sábado, 27 de abril de 2013

O vestido novo

Querida Danuza,

Passeando pelo Shopping, passei pela vitrine de um loja de roupas femininas e parei em frente, olhando o vestido no manequim. Lindo vestido, do meu jeito! Fiquei ali parada, decidindo se ia entrar ou não na loja, até que resolvi entrar e pedir para experimentar o vestido.
Experimentei e ficou perfeito! A vendedora, claro, fez o papel dela elogiando e propondo mil facilidades no pagamento. Pensei onde iria com aquele vestido, nenhum grande evento à vista, nenhum casamento ou aniversário, inauguração, coquetel, festa, nada. Para que eu precisava daquele vestido? Pensando racionalmente eu não precisava, mas pensando emocionalmente eu não podia perder a oportunidade de comprar um vestido que eu gostara tanto e que ficara ótimo em mim.
Decisão tomada, comprei o vestido e vim para casa. Chegando, tornei a vestir o vestido com uma sandália bem alta, escolhi a bolsa que melhor combinava e tive a certeza de ter feito uma excelente compra. Guardei o vestido no armário para esperar a melhor ocasião para sua estreia.
Os dias passaram, o mês passou, mais outro e mais outro e cada vez que eu abria esse armário, olhava para o vestido e pensava quando teria a oportunidade de vestí-lo.
Até que o dia chegou! Era um evento interessante, um casamento em casa dos pais da noiva, com recepção no próprio local para umas duzentas pessoas.
Uma hora antes do horário marcado, comecei a me arrumar e vesti o vestido toda contente e quando fechei o zíper já senti que tinha alguma coisa de errado. Olhei minha aparência no espelho e vi que o vestido estava folgado, Procurei na minha memória a imagem de quando tinha comprado o vestido e me sentido o máximo e ela era completamente diferente do que eu via naquele momento. Fiquei alguns momentos em pânico, sem entender o que estava acontecendo. Eu estava me sentindo péssima naquele vestido todo folgado.
Tirei o vestido, fui na cozinha, peguei um copo de água e sentei à mesa  procurando me acalmar, bebendo a água bem devagar.
Não era possível usar o vestido, deveria usar outra opção, e foi o que fiz. Voltei ao quarto, vesti outro vestido, que ficou muito bem, e fomos para a festa.
No caminho fui pensando no que havia acontecido. Comprei o vestido para usar em uma ocasião especial e esperei tanto que quando o usei eu já estava diferente e ele não me cabia bem. Pensei em outras situações onde esperei o momento especial...
Desse dia em diante passei a criar oportunidades para usar os vestidos que comprei sem ter um evento certo para usá-lo. Inventei comemorações em jantares, almoços, finais de semana e não deixei mais que o momento certo de usar o vestido passasse.
Isso valeu também para encontros, viagens, cafés ao final de tarde e jantares a luz de velas. Vale também para uma volta pela Toscana em 10 dias!

Esse posta é dedicado a todos os meus amigos que fazem acontecer o momento ideal a cada dia.






