento de dar algo a alguém, enquanto que a segunda é a declaração de receber um sentimento, algo sem movimento. A diferença entre dar e receber, ambas experiências maravilhosas.
Se eu puder estender essa ideia, "fazer bem" traz um benefício adicional de você poder espalhar sua energia, tornar outra pessoa feliz, dar amor, esvaziar o pote (eu e Edinha já conversamos tanto sobre isso) e receber energia nova. E "receber amor" é a energia nova que vem, num ciclo que torna as pessoas mais felizes por se sentirem amadas e reconhecidas.
Essa reflexão me remete à ideologia cristã de fazer o bem sem olhar a quem, ao próximo, seja ele quem for. Será esse um dos segredos para ser feliz? Será essa a forma de receber as bençãos diárias de que tanto necessitamos para nos sentirmos em paz?
Não sei, talvez você saiba e um dia me conte.
Mas hoje o que posso lhe afirmar é que "Você me faz bem!" é uma mensagem linda de se ouvir e sentir.


sábado, 28 de julho de 2012

A vida é uma festa!

Querida Danuza,

A cada dia que me levanto da cama recebo um presente da vida, um dia para viver, é o início da festa que valorizo cada vez mais.
Uma festa onde vou encontrar pessoas, conversar, negociar acordos, resolver problemas, tomar decisões, receber informações, me divertir, enfrentar situações adversas ou favoráveis e tantas e tantas outras coisas onde meus sentimentos e emoções vão variar do amor à raiva e eu posso escolher entre uma atitude positiva ou uma negativa, reclamar ou resolver.
Hoje tenho consciência que atitudes, palavras e pensamentos podem fazer do meu dia uma festa mais ou menos animada. 
Tem dias que a festa "bomba" e tem dias que não. Acho que é uma forma de avaliar a vida.
Ontem tive um dia muito cansativo, onde tive que tomar alguma decisões complicadas, mas terminei com a aula de tango que foi maravilhosa. Avaliando, cabe sempre a mim buscar a melhor forma de viver e a ninguém mais. 
A vida a é uma festa, sim, o convite para participar chega todos os dias, e hoje é sábado, dia de velejar, aproveitar o sol, almoçar com minha família e ver os amigos. Acho que hoje a festa vai "bombar"!









terça-feira, 24 de julho de 2012

No have pictures!

Querida Danuza,

Como você já dever ter percebido, tenho vasta cultura em filmes infantis da Disney. Alguns filmes como Bela Adormecida, A Bela e a Fera, Aladim, Branca de Neve, O Rei Leão e Mulan eu devo ter assistido umas cinquenta vezes cada. Meu filho caçula e o mais velho também, adoravam assistir a esses filmes. Eu comprava as fitas e assistíamos a tarde toda. Quando acabava uma sessão meu filho caçula dizia - De novo! e lá íamos nós para outra sessão.
Mas entrei nesse assunto por conta de uma passagem do filme A Bela e a Fera onde o personagem Gaston, apaixonado por Bela, a intercepta na rua lendo um livro e o toma de sua mão, folheia o livro todo e surpreso ao constatar que não tem imagens diz - No have pictures!
Sempre uso esse exemplo quando meus filhos ficam mais preocupados em malhar o corpo que o cérebro, falo que eles vão ficar igual a Gaston, com o cérebro encolhido e os músculos expandidos.
Eles estão em uma fase em que acham que a única maneira de atrair as meninas é ser forte, malhado e a academia de ginástica é o passeio diário. Essa preocupação excessiva me aborrece.
Acho importante o cuidado com a saúde, estar bem fisicamente, mas a leitura e o estudo são mais importantes. Pessoas sem conteúdo, sem conhecimento, sem informação, enfim, sem assunto para conversar são desinteressantes, pelo menos para mim.
Será que essas coisas que eu digo tem algum efeito sobre eles? Sinceramente não sei, a princípio me parece que não, que estou pregando no deserto, mas quem sabe fica alguma coisa no inconsciente? Tomara que sim.

Confia em mim?

Querida Danuza.

Você já confiou em alguém que não honrou sua confiança? Vou responder por você, sim. E você conseguiu confiar nessa pessoa novamente? Vou responder de novo por você, não.
A confiança tem uma característica igual a dos bits, zero ou um. Ou se confia em uma pessoa ou não se confia, não existe "confio um pouco" ou "mais ou menos".
A confiança é um dos pilares da relação entre pessoas, sejam essas amorosas, comerciais ou de amizade e quando ela é destruída não há nada mais que se possa fazer para recuperá-la.
Sabe como eu defino confiança? Tem um filme da Disney, Aladim, da história da lâmpada maravilhosa, onde   Aladim e Jasmim se encontram em um tumulto na rua e sem se conhecerem anteriormente começam a fugir juntos de uma perseguição dos soldados do rei, seu pai, já que ela era uma princesa e ele um ladrão barato.
Eles começam a correr sobre os telhados das casas e quando Aladim pula para o telhado de um outro grupo de casas se vira e estende a mão para Jasmim e percebe que ela está com medo de pular. Ele olha para ela com a mão estendida e diz "Confia em mim?" ela olha bem dentro dos olhos dele, avalia se confia ou não, decide que sim, segura a mão dele e pula. Para mim confiar é isso, é ter a certeza que o outro vai fazer o que se comprometeu.
Você concorda comigo que não dá para confiar em alguém que nos deixa cair do telhado?

domingo, 22 de julho de 2012

Reflexão sobre as mudanças

Querida Danuza

Terminei de ler "Cândido" de Voltaire e fiquei refletindo sobre as mudanças dos personagens  ao longo da história. Ao final todos estavam juntos novamente, mas eram outras pessoas em seus desejos,  pensamentos, valores e como viam a si próprios e aos outros.
Cândido, o Otimista, não estava mais apaixonado pela outrora bela Cunegundes que tornou-se feia, rabugenta e insuportável.  Pangloss, o Filósofo, que pregava o otimismo, continuava sustentando que tudo ia às mil maravilhas mas não acreditava em nada que dizia.
No último parágrafo Pangloss diz a Cândido: "Todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivesses sido expulso de um belo castelo com grandes pontapés no traseiro, por causa do amor da senhorita Cunegundes, se não fosses apanhado pela Inquisição, se não tivesses percorrido a América à pé, se não tivesses dado uma boa espadada no barão, se não tivesses perdido todos os teus carneiros do bom país do Eldorado, não estarias comendo aqui cidras em calda, e pistaches. - Isso está bem dito, respondeu Cândido, mas é preciso cultivar nosso jardim."
Penso na minha vida, em tudo que já passei e na pessoa que sou hoje. Olho ao meu redor e observo as vidas das pessoas próximas.
A mensagem final de Voltaire diz que os acontecimentos nos levam a destinos nunca pensados mas também o nosso desejo e nossas ações infuem na direção das nossas vidas. Um jogo de vetores.
Onde minhas mudanças vão me levar? Será que a minha visão de futuro está correta? Como ir balizando para saber se o que estou fazendo vai me levar onde quero chegar?
Hoje fiz uma mudança na minha rotina de domingo. Vou lhe contar e você vai acompanhar comigo onde essa ação vai me levar ao longo do tempo.
Minha rotina aos domingos, até hoje, era acordar tarde, sair para almoçar em um restaurante com os meninos, com minha mãe ou com amigos, voltar para casa, pegar a revista Veja para ler ou assistir um filme na TV.
Essa semana estive na dermatologista e conversando ela me contou que gostava muito de fazer esporte. Ela é uma mulher de uns sessenta e poucos anos, cabelos vermelhos cacheados no ombro, pele bem clara, um pouco acima do peso mas uma mulher muito interessante. Eu perguntei que esporte ela gostava e tive como resposta WindSurf. Fiquei surpresa e perguntei onde ela fazia e recebi todas as informações. Há mais de  20 anos eu não fazia WindSurf mas resolvi que ia voltar a subir na prancha e dominar o vento.
Combinei com minha amiga Vevé de irmos nessa aventura e hoje acordei cedo, passei na casa dela e às 9h da manhã estávamos na Ribeira, um bairro da Cidade Baixa, procurando a Marina do Bira.
Rodamos, erramos o caminho, voltamos, até que encontramos. Fiquei surpresa com a quantidade de pessoas passeando com Jetsky, Hobbycat, caiaque, remo e Windy. Bira nos recebeu muito bem e nos apresentou a Marlon,  nosso instrutor para a primeira aula, um negro de uns trinta e poucos anos, magro, alto, muito delicado e paciente.
Primeiro ele deu todas as explicações teóricas na areia e depois entramos no mar. Armamos a prancha com a vela e Vevé foi primeiro e tomou logo uma queda, que ele denominou de batismo. Eu consegui me manter de pé sem cair e ficamos quase 1 hora no mar, que estava liso, sem ondas, com um vento leve.
Depois tomamos banho de mar e almoçamos peixe frito, Vermelho, em um restaurante que funciona em baixo de uma amendoeira na beira da praia. Para completar esse dia maravilhoso fomos tomar sorvete na Sorveteria da Ribeira - côco verde com mangaba - e cheguei em casa às 3 da tarde feliz da vida.
Essa é uma mudança que pretendo converter em uma nova rotina. Vamos ver aonde ela vai me levar.



quinta-feira, 19 de julho de 2012

Cor e Sabor

Querida Danuza,

Estava fazendo uma limpeza nos meus e-mails e encontrei vários deles tão cheios de emoção que não tive coragem de apagá-los.
Alguns eram de amigos que estavam em viagem de férias, outros que estavam em viagens de estudo, outros que relatavam festas de aniversário, de casamento, outros que falavam de saudades, enfim, e-mails que quero guardar e reler novamente daqui a alguns anos.
Gosto quando as pessoas sabem expressar seus sentimentos e colocam cor e sabor no que escrevem, quase que consigo vê-las!
Fui educada de modo a ser discreta, a esconder os sentimentos, a proteger a privacidade, a não demonstrar o que se passava na minha casa ou na minha alma.
Hoje tudo é diferente e estou me re-educando; agora eu mesma sou a professora e a aluna.
Sentimentos devem ou podem ser mostrados de forma clara, porque esconder uma decepção ou uma paixão? Faz sentido ou já estou com sono e escrevendo bobagens?
As redes sociais mostram essa mudança de comportamento. As pessoas falam o que sentem, mostram suas fotos, suas famílias, fazem questão de historiar suas vidas através dessas mensagens postadas. Outra forma de se conectar com os outros, sem tanto medo (até meio irresponsável, às vezes, eu acho).
Meu pai tinha muito medo de demonstrar qualquer tipo de riqueza, por causa de sequestro, de assalto, de tudo e então éramos muito comedidos nos assuntos de família.
Hoje é diferente, as pessoas não tem medo de mostrar o que tem, o que fazem, as viagens, as casas, os cônjuges, os filhos, acho que não estão preocupadas com isso.
E o resumo da história é que todos publicam suas histórias, suas emoções e tudo fica muito mais saboroso e colorido e a vida fica mais divertida. Ponto para a tecnologia que propicia tudo isso e ponto para as pessoas que fazem de suas vidas suas novelas preferidas, concorda?

