Querida Danuza,
Muitas vezes penso nisso, onde gostaria de estar agora. Geralmente isso ocorre em situações de stress, onde a melhor coisa a fazer seria ser teletransportada para outra dimensão, longe dos problemas, e ficar lá até tudo passar, e só então voltar.
Acabei de ver uma foto de um mosteiro em Trabzon, na Turquia, pendurado magicamente em um penhasco, no meio de uma floresta, longe de tudo e de todos e imediatamente me imaginei lá. A única coisa que faria lá seria respirar, nada mais. Aprenderia a meditar com os monges e pararia de pensar, nem lembraria que o resto do mundo existe. Esperaria o Natal passar, o Ano Novo passar, o Carnaval passar e talvez até a Páscoa passar; ficaria lá só meditando e respirando. Deve ser assim que os monges vivem. Meditando e respirando. Deve ser mágico, e ainda mais naquela altitude.
Ando cansada das repetições e das obrigações das datas. Devo estar ficando velha, com toda certeza. Uma impaciência com as repetições e com as frases feitas, penso às vezes que faço parte de um grande teatro, onde a peça se repete a cada ano, e eu ali, fazendo o meu papel.
Vou pesquisar se esse mosteiro recebe estrangeiros para períodos de meditação e fuga do mundo real. Se sim vou me candidatar. Devo levar uns três dias para chegar lá, e vou ficar muda pois não falo turco. Será maravilhoso não ter que responder perguntas nem falar com ninguém.
Também não receber e-mails nem mensages do Whatsapp, nem acompanhar o Lava-Jato nem saber quem vai ser preso hoje. O corrupto do dia e os corrompidos da noite.
Essa crise moral por que passa o país está me exaurindo. Penso em todas as corrupções diárias que praticamos e que já estão impregnadas em nós.
Gostaria de acreditar em mágica, uma simples varinha de condão, um desejo e plim! Sonho realizado!
Outro lugar onde gostaria de estar agora? Bem longe do Natal, de Papai Noel, de shoppings lotados de pessoas comprando presentes e de votos de Boas Festas. Cansei disso tudo, já fiz essa cena tantas vezes que cansei.
Não aguento mais ver filmes sobre a vida de Jesus, nem jornais com o resumo das tragédias mais importantes do ano, e esse ano foi premiado!. Guerra, terrorismo, assassinatos em massa...Não tenho mais paciência para assistir as previsões para 2016.
O mundo ficou globalizado demais e já não existem lugares com ritmo próprio, tudo ficou pasteurizado, repetitivo e obrigatório.
Não consigo pensar em outro local onde gostaria de estar agora que não o mosteiro pendurado na rocha.
Agora me passou pela cabeça que até lá pode ter SKY e vai ser uma decepção muito grande se tiver!!!
E vc, onde gostaria de estar agora?
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Luta de classes sociais
Querida Danuza,
Engraçado como uma palavra às vezes nos remete a uma situação da nossa cultura!
Decidi ir hoje à tarde à Prefeitura, que fica no centro da cidade, para resolver um problema.
Deixei o carro no estacionamento e fui andando pelas calçadas antigas e desniveladas, Fui bem devagar para não cair do salto que estava completamente desapropriado para o percurso.
Fui observando alguns casarões que estavam em reforma, outros bem estragados em ruínas, e fiquei um bom tempo na porta de uma pequena igreja onde estava acontecendo uma missa.
Ao sair fiquei atrás de 2 moças jovens, negras, uma com cabelos alisados, outra com cabelos curtos e crespos em cachos, roupas justas, uma bem gordinha e falante e a outra mais alta que escutava e concordava.
A primeira coisa que ouvi foi: "Imagine que a barona não gostou da minha comida!".
Entendi tudo de primeira. Ela estava se referindo à patroa, a Barona, e ela devia ser a empregada doméstica, que fez a comida e recebeu uma chamada da patroa. Claro que ela não sabia que o feminino de barão, como se fala quando se quer se referir a pessoas ricas e posudas, era baronesa, e falou de forma tão segura que até tive vontade de adotar o mesmo feminino.
Continuou dizendo: Os menino tudo gostaram, só ela que é toda metida a especial achou salgada! no seu português sem qualquer concordância verbal.
A outra garota só concordava com a amiga balançando a cabeça. E eu colada nelas ouvindo a conversa interessada nessa briga de classes.
- A barona bota defeito em tudo que eu faço, o marido até que é bonzinho, mas eu não vou aguentar isso não! Reclama, mas não sabe fazer nada, nem o dever do filho pequeno sabe fazer, mas ela vai ver, se reclamar de novo vou deixar ela falando sozinha!