segunda-feira, 15 de abril de 2013

Uma história engraçada

Querida Danuza,

Acabei de lembrar de uma história engraçada que aconteceu há alguns anos atrás. Toda vez que lembro dessa história com as pessoas que participaram dela, damos risada.
Alguém da turma da faculdade resolveu marcar um encontro com os colegas que formaram juntos, num restaurante. Não nos víamos já há alguns anos e você há de convir que jovens de 23 anos são muito diferentes de adultos de 45.
Havia uma mesa grande, comprida, reservada para o grupo e as pessoas iam chegando e se sentando junto dos colegas que tinham maior amizade e a mesa foi crescendo.
Todos começaram a pedir os pratos, as bebidas e as conversas cruzavam a mesa às vezes em voz alta para que os que estavam nas pontas opostas ouvissem as perguntas uns dos outros.
Eu e alguns colegas mais próximos ficamos em uma das pontas da mesa e cada um que chegava era uma surpresa. Fulana, você não mudou nada! ou Sicrano, você engordou! e lá se iam os comentários. As mulheres estavam em sua maioria mais bem conservadas que os homens e eles cavalheiros diziam que elas estavam mais bonitas, e as perguntas de praxe sobre maridos, mulheres, filhos, iam se repetindo.
Lá para as tantas as conversas estavam muito animadas e um amigo que estava junto de mim, na cabeceira da mesa, resolveu perguntar bem alto para uma colega na outra cabeceira - Maria, você está muito diferente, o que foi que você fez?
Ela do outro lado, no meio daquela barulheira, dizia - Nada, não fiz nada.
Ele não se conformou e perguntou de novo, alto, para ela ouvir do outro lado da mesa - Maria, você fez alguma coisa, você está muito diferente! Nessa altura ele falava alto e todos na mesa ouviam a pergunta e olhavam para ela.
Ela continuava sorrindo e dizendo - Nada.
Na terceira vez que ele perguntou, ela já meio sem-graça e boa parte da mesa já olhando para ela para saber o que ela tinha feito, uma amiga que estava conosco do mesmo lado da mesa, não aguentou mais, puxou ele de lado e disse - Antonio, pare de perguntar porque ela está diferente, não viu que ela fez uma plástica?
Ele ficou surpreso, atônito com a informação e perguntou baixinho - Ela fez plástica? Como é que você sabe? É por isso que ela está tão diferente?
- É por isso sim você não está vendo? Pare de perguntar isso!
Ele ficou muito sem graça e mudamos de assunto e ele de vez em quando voltava a olhar para ela para se certificar da plástica.
Rimos muito com esse incidente, porque ele não fez por mal, apenas não entendia o que tinha acontecido com a mudança na fisionomia dela e tinha sido muito sincero em seu questionamento.
Provavelmente teremos outro encontro esse ano e prometo que lhe conto como estão os colegas, mais de 30 anos depois...






quarta-feira, 3 de abril de 2013

Você tem espelho em casa?

Querida Danuza,

Outro dia fui a um jantar em casa de amigos e estavam lá cerca de cinquenta pessoas, na faixa de 50 anos, quase todos conhecidos de longa data.
Cheguei tarde e fui cumprimentando as pessoas à medida em que ia entrando na casa e observando os convidados.
Algumas mulheres estavam precisando de um espelho como presente para a porta de saída de suas casas, para nunca sairem sem se olharem e terem a chance de voltar para se trocar ou tirar o excesso de maquillagem.
Sais curta tem seu tempo, mesmo que a cinquentona esteja bem de corpo. Parece que a mulher está fantasiada de adolescente, na minha opinião. Acho que a roupa deve ser jovial, mas não deve parecer que a pegou no guarda-roupa da filha.
Vestido muito apertado e decotado é mortal. A mulher não sabe se puxa a saia para baixo para cobrir as pernas ou se suspende para cima para proteger o decote.
E o conjunto de colares e de pulseiras? Árvore de Natal perde.
Uma delas usava cílios postiços tão grandes que devia ser um esforço manter os olhos abertos. Não sei como ela conseguiu aquela façanha. Uma cruz de ouro grande, próxima ao pescoço, finalizava a produção.
Roupas transparentes, então, são demais.... Dá para ver todas as dobras das costas e fica muito, mas muito deselegante.
Alguns homens também mereciam um espelho de presente. Camisas tamanho duplo para conter as barrigas proeminentes e bebidas além da conta.
Acho que se olhar no espelho e fazer uma análise crítica do que se vê é fundamental para a mulher se vestir e se arrumar de forma adequada à sua idade e ao evento que pretende ir.
Elegância é o conjunto de atitudes e vestuário que agrada o olhar, é minha opião portanto que todas nós nos olhemos no espelho antes de sair de casa.
Eu tenho em casa dois críticos que me ajudam, além do espelho. Ao sair para uma festa sempre pergunto a opinião deles e quando dizem é melhor trocar a roupa, quase sempre tem razão.
Pretendo não ser uma mulher equivocada ou desentendida e por isso tenho espelho em casa e por favor se algum dia você perceber que eu perdi o senso da elegância, me dê um espelho de presente!