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Perdoar é preciso

Querida Danuza,

Você sabe para que serve o perdão? Então me diga. Quer que eu fale antes? ok.
Então eu vou lhe contar a minha experiência com o perdão.
Sempre achei complicada a aplicação prática do perdão.
Sou de família católica e fui educada em colégio de freiras onde era obrigatória a confissão semanal para estar apta para a comunhão também semanal. Tínhamos que assistir e participar de um missa todas as sextas-feiras às 11h onde era praticamente obrigatória a comunhão.
Para comungarmos devíamos estar puras e para estar puras tínhamos que confessar ao padre nossos pecados (pecados de meninas de até 14 ou 15 anos). Meus pecados eram repetidos toda semana e sempre recebia o perdão do padre acompanhado de tantas Ave-Maria e tantos Pai-Nosso. Jesus em sua bondade extrema me perdoava toda semana pelos mesmos pecados que lembrando agora eram, respondi a minha mãe, menti por qualquer bobagem e outras tantas tolices que nem seriam pecado hoje, mas naquela época eram.Mas eu era pecadora e ao me confessar era perdoada, essa era a mensagem.
Durante os 20 anos do meu casamento acumulei mágoas, que despejava no meu ex-marido a cada briga. As mágoas eram catalogadas e sempre repetidas para não serem esquecidas.
Nos separamos e numa tentativa de reconciliação ele me levou para conversar com Irmã Sarah, uma freira já na casa dos 70 anos, miúda e muito calma.
Bastou ela me perguntar o motivo da separação para eu começar a contar todas as minhas mágoas, decepções, injustiças, e levei mais de duas horas falando.
Ela me ouviu pacientemente, até que eu finalmente parei de me lamentar.
Aí ela me disse - Perdoe.
Perdoar? Como? Não, ele não merecia o meu perdão ( eu não era Jesus para perdoar) eu era uma mulher que tinha todas aquelas mágoas listadas, será que ela não tinha entendido?
Ela continuou - O perdão liberta. Todo dia, toda hora, diga  - Eu perdoo -  e um dia você vai ver que perdoou. - Pare de embalar mágoas ( e fez um gesto de uma mãe embalando uma criança) para libertar seus braços e poder abraçar outra pessoa. O perdão liberta e você vai ser livre quando perdoar.
Naquele exato momento não entendi a grandeza do ensinamento, mas à medida em que fui pensando e avaliando as palavras dela, vi que tinha toda razão e que eu precisava praticar o exercício do perdão para me libertar. Foi muito difícil no início mas aos poucos fui perdoando e me libertando daquele peso.
Hoje esse é um dos meus lemas, não embalo mágoas de ninguém. Quando alguém me maltrata ou me desrespeita ou me desvaloriza  eu me afasto e perdou (não confunda com esquecer) e assim tenho meus braços livres para abraçar as pessoas que eu amo e que me amam.
Essa é a minha experiência com o perdão e lhe digo com toda a sinceridade, perdoe quem lhe magoou e se liberte.

domingo, 15 de julho de 2012

Não me conte seus problemas

Querida Danuza,

Estou numa fase em que meus problemas me bastam, não quero saber dos problemas de mais ninguém.
Preciso me concentrar em resolver os meus e até adotei uma técnica nova.
Num caderninho agora faço uma relação de todas as coisa que tenho que resolver, apenas respondendo à pergunta - o que.
Ao lado coloco o prazo final que tenho para resolver, se for o caso.
Fico olhando aquela lista todos os dias e começo a elaborar mentalmente como vou resolver aquele problema, ou seja, o - como fazer.
Agora mesmo estou com um problema seríssimo no escritório. Fizemos uma parceria comercial com um consultor, um contrato de risco, e a parceria não deu certo. No momento do distrato ele disse que era nosso funcionário, que havia uma relação de trabalho e quer uma indenização trabalhista! Fico louca com essas coisas, como as pessoas não tem ombridade, não tem respeito ao que foi acordado.
Para mim funciona assim - O acordado é o acordado, não é barato nem caro, e tem que ser cumprido. Não dá para mudar as regras nem durante o jogo e nem depois. Também levei muitos anos para aprender isso mas aprendi.
Como estava lhe dizendo, estou numa fase em que escuto os problemas dos outros mas não me meto nem com avaliações nem com conselhos, estou tratando de resolver os meus. Paciência, é uma fase, e como tudo na vida, vai passar.

Aniversário de 1 mês do blog

Querida Danuza,

O blog completa hoje 1 mês com 300 acessos, para mim um número fantástico. Fico imaginando quem lê meus posts. Estive olhando as estatísticas e tenho acessos do Brasil, dos EUA, da Alemanha e até 1 acesso da Rússia.
Como você sabe, nunca divulguei o blog e aqui entre nós duas, nunca imaginei ter tantos acessos em 30 dias, estou muito feliz.
Outro dia, conversando com minha decoradora, que vai fazer o projeto do meu escritório novo e é uma grande e querida amiga, comentei com ela sobre as mudanças que estou fazendo na minha vida e ela me disse - Desconfie de água parada!, uma citação do Confucio.
Parei e pensei no movimento que gerei na minha vida desde o término do meu relacionamento. Quer saber de uma coisa? Meu relacionamento transformou minha vida em uma "água parada" e desde o término, quando comecei pequenos movimentos de mudança que hoje são quase um redemoinho, 180o de mudança,  obtive várias vitórias.
Vou relacionar algumas para você entender:
- Visto para os EUA,  tinha pelo menos 2 anos que eu dizia que ia tirar, mas não fazia nenhum movimento para isso. No final de janeiro fui a Recife, e tirei o visto, juntamente com meu filho caçula;
- Passaporte italiano, tinha pelo menos 4 anos que rodava com isso, documentação para troca de nome, tradução juramentada, cidadania dos meninos. Consegui finalizar toda a burocracia e estamos os três em vias de receber os passaportes nos próximos 3 meses;
- Som com toca-discos de vinil, não ria, por favor. Desejava um som com toca-discos de vinil porque tenho muitos discos de orquestras maravilhosas, presente do meu professor de piano já falecido, que eu  não tinha como ouvir porque minha radiola, bem antiga, tinha quebrado há alguns anos. Essa semana recebi de presente de minha irmã e de meu cunhado um modelo imitando um gramofone antigo, com toda-discos, toca CD, MP3, radio, maravilhoso, porque eles compraram um novo e  me deram o antigo deles, que está perfeito;
- Mudança do local do escritório, por força do tempo que gasto no trânsito e por não estar mais adequado às necessidades atuais, já lhe contei sobre isso. Consegui esse novo espaço perto da minha casa e perto da casa de meu sócio, que também está feliz com as mudanças;
- Novos serviços para a minha empresa. Consegui fazer um acordo comercial para desenvolvimento de um projeto corporativo, e estamos trabalhando em uma proposta para uma empresa municipal que pode ser replicado em outras unidades municipais;
- Aula de dança, que nem vou comentar;
- Novos amigos, alegres, maravilhosos, que me convidam para estar com eles e com quem me divirto muito. Semana passada passei o final de semana em Campos do Jordão na casa de um casal  amigo e  eu e ela conversamos e rimos sem parar por 3 dias. Foi maravilhoso, vou te contar a história dessa amiga querida em outro post para você ter a oportunidade de conhecê-la
Tem muito mais para contar mas vou parar por aqui.
A partir de amanhã vou lhe contar sobre algumas pessoas maravilhosas que fazem parte de minha vida e tenho certeza que você vai gostar de conhecê-las, cada uma com seus sonhos, suas crenças e seu jeito de ser.
Nunca sabemos o impacto que causamos na vida do outro e talvez fosse  isso que Antoine de Saint- Exupéry  queria dizer quando afirmava que "tu te tornas responsável por aquele que cativas".
Quero agradecer às pessoas que tenho cativado com meus posts e lhes dizer que me sinto responsável em ser verdadeira, em escrever com mais assiduidade, em contar minhas histórias, minha vida, e não ter medo de me expor exatamente como sou, com minha força e minhas fragilidades.

Maria Luiza - Minha gatinha tralalá

Querida Danuza,

Hoje vou lhe falar de Maria Luiza, minha sobrinha. Temos uma brincadeira desde que ela era pequena em que eu pergunto - "O que você é de sua tia?". Quando ela era pequena respondia bonitinho - Uma gatinha tralalá!. Agora que já é uma moça responde - "Minha tia, que mico"! E  eu insisto até que ela, vencida, me responde bem baixinho! Adoro isso.
Maria Luiza é uma garota especial. Ela vai fazer 23 anos em outubro e é filha do primeiro casamento de meu irmão. Ela é loirinha, esbelta, rosto lindo. Mas o mais especial dela é que ela tem um norte interno. Dotada de inteligência, de um senso de oportunidade raro em pessoas dessa idade, desde pequena ela sabia o caminho que queria trilhar.
Quando estudava na escola Pan-Americana ela criou uma ONG, participava de todos os eventos da escola e aproveitou todas as oportunidades oferecidas para se qualificar para pleitear uma vaga nas melhores universidades americanas. Quando Condoleezza Rice esteve no Brasil como Secretária de Estado dos Estados Unidos governo americano e visitou a escola, apenas os diretores e duas alunas tiveram a honra de recebê-la. E quem foi uma das duas alunas? Ela, claro!
Ela foi aceita na Universidade de Columbia e frequentou o curso de Relações Internacionais onde teve a oportunidade de estar Fernando Henrique Cardoso, que foi à Universidade por conta de uma homenagem à d. Ruth Cardoso. Você pode imaginar o orgulho de meu irmão e de todos nós por ela. Quando esses eventos acontecem  as fotos são enviadas rapidamente por meu irmão para todos nós e todas as notícias que vem dela são sempre um prazer de se receber.
São tantas as coisas para se contar sobre ela que vou ter que filtrar para esse texto não ficar muito longo.
Há dois anos atrás ela veio para as férias e também para finalizar uma pesquisa sobre o papel da mulher na política latino-americana (esteve em Brasília, em Buenos Aires e não lembro a terceira capital) e fez uma pequena palestra numa Faculdade local sobre esse trabalho que ela estava desenvolvendo. Acredito que essa apresentação não durou mais de 20 minutos, mas mudaram definitivamente o rumo da vida de meu filho caçula. 
Ela estava usando um terninho preto de saia, uma blusa branca e apresentou alguns slides sobre a Universidade, o curso que ela estava fazendo e sobre a pesquisa.
Quando saímos de lá, todos encantados com ela, meu filho me disse - Mãe quero estudar na Pan-Americana, quero fazer Universidade nos EUA (contarei o desdobramento dessa história em outro post).
Esse é um dos mistérios da vida, o impacto que uns causam nas vidas dos outros, sem qualquer intenção na maioria das vezes.
Maria Luiza se formou, foi aceita em Oxford para o Mestrado e agora no segundo semestre vai iniciar o doutorado. Ela quer ser professora , mas eu acho que ela deve trabalhar na ONU, e lutar pelo direito das mulheres na política em todo o mundo.
Estamos esperando pela chegada dela nos próximos dias e vai ser uma delícia ouvi-la dizer - Minha tia!

sábado, 14 de julho de 2012

Mudar é preciso - Parte II

Querida Danuza,

Como lhe disse estou promovendo várias mudanças na minha vida com o objetivo de aprender a viver bem sozinha. Lembro de uma sessão de terapia onde Lucia, minha terapeuta, me dizia que eu tinha que construir uma vida para mim e eu achava isso a coisa mais impossível!  Como viver sem um marido, sem um namorado? Eu não conseguia ver uma possibilidade dessa alternativa ser viável. Mas, creia, é plenamente possível e acredito que você sabe muito bem disso, porque já construiu a sua vida dessa forma.
Eu tenho uma frase que costumo repetir sempre, para desespero dos meus filhos (depois lhe conto porquê). "No Sião tudo tem seu tempo!". Significa que as coisa tem um tempo para acontecer, para serem entendidas, para serem possíveis e eu finalmente entendi que tenho que ter uma vida minha, independente de qualquer pessoa, até mesmo dos filhos. Levei anos para entender, mas aprendi e estou implantando a cada dia essas mudanças.
As mudanças são pequenas, mas são consistentes.
Uma das primeiras foi me inscrever em aulas de dança de salão, bolero e samba. Sempre quis aprender a dançar e até cheguei a frequentar uma escola de dança anos atrás, mas por motivos outros parei. Agora retomei em outra escola e estou adorando, aprendendo a dançar, decorando os passos e acredito firmemente que estarei dançando sem pisar nos pés do cavalheiro até o final desse ano. O professor é ótimo, super animado e dança muito bem. O método é adequado aos iniciantes e de tanto repetir posso lhe dizer que já aprendi alguns passos.
Mas a grande surpresa que tenho para você é que ontem comecei as aulas de tango!!!!!! Isso mesmo, tango! Meu professor iniciou uma turma somente às sextas-feiras e para minha alegria tinham quase 50 alunos na sala. Posso lhe contar um segredo? Tenho loucura para aprender a dançar tango desde que assisti o filme "Perfume de Mulher" e lhe prometo que vou dançar o tango desse filme até o final do ano. Vou gravar minha performance e publicar no You Tube e você será a primeira pessoa a receber o endereço!
No objetivo proposto de construir uma vida para mim, participar desse grupo de dança me possibilitou fazer novas amizades e ao final desse ano poderei participar da confraria de dança da escola. Diga para mim agora, tem coisa melhor do que isso?



