terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O doce e o azedo

Querida Danuza,

É muito difícil falar sobre sentimentos conflitantes. Estar triste e alegre pelo mesmo motivo. Avaliar que ganhou e perdeu ao mesmo tempo.
É assim que me sinto, vitoriosa e perdedora.
Uma das metas da minha vida depois que tive filhos, foi a de educá-los e formá-los de forma a serem homens educados, independentes e qualificados para enfrentarem as dificuldades naturais da vida.
Para mim sempre foi muito importande a formação deles. Fazê-los entender a importância de respeitar as pessoas, valorizar o que recebem, olhar para os outros, além da formação acadêmica, cobrando boas notas e comprometimento com a escola e cursos extras.
Fiz sempre o melhor que pude, tentando sempre acertar, oferecendo o meu melhor em palavras e exemplos.
E essas coisas a gente faz sem saber qual será o resultado lá adiante e sem chances para parar, voltar e refazer as correções que tem queser feitas, assim que percebidos os enganos e ir adiante tentanto passar princípios e valores morais e amorosos.
E eis que agora chegou a hora de colher os resultados, e não poderiam ser melhores.
Posso dizer que entre erros e acertos acertei mais que errei.
Meu filho mais velho, de 25 anos, está se formando em Direito no final desse ano. Ele já trabalha há três anos e sempre procurou empregos que acrescentassem no seu currículo. Por onde passou deixou empregadores satisfeitos com sua atuação e deixou portas abertas se e quando quisesse voltar.
Agora ele participou de uma seleção para trabalhar na área financeira de um grande banco e foi selecionado dentre centenas de inscritos.
Motivo de orgulho? Muito. Ele está realizando o sonho de trabalhar na área onde quer crescer como profissional.
Agora é que vem o porém. Ele vai trabalhar em outra cidade, distante pelo menos 4 horas de avião.
Vai morar sozinho, iniciando uma nova etapa de sua vida e também vai me deixar sozinha,para uma nova etapa de vida também.
Eu sempre soube que isso aconteceria se eu acertasse na educação dele. E é por isso que agora eu estou muito feliz. E é por isso que agora eu já estou com tantas saudades. E é por isso que eu sei que cumpri minha meta. E é por isso que apesar da falta que ele vai me fazer eu não posso derramar nem uma lágrima. E é por isso que eu digo a vc que venci. E é por isso que eu digo a vc que é para isso que as mães criam seus filhos. Para vê-los voar com asas fortes.
E é por isso que esse sentimento é tão doce. E é por isso que esse sentimento é tão azedo.






segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Livro ou filme?

Querida Danuza,

Meu final de semana foi de filmes e livros! Chovendo na cidade e sem nenhum programa agendado, iniciei a leitura de um livro que ganhei há mais de 20 anos (acredite se quiser) - Xógum A Gloriosa Saga do Japão, do americano James Clavell. O livro tem 878 páginas e letras miúdas, vamos ver quanto tempo eu vou levar para ler e depois te conto minhas impressões, pois lembro que na época esse livro fez o maior sucesso.
Filmes, assisti 3. O primeiro foi "Um conto chinês", uma comédia romântica do cinema argentino, muito interessante. Resumindo, Roberto, um homem de meia idade, dono de uma pequena loja de ferragens encontra um rapaz chinês perdido (não vi essa parte) com uma tatuagem no braço com o endereço de um tio que ele veio procurar. O rapaz não fala uma palavra de castelhano e Roberto também não fala nenhuma palavra de mandarim. Roberto é ranzinza, mal humorado mas de bom coração e se compadece do rapaz chinês e tenta ajudá-lo levando-o primeiro à casa do endereço, onde o tio do rapaz e sua família já não moram mais. Depois o leva à delegacia e como o rapaz não tem nenhum centavo o leva à sua casa. O filme se desenrola de forma muito interessante porque Roberto tem um hobby de colecionar em um caderno recorte de jornais de notícias inusitadas, de certa forma inacreditáveis e por uma incrível coincidência uma daquelas notícias estava relacionada com o chinês e sua vinda para a América do Sul. No final o que acontece é que ao ajudar o chinês, o chinês também o ajuda fazendo-o perceber que ele devia aproveitar o amor de uma mulher que ele tinha medo de assumir.  Um filme que vale à pena assistir.
Lembrei do final de "Uma linda mulher" onde no final Julia Roberts diz a Richard Gere quando ele diz "E o príncipe veio em um cavalo branco e a salvou" e ela retruca dizendo"E ela também o salvou".
O segundo foi "A menina que roubava livros". Gostei mais do filme que do livro, que ficou meses no posto dos mais vendidos da revista Veja há uns dois anos atrás. O livro me decepcionou mas o filme é muito melhor. Retrata a vida de uma pequena cidade da Alemanha durante a Segunda Guerra e o dia-a dia de seus habitantes sob a ótica de uma garota órfã, adotada por um casal que a acolhe em troca de um auxílio mensal, mas que a trata bem e com quem ela vai desenvolver um sentido de família e vai mostrar que os alemães também sofreram com a guerra. A garota não sabe ler e aos poucos vai aprendendo, sendo incentivada pelo pai e vai se apegando aos livros, chegando a roubá-los da biblioteca do prefeito da cidade. O filme mostra um pouco do sofrimento dos judeus, quando a família acolhe um rapaz que estava fugindo, e também o medo que a população tem dos oficiais. Na escola o filme mostra o doutrinamento dos alunos e na vila a fiscalização da população.
Por último revi "Dormindo com o inimigo" com Julia Roberts que faz o papel de uma mulher que foge do marido violento e psicopata, vai para outra cidade, mas vive em eterna tensão com medo de ser encontrada, o que termina acontecendo no final.
Nossa lei Maria da Penha conhece muito essa história!
Esse final de semana foi de leitura e livros, o próximo será de praia porque o verão por aqui já começou!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Eu controlo, tu controlas, ele controla...

Querida Danusa,

Quanto tempo sem escrever!!!! Muitas mudanças na minha vida, que penso sempre que posso controlar, e sempre estou redondamente enganada.
Estou em São Francisco, nos Estados Unidos, em alguns dias de férias após meses de stress, até instalar meu filho caçula em uma Universidade americana para fazer sua graduação em Administração.
Ainda bem que existe uma facilidade de comunicação rápida e barata hoje em dia, para me dar a ilusão que vou continuar a controlar a vida dele de longe.
Acredito que vc não tenha tido essa experiência de preparar um filho tão jovem para morar longe, em outra país, outra cultura, sem o contato diário.
Começamos esse processo há quatro anos, quando ele dedidiu que queria estudar fora, nos Estados Unidos. A primeira providência foi a transferência para uma escola americana, para participar de todo o processo de habilitação para uma boa faculdade. Trabalhos comunitários, participação no programa de IB, esporte, BRAMUN, e nem sei mais quantos programas, todos em nome de notas e pontos.
No final do ano passado começaram as aplications, de inglês, das faculdades escolhidas e testes. Depois a espera pela resposta, confirmação da faculdade, provas na escola local, documentação de vacinas, visto especial, formatura e depois de tudo confirmado ver roupas, e mais uma série de providências para a mudança.
Viemos juntos, ele, eu e meu filho mais velho e passamos uma semana em providências locais até que chegou o dia de entrar na residência, em um quarto a ser dividido com outro colega, e dizer bye, até dezembro.
Depois de todo esse tempo nesse stress, viemos eu e meu  filho mais velho até a Califórnia para alguns dias de viagem, antes de voltarmos para nossa nova vida, agora apenas eu e ele.
Penso que fiz o que devia, atendendo sua vontade de estudar fora, mas sinto que a partir de agora meu peixinho criou asas e voou para bem longe e não há nada que eu possa fazer para impedir esse vôo.
Não há mais nada que eu possa controlar, apenas me consolar dizendo a mim mesma que fiz o que é melhor para ele. Espero que tenha acertado nessa decisão e que dê tudo certo. De perto ainda poderia contribuir mais um pouco na sua formação, mas de longe é muito mais difícil.
Ainda não sei como vou gerenciar essa  falta da convivência diária, a saudade e a proteção que agora não está mais no meu controle.
Espero que ele aproveite essa oportunidade de realizar esse sonho e que no final tudo isso valha a pena para todos nós.