A outra disse : Não sei como você aguenta essa barona, se fosse eu já tinha ido embora e deixado ela sozinha.
- Só estou esperando meu décimo e vou pedir minhas contas, vc vai ver!
Atravessaram a rua e seguiram falando da patroa e suas chatices.
Atravessei para o outro lado pensando em como é difícil essa relação de patroa e empregada, onde os sentimentos mais verdadeiros afloram com tanta facilidade.
A que emprega, precisa dos serviços e se acha no direito de exigir e reclamar e a que se emprega precisa do dinheiro e não acha que deve ser reclamada nem exigida. Uma se acha mal servida e a outra se acha explorada.
Minha observação é que enquanto a educação não nivela as pessoas esse sentimento de barona e escrava fica no nosso sobconsciente, resultado da nossa história e se traduz nas nossas ações dando fôlego a essa guerra de classes.
E me pergunto o que eu posso fazer para contribuir para que isso aconteça?
Engraçado como uma palavra às vezes nos remete a uma situação da nossa cultura!
Decidi ir hoje à tarde à Prefeitura, que fica no centro da cidade, para resolver um problema.
Deixei o carro no estacionamento e fui andando pelas calçadas antigas e desniveladas, Fui bem devagar para não cair do salto que estava completamente desapropriado para o percurso.
Fui observando alguns casarões que estavam em reforma, outros bem estragados em ruínas, e fiquei um bom tempo na porta de uma pequena igreja onde estava acontecendo uma missa.
Ao sair fiquei atrás de 2 moças jovens, negras, uma com cabelos alisados, outra com cabelos curtos e crespos em cachos, roupas justas, uma bem gordinha e falante e a outra mais alta que escutava e concordava.
A primeira coisa que ouvi foi: "Imagine que a barona não gostou da minha comida!".
Entendi tudo de primeira. Ela estava se referindo à patroa, a Barona, e ela devia ser a empregada doméstica, que fez a comida e recebeu uma chamada da patroa. Claro que ela não sabia que o feminino de barão, como se fala quando se quer se referir a pessoas ricas e posudas, era baronesa, e falou de forma tão segura que até tive vontade de adotar o mesmo feminino.
Continuou dizendo: Os menino tudo gostaram, só ela que é toda metida a especial achou salgada! no seu português sem qualquer concordância verbal.
A outra garota só concordava com a amiga balançando a cabeça. E eu colada nelas ouvindo a conversa interessada nessa briga de classes.
- A barona bota defeito em tudo que eu faço, o marido até que é bonzinho, mas eu não vou aguentar isso não! Reclama, mas não sabe fazer nada, nem o dever do filho pequeno sabe fazer, mas ela vai ver, se reclamar de novo vou deixar ela falando sozinha!
A outra disse : Não sei como você aguenta essa barona, se fosse eu já tinha ido embora e deixado ela sozinha.
- Só estou esperando meu décimo e vou pedir minhas contas, vc vai ver!
Atravessaram a rua e seguiram falando da patroa e suas chatices.
Atravessei para o outro lado pensando em como é difícil essa relação de patroa e empregada, onde os sentimentos mais verdadeiros afloram com tanta facilidade.
A que emprega, precisa dos serviços e se acha no direito de exigir e reclamar e a que se emprega precisa do dinheiro e não acha que deve ser reclamada nem exigida. Uma se acha mal servida e a outra se acha explorada.
Minha observação é que enquanto a educação não nivela as pessoas esse sentimento de barona e escrava fica no nosso sobconsciente, resultado da nossa história e se traduz nas nossas ações dando fôlego a essa guerra de classes.
E me pergunto o que eu posso fazer para contribuir para que isso aconteça?
Preciso de um tempo!
Querida Danuza,
Ouça essa história fantástica contada por Vera, ainda no nosso encontro de Natal.
O adjetivo "fantástica" se deve à inteligência emocional da dona da história, uma psicoterapeuta que enfrentou e resolveu de forma diferente uma dor que quase todos nós já passamos pelo menos uma vez na vida, a dor do amor que está acabando entre duas pessoas.
Vamos chamá-la de Neide para facilitar o texto.
Neide e seu marido formavam a típica família feliz; os dois profissionais liberais, 3 filhos, situação financeira confortável, casa, carro, viagens nas férias, tudo mais que perfeito.
Eis que um dia o marido olha para ela e diz: preciso de um tempo!
Como ela não percebeu? O susto do desamor, da rejeição, ainda mais ela psicóloga!!!! Noites de lágrimas remoendo onde tinha errado e todas essas coisas que pensamos ao sermos dispensados.
Mas na sua dor, ela viu a luz. Claro, ela também precisava de um tempo! Tempo para estudar fora, para pensar, para dar andamento à sua formação de psicoterapeuta.