quarta-feira, 11 de julho de 2012

Avaliando o Blog

Querida Danuza,

Muitas coisas aconteceram desde o último post. Resolvi ir a SP para duas reuniões de trabalho, uma das quais terminou não acontecendo e também visitar uma querida amiga, que me convidou para passar o final de semana em sua casa em Campos do Jordão.
Aproveitei para pensar no blog, que me dá tanto prazer em escrever.
Sempre gostei de ouvir histórias. Na escola era uma de minhas aulas preferidas apesar de quase nunca conseguir coordenar o que estava acontecendo simultaneamente em países diferentes e decorar em que datas eventos importantes tinham acontecido.
Sempre gostei também de contar histórias, e é isso que esse blog está aos poucos se tornando, um espaço onde eu posso contar minhas histórias.
Toda história tem várias facetas, vários ângulos de visão e aqui eu vou colocar a forma como as percebo, de acordo com meus conhecimentos, minha bagagem de vida.
Quero que as pessoas que leiam esses pequenos textos participem de experiências que eu vivi e que de alguma forma eu participe também de suas vidas.
E veja que história incrível essa que vou lhe contar agora, verdadeira e única.
Na quinta-feira passada estive com um amigo português, e perguntei por sua neta, que tem 5 anos e é a paixão de sua vida.
Antes de contar o que ele me relatou vou lhe passar a primeira parte da história para que você entenda perfeitamente o ocorrido.
A filha desse meu amigo namorou um rapaz e engravidou. Não chegaram a se casar e ela veio, com a filha pequena, morar com a mãe (já separada há muito anos desse meu amigo). Segundo meu amigo esse rapaz não valia grande coisa, parece que não tinha nem trabalho certo nem bom caráter e também não dava atenção à filha.
O que aconteceu depois foi que a filha desse meu amigo morreu, acho que foi de acidente, não sei ao certo, e houve uma disputa judicial pela guarda da garota. Depois de mais de um ano de litígio a avó ganhou a guarda da neta e o pai tem direito a visitas acompanhadas, o que faz esporadicamente.
Final da parte I.
Voltando à resposta de "como vai sua neta?".
Ele me contou que há algum tempo atrás um amigo de sua filha o procurou e disse que tinha tido um relacionamento com sua filha e que sentia que ele é que era o pai da garota. Pediu um exame de DNA e o exame confirmou que ele é que era o pai da garota! Você pode imaginar?
Segundo meu amigo esse rapaz é muito bom, está se aproximando da garota e estão ficando amigos, sem que ela saiba ainda que ele é o verdadeiro pai dela.
Agora ele vai chamar o atual pai  para contar o ocorrido e fazer todo o trâmite burocrático, processo na justiça e acompanhar emocionalmente a garota com todas essas mudanças.
Acredito que ele e a avó vão pedir novamente na justiça a guarda da neta, agora perante esse novo pai e espero que corra tudo bem para todos eles, principalmente o pai e a garota.
Não é uma história de cinema?







quarta-feira, 4 de julho de 2012

Mudar é preciso - Parte I

Querida Danuza,

Tenho pensado muito na minha vida, o que fazer daqui para a frente. A vida deveria ter um manual que pudéssemos consultar; em tal situação faça assim, em outra faça assado, mas em se fazendo corretamente vai dar certo!
Eu sei o que você vai me dizer - Isso não existe, esqueça, mas devia existir.
Veja minha situação. Divorciada, já na casa dos cinquenta, dois filhos que em dois anos me deixarão sozinha  por conta de suas escolhas profissionais e eu tendo que resolver a equação do meu futuro hoje, me preparar a partir de agora. E como é que eu faço isso, onde está o manual?
Pensei, avaliei, falei sozinha, comentei e cheguei a uma conclusão.
Então resolvi fazer mudanças...
Hoje vou te contar a primeira delas, amanhã conto as outras.
Resolvi mudar o escritório de lugar. Vou trazê-lo para mais perto de minha casa, evitando o trânsito diário, o stress, a perda de tempo.
Identifiquei um lugar um pouco maior do que o que ocupamos no momento, no pavimento térreo, o que evita uso de elevadores e amanhã marquei com o corretor e com minha querida amiga decoradora para avaliarmos o espaço e o custo da reforma. O lugar está estragado e vai dar trabalho para recuperá-lo mas acho que vale a pena.
Já sei o que você vai me perguntar - Como essa mudança vai lhe ajudar?
Vou mudar o meu espaço aéreo, meus caminhos diários, minha rotina e esse procedimento vai ser o início de outras mudanças.
Aguarde até amanhã, terei novidades.