domingo, 4 de maio de 2014

As 4 senhoras

Querida Danuza,

Mês passado comemorei mais um aniversário e como você sabe, esse é um momento em que nos olhamos no espelho para ver como estamos, se realmente estamos mostrando a idade que temos.
Meu espelho é amigo, já está acostumado comigo e não mostra a verdade, nele estou sempre bem. O peso está mantido, as rugas nem aparecem direito e a pele continua brilhante. No espelho do elevador tudo já parece diferente e eu entro sem olhar para ele, e fico de costas para não ter nenhuma curiosidade de olhar minha imagem e ver o que não quero ver.
No espelho do shopping, nem pensar em olhar, porque deve ser outra pessoa que está me olhando...
Estou falando isso porque hoje fui ao shopping comprar três presentes para amigas queridas que fazem aniversário esse mês, e como você há de concordar comigo, não é justo que só eu envelheça! Todas nós devemos e queremos envelhecer, porque a outra alternativa é a morte, ou um pacto com o diabo, tipo "O retrato de Dorian Gray". Como somos todas católicas e boas moças, a segunda alternativa está fora de ordem e devemos ficar com a primeira alternativa.
Voltando ao assunto do shopping, passei bem devagar olhando as vitrines das lojas e quando passei pelo café que fica no centro de um grande hall, lá estavam as 4 senhoras tomando um café e conversando. Pensei logo em mim e nas minha amigas, que em breve seremos assim, como essas senhoras. Todas meio gordinhas, com vestidos de senhoras, cabelo arrumado com laquê, maquiadas com blush e batom, tomando café e comendo torta de chocolate em um café no shopping. O que será que elas estavam conversando? Contando do marido doente, coitado, que nem quer mais sair de casa e não quer conversar, só reclamar. Outra falando da filha que já se separou duas vezes, tem um filho de cada marido e agora está namorando outro que não tem onde cair morto e os pais não dão pensão para ajudar nas despesas dos filhos. A outra contanto maravilhas do filho que está muito bem empregado, graças a Deus e tem uma mulher maravilhosa, que também tem um excelente emprego e vão viajar para Portugal para passar as férias. A quarta adora cachorros, porque Deus a livrou de filhos, e ela está contando as gracinhas que o cachorrinho faz só para ela.
Será que seremos assim também? Ainda estou na fase em que só se fala de plástica, academia, botox, produtos para cabelo e viagens. Tenho algumas amigas que só falam dos filhos e dos netos. Minha turma ainda não chegou nessa fase, poucas tem netos. Mas chegaremos lá, acho que sim, e o  que hoje me parece chato, certamente me parecerá agradável daqui a alguns anos. Acho até que vou aprender a cozinhar para introduzir receitas no meu grupo, pois me parece que é um assunto alternativo a filhos, netos e cachorros, assim como a maridos chatos.



terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Aonde ir agora?

Querida Danuza,

2014 chegou trazendo esperanças de mudanças, de renovação.
Mas está tudo igual e de repente não sei aonde ir. Estou de férias de todas as minhas atividades extras e me parece muito cedo para ir para casa ou fazer qualquer coisa.
O que fazer agora? Lá fora é verão. Penso em ir para casa, trocar de roupa e ir andar na praça perto de casa, mas o programa me parece muito chato.
Penso em ligar para alguma amiga e marcar para tomar um café em um dos restaurantes da praça, mas quem estará disponível para conversar em plena terça-feira? Liguei para uma delas e vai me retornar em 10 minutos.
De vez em quando isso me acontece, e acho que acontece com todo mundo. Um certo vazio, um certo não saber o que fazer para gastar o tempo.
O inicio de ano sempre me traz essas inquietações, talvez atreladas aos resultados das avaliação de final de ano. O que foi bom e o que foi ruim, as perdas e os ganhos.
O ano de 2013 foi difícil, porém sem grandes sustos com poucas grandes perdas. Minha tia Edna querida que faleceu em agosto e deixou um vazio de seu jeito de ser, de seus telefonemas e visitas para almoço. Grande companheira de verões em Interlagos, das caipiroskas na piscina, minha queridinha. Seu amor faz falta, sua alegria faz falta, seus olhos azuis, sua risada, seu jeito de brincar e me apoiar. Ela faz tanta falta que nem consigo falar dela, só lembrar.
De ganhos posso falar de 2kg que foram acrescidos ao meu peso e que insistem em ficar, apesar de todos os meus esforços na esteira e tentativas de não comer um panettone inteiro com uma xícara de café-com leite pela manhã.
Amores vieram e foram com erros e acertos e posso dizer que estou muito mais forte e atenta aos sinais, que falam tudo, é só querer ver, mas reconheço que mesmo assim paguei para ver só para confirmar se os sinais estavam certos, e é claro que estavam, mas nunca é demais conferir.
E os filhos, maravilhosos em seu caminho para sua vida própria. É como abrir aos poucos a porta da gaiola sabendo que o passarinho vai voar, mas qual a outra alternativa?
Tenho certeza que esse será um ano de mudanças, onde projetos de vida vão se realizar e que nada será como antes. Melhor? Acredito que sim, pois não existe nada melhor que a liberdade de poder experimentar.
Minha amiga não ligou e continuo sem saber o que fazer, meio perdida nesse ano novo.
Danuza, quero aproveitar para lhe desejar um Ano Novo com saúde e dinheiro. Se quiser mais é bom correr atrás!
Minha amiga Rosa acabou de ligar e marcamos para tomar um café no shopping, já me sinto melhor.