Aceitou a proposta do marido desde que ele ficasse tomando conta da casa e dos filhos e ela fosse fazer um curso fora. O marido ficou assustadíssimo, pois contava em ficar livre para curtir seu tempo, mas não teve outro jeito senão aceitar.
Ela foi e quando voltou reataram por um tempo mas logo depois o casamento acabou. Vale registrar que o casamento acabou mas sua vida pessoal e profissional cresceram; ela começou a ser convidada por empresas a dar palestras, aumentou a clientela do consultório, e começou a escrever artigos para revistas, continuou a criar os filhos e a namorar quando aparecia alguém interessante. Chegou até a se casar mais uma vez, mas agora estava sozinha.
Sozinha mas não solitária porque soube criar outros pontos para lhe sustentarem; trabalho, família, amigos e até passeios de bicicleta nos finais de semana.
Achei essa história fantástica porque sai da fórmula "não te quero mais fique aí sofrendo" para uma situação de "acabou essa história e agora vou viver outra".
Moral da história: Muitas vezes não precisamos passar tão profundamente por uma dor, se aprendemos com outra pessoa que passou por dor semelhante e achou uma saída que trouxe uma nova forma de viver a vida.
Ouça essa história fantástica contada por Vera, ainda no nosso encontro de Natal.
O adjetivo "fantástica" se deve à inteligência emocional da dona da história, uma psicoterapeuta que enfrentou e resolveu de forma diferente uma dor que quase todos nós já passamos pelo menos uma vez na vida, a dor do amor que está acabando entre duas pessoas.
Vamos chamá-la de Neide para facilitar o texto.
Neide e seu marido formavam a típica família feliz; os dois profissionais liberais, 3 filhos, situação financeira confortável, casa, carro, viagens nas férias, tudo mais que perfeito.
Eis que um dia o marido olha para ela e diz: preciso de um tempo!
Como ela não percebeu? O susto do desamor, da rejeição, ainda mais ela psicóloga!!!! Noites de lágrimas remoendo onde tinha errado e todas essas coisas que pensamos ao sermos dispensados.
Mas na sua dor, ela viu a luz. Claro, ela também precisava de um tempo! Tempo para estudar fora, para pensar, para dar andamento à sua formação de psicoterapeuta.
Aceitou a proposta do marido desde que ele ficasse tomando conta da casa e dos filhos e ela fosse fazer um curso fora. O marido ficou assustadíssimo, pois contava em ficar livre para curtir seu tempo, mas não teve outro jeito senão aceitar.
Ela foi e quando voltou reataram por um tempo mas logo depois o casamento acabou. Vale registrar que o casamento acabou mas sua vida pessoal e profissional cresceram; ela começou a ser convidada por empresas a dar palestras, aumentou a clientela do consultório, e começou a escrever artigos para revistas, continuou a criar os filhos e a namorar quando aparecia alguém interessante. Chegou até a se casar mais uma vez, mas agora estava sozinha.
Sozinha mas não solitária porque soube criar outros pontos para lhe sustentarem; trabalho, família, amigos e até passeios de bicicleta nos finais de semana.
Achei essa história fantástica porque sai da fórmula "não te quero mais fique aí sofrendo" para uma situação de "acabou essa história e agora vou viver outra".
Moral da história: Muitas vezes não precisamos passar tão profundamente por uma dor, se aprendemos com outra pessoa que passou por dor semelhante e achou uma saída que trouxe uma nova forma de viver a vida.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Natal das amigas
Querida Danuza,
O Natal proporciona muitos encontros e muitos momentos felizes, sempre.
É um belo motivo para reunir grupos e quando é de amigas é muito bom!
Segunda passada foi em uma reunião dessas que passei horas que valem a pena ser registradas nesse blog.
Éramos 8 em torno de uma mesa, numa noite quente de verão, comemorando o Natal que chegará em alguns dias, dispostas a conversar sem censura e degustar as delícias sem medo de engordar ou de ser pega em uma blitz no retorno para casa.
Uma coisa que eu valorizo é a amizade em torno de uma mesa com comida gostosa.
Cheguei tarde e perdi uma parte das entradas. Minha amiga Sol é excelente na cozinha e nesse dia estava especialmente inspirada.
Perdi algumas entradas; o Camemberd com geléia de frutas trazida da Inglaterra, da mesma loja onde a rainha compra as suas, aquecido no micro-ondas com torradas fininhas; salgadinhos trazidos por uma das amigas, Angela, e outras entradas que não gravei.
Mas ainda peguei a burrata com molho pesto, acompanhada de torradas, um spaghetti à puttanesca que estava divino, com um molho bem apimentado e massa "ao dente", acompanhado de pro-seco geladinho, depois vinho Malbec, e para coroar, docinhos sortidos e café.
Acho que a comida gostosa nos faz bem, facilita a conversa e abre os corações.
E a conversa? Levaria páginas contando as histórias que foram asssunto, cada uma melhor que a outra.
Para não lhe deixar muito curiosa, vou contar uma delas, contada por Vera, que nessa noite fez as vezes de Sherazade, e nos encantou com suas histórias.
Ela foi a um consultório médico e estava esperando a hora de sua consulta lendo um livro, quando entrou um senhor e se sentou ao lado dela, com uma postura ereta, e comentou alguma coisa do noticiário. A partir desse momento começaram a conversar e nesse meio tempo chegou um rapaz que se sentou perto e ficou ouvindo a conversa.
Esse senhor contou fatos de sua vida, pensamentos e atitudes que calaram fundo em Vera e no rapaz que ficou impressionado com sua jovialidade apesar de sua idade avançada.
Quando o senhor entrou na consulta o rapaz insistiu em mostrar o retrato do pai a Vera, dizendo como o pai era velho (apesar de ser muito mais jovem) em razão de sua postura e atitudes em comparação com a de aquele senhor.
A postura daquele senhor perante a vida fez a diferença e ela trouxe isso nessa história.
É interessante perceber como ficamos sábias com o passar do tempo e conseguimos aprender com a experiência alheia.
Outra coisa interessante foram os desejos para 2016: a primeira queira um neto, a segunda uma viagem, a terceira dinheiro, a quarta um período sabático em outro país, a quinta o filho mais perto, a sexta que a filha realizasse seu sonho, a sétima bons negócios e a oitava também queria um neto.
Interessante pensar que ninguém pediu um marido...
O Natal proporciona muitos encontros e muitos momentos felizes, sempre.
É um belo motivo para reunir grupos e quando é de amigas é muito bom!
Segunda passada foi em uma reunião dessas que passei horas que valem a pena ser registradas nesse blog.
Éramos 8 em torno de uma mesa, numa noite quente de verão, comemorando o Natal que chegará em alguns dias, dispostas a conversar sem censura e degustar as delícias sem medo de engordar ou de ser pega em uma blitz no retorno para casa.
Uma coisa que eu valorizo é a amizade em torno de uma mesa com comida gostosa.
Cheguei tarde e perdi uma parte das entradas. Minha amiga Sol é excelente na cozinha e nesse dia estava especialmente inspirada.
Perdi algumas entradas; o Camemberd com geléia de frutas trazida da Inglaterra, da mesma loja onde a rainha compra as suas, aquecido no micro-ondas com torradas fininhas; salgadinhos trazidos por uma das amigas, Angela, e outras entradas que não gravei.
Mas ainda peguei a burrata com molho pesto, acompanhada de torradas, um spaghetti à puttanesca que estava divino, com um molho bem apimentado e massa "ao dente", acompanhado de pro-seco geladinho, depois vinho Malbec, e para coroar, docinhos sortidos e café.
Acho que a comida gostosa nos faz bem, facilita a conversa e abre os corações.
E a conversa? Levaria páginas contando as histórias que foram asssunto, cada uma melhor que a outra.
Para não lhe deixar muito curiosa, vou contar uma delas, contada por Vera, que nessa noite fez as vezes de Sherazade, e nos encantou com suas histórias.
Ela foi a um consultório médico e estava esperando a hora de sua consulta lendo um livro, quando entrou um senhor e se sentou ao lado dela, com uma postura ereta, e comentou alguma coisa do noticiário. A partir desse momento começaram a conversar e nesse meio tempo chegou um rapaz que se sentou perto e ficou ouvindo a conversa.
Esse senhor contou fatos de sua vida, pensamentos e atitudes que calaram fundo em Vera e no rapaz que ficou impressionado com sua jovialidade apesar de sua idade avançada.
Quando o senhor entrou na consulta o rapaz insistiu em mostrar o retrato do pai a Vera, dizendo como o pai era velho (apesar de ser muito mais jovem) em razão de sua postura e atitudes em comparação com a de aquele senhor.
A postura daquele senhor perante a vida fez a diferença e ela trouxe isso nessa história.
É interessante perceber como ficamos sábias com o passar do tempo e conseguimos aprender com a experiência alheia.
Outra coisa interessante foram os desejos para 2016: a primeira queira um neto, a segunda uma viagem, a terceira dinheiro, a quarta um período sabático em outro país, a quinta o filho mais perto, a sexta que a filha realizasse seu sonho, a sétima bons negócios e a oitava também queria um neto.
Interessante pensar que ninguém pediu um marido...
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