Querida Danuza,
Demorei para me acostumar com o barulho do mar. Estava acostumada com o barulho dos carros, das buzinas, freadas e eventuais batidas e agora só ouço o barulho do mar e do vento.
Às vezes é tão forte que incomoda, agora mesmo ouço as ondas quebrando na areia, e com a lua cheia as marés são maiores e mais fortes.
Penso na vida e seus movimentos, indo e vindo, mudando sempre. Antes eu tinha a ilusão de que tudo era para sempre e fiquei muito assustada quando realizei que na verdade tudo tem um tempo. Também achava que a vida era uma corrida linear, alcançar esse ponto e depois aquele outro. Para mim não foi assim, foi em zigue-zague, e nem sempre alcancei o gol.
Algumas coisas aprendi para sempre. Acho que a mais importante foi perceber em que ponto estou e avaliar com calma para que direção seguir agora. Outro grande aprendizado foi não pagar mais para ver quando já sei o que vai acontecer.
Tenho conhecido pessoas interessantes e muito religiosas, de várias crenças e fico emocionada com a fé dessas pessoas e como acreditam que todas as benção que recebem vem desse Deus Pai maravilhoso. Estou de alguma forma comovida com esses encontros.
Pessoas queridas que me rodeiam são Testemunhas de Jeová, batistas da Assembléia de Deus e Espiritas da linha de Allan Kardec, além de algumas católicas fervorosas da Igreja Carismática.
Conheci essa semana duas pessoas que me convidaram a conhecer obras de espíritas, palestras e até ganhei um Evangelho segundo o Espiritismo.
Penso o que está por trás disso, o que a vida está tentando me mostrar? Eu que sou tão resistente à infantilização das pessoas pela mágica da fé e pela crença nos absurdos dos dogmas, estou sensibilizada com a felicidade das pessoas religiosas e crentes. Hoje acho que as pessoas que creem em Deus são mais felizes. Não tenho nenhuma estatística para provar essa minha teoria, apenas um sentimento convivendo com pessoas de fé.
Estou pensando em aceitar o convite para visitar as obras mantidas por um Centro Espírita e vou ler o livro que ganhei de presente, até como retribuição pela gentileza dos convites e do presente e se essa pessoas chegaram até mim, deve ser por algum motivo bom.
Se o Uno é igual ao Todo e se a vida é como o mar, que vai e vem, devo buscar as mudanças que esperam por mim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário