quinta-feira, 28 de março de 2013

Espere para ser feliz!

Querida Danuza,

Esse é o pior conselho que se pode dar a alguém, concorda? Esperar para ser feliz... Esperar que tudo fique pronto como planejado no roteiro...
Não sou muito chegada a textos de auto-ajuda, nem a correntes de mensagens e deleto sem olhar PPTs dessa natureza, mas semana passada Edinha me enviou um texto que alertava sobre essa nossa insistência em só sermos felizes quando tivermos 100% do que desejamos e tenho pensado sobre isso.
O nome do texto era o Círculo dos 99 e contava a seguinte história.
Havia um rei muito rico e muito triste que tinha um pagem muito pobre e muito feliz. Inconformado com a felicidade do pagem o rei lhe pergunta qual o motivo de tanta felicidade.
O pagem então lhe responde que tinha uma esposa muito amorosa, que tinha uma casa para morar, que ganhava uns trocados de vez em quando e que tinha tudo o que necessitava para ser feliz.
O rei não se conformava com essa resposta porque a casa onde o pagem morava não era dele, era emprestada, a mulher era gorda e feia, as roupas eram de segunda mão, doadas e o que ele ganhava mal dava para comer, como ele podia ser feliz?
Como em todas as histórias que se prezam o rei também tinha um sábio para aconselhá-lo. Ele vai ao sábio e lhe pergunta como o pagem podia ser feliz naquelas circunstâncias. Como um sábio que se prezava este respondeu que o pagem era feliz porque estava fora do Círculo dos 99.
Claro que o rei quis logo saber o que era o Círculo dos 99. O sábio então disse ao rei não iria lhe contar e sim lhe demonstrar. Ele iria usar uma estratégia para forçar o pagem a fazer parte do Círculo dos 99 e então o rei poderia conferir a mudança na felicidade do pagem.
Solicitou ao rei que providenciasse um saco com 99 moedas de ouro e o acompanhasse à noite.
Saíram então o rei e o sábio à noite e pararam na frente da casa do pagem. Era uma casa muito simples, nos arredores da cidade. Colocaram o saco na porta da casa, bateram na porta e se esconderam.
O pagem abriu a porta, viu o saco no chão, olhou em volta, pegou o saco e entrou em casa.
O rei e o sábio se aproximaram e ficaram olhando pela janela.
O pagem jogou o conteúdo do saco em cima da mesa e ficou maravilhado quando viu as moedas de ouro. Arrumou as moedas em montinhos de dez e contou e recontou... 99! Falta 1 moeda, gritou para a mulher.
Olhou em baixo da mesa, do lado de fora da casa, fez a mulher varrer a casa a procura da moeda e não encontrou. Ficou aflito e começou a fazer planos de como conseguir a moeda que estava faltando.
- Preciso trabalhar muito para conseguir a moeda que falta. Se eu trabalhar à noite e minha mulher também trabalhar poderemos ter uma moeda em 5 anos. Meus filhos também vão precisar trabalhar para ajudar.
Já chegou de mau-humor no palácio no dia seguinte e o rei pode acompanhar a mudança que acontecia com seu pagem dia a dia. A felicidade tinha sumido de repente e ele só pensava no que fazer para conseguir a moeda que faltava.
Moral da história. Não faltava moeda nenhuma para ele ser feliz. Ele agora tinha 99 moedas, mas estava preso ao Círculo dos 99. Não conseguia ser feliz com 99 moedas porque faltava uma.
Então Danuza, o que posso mais lhe dizer? Quantas moedas você tem? Elas são seu 100%! Seja feliz com elas.
Provavelmente quando ficamos esperando ter mais uma moeda para sermos felizes, ao alcançá-la teremos perdido uma outra e assim, nesse círculo, nunca conseguiremos ser felizes com o que temos.

Essa é o meu desejo para você nessa Páscoa, que você possa ser feliz com suas moedas de ouro, seja lá quantas forem, e não deixe sua felicidade na moeda que você não possui.





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terça-feira, 19 de março de 2013

Gentileza custa pouco e vale muito

Querida Danuza,

Adoro gentilezas! Receber uma gentileza faz com que eu me sinta especial. A nobreza de querer agradar com um gesto gentil é muito gratificante.
Se os homens soubessem quantos pontos ganhariam se ao convidarem uma mulher para sair a esperassem do lado de fora do carro para o beijo de chegada e abrissem a porta do carro... Mais pontos para puxar a cadeira no restaurante... Mais pontos para abrir a porta do elevador...
Se as pessoas mais jovens também tivessem essa delicadeza do bom-dia ao encontrar pessoas mais velhas e  as deixassem passar na frente, como estariam homenageando essas pessoas com um pequena gentileza!
Gentileza custa apenas boa educação e um sentimento de poder servir ao outro sem que isso lhe diminua.
Gentileza vale um sorriso de agradecimento, uma relação de respeito mútuo.
A gentileza traz à tona bons sentimentos e estimula virtudes e aí eu lhe pergunto, por que é tão difícil para a maioria das pessoas ser gentil?
Onde foi parar esse cuidado com o outro?
Ninguém facilita a passagem no trânsito, nem espera as pessoas saírem do elevador para entrar, não cumprimentam  ao chegar, não pedem licença para passar e nem dizem mais "Como vai você?" dizem apenas "Oi!".
Estava agora pensando no que os homens gostam como gentileza. Gostam que sua bebida predileta esteja gelada, que os sirvam à mesa colocando no seu prato o que gostam de comer, que os ouçam contar o que aconteceu durante o dia de trabalho, que os deixem com o controle remoto da TV...
Acho que é um bom exercício praticar a gentileza e  mesmo que o outro não perceba, estamos sendo pessoas melhores e cultivando a nossa melhor parte.




sábado, 16 de março de 2013

How deep is your love?

Querida Danuza,

Lembro exatamente o dia, a hora, quando e porque fiz essa pergunta.. Lembro também da resposta que recebi, "very deep!".
Outro dia ouvi essa música no rádio e fui imediatamente remetida àquele momento. How deep is your love?O que eu pretendia com aquela pergunta? O que exatamente eu queria ouvir?
Pausa para pensar.
Há alguns anos atrás os pais esperavam que seus filhos os respeitassem, obedecessem e até os temessem.
As mulheres queriam ser admiradas, respeitadas e mantidas por seus maridos.
Os filhos desejavam que os pais se orgulhassem deles.
Final da pausa.
Quando foi que o amor passou a ser o sentimento mais importante?
Hoje esse sentimento mudou a relação entre as pessoas e o amor não se limita mais às relações familiares, ele se estendeu para os amigos, para as relações comerciais, para a relação com as instituições e com as religiões só para citar algumas interfaces.
As músicas que falam da falta de amor fazem o maior sucesso, todos nós já nos identificamos com alguma delas em algum momento de nossas vidas.
No cinema é o contrário. Os filmes de amor fazem o maior sucesso. Eu mesma, assim como Lisbela, só vou ao cinema sabendo que no final o mocinho fica com a mocinha, eu só vou para ver "como" e "quando".
E a terapia que era coisa para poucos, hoje faz parte da vida da maioria. É preciso pesquisar lá no passado o que nos fez sofrer por falta de amor que dói até hoje e ainda é motivo de angústia.
Nas igrejas o amor de Cristo fortalece os fiéis para vencerem seus problemas e aflições.
E todos nós  temos que reafirmar o tempo todo o nosso amor, seja no dia dos namorados, dos pais, das mães, das crianças, das mulheres, da família, dos avós e um sem número de datas importantes que são comemoradas para cada tipo específico de amor.
Você talvez não saiba, mas quando escreve suas colunas busca o amor de seus leitores.
E porque o amor se tornou tão importante  em nossa sociedade? Vou sugerir uma razão aqui e é claro que existem inúmeras.
O amor nos acolhe, nos faz importantes e nos fortalece. É um sentimento poderoso, capaz de unir as pessoas e perdoar as faltas. Faz bem à alma e ao corpo. Pode ser cultivado e aumentado. Também pode ser renovado.
Sei que você vai me perguntar: E aquele amor "very deep"? Aquele acabou, mas veio outro "very very deep"!

Esse post é dedicado aos novos amores, diferentes em seus personagens mas iguais em suas emoções.




segunda-feira, 11 de março de 2013

Não quero consertar ninguém!

Querida Danuza,

Acho que estou curada da síndrome de querer consertar alguém para servir para mim! Aceito o seu parabéns, obrigada. Nada mais difícil que imaginar que temos o poder de moldar alguém à nossa maneira, erro total.
Ontem saí com uma amiga para tomar um café e conversando sobre um amigo comum ela me perguntou se eu não poderia consertá-lo, caso ele fosse de meu interesse, isto é, em resumo, fazer uma transformação radical nele ao meu gosto.
Esse amigo está separado há algum tempo e está meio perdido, com a vida familiar desorganizada e com isso, muito ansioso. Por conta dessa ansiedade come muito, sem controle, e está muito gordo, realmente muito acima do peso.
Em outra época aceitaria a missão de consertá-lo. Indicaria (não só indicaria mas também marcaria) um bom médico clínico geral, para os exames de praxe, que detectariam imediatamente a necessidade de um cardiologista e de um nutricionista. Claro que também faria a marcação desses médicos e acompanharia os resultados e também já faria a matrícula em uma academia de musculação para início imediato dos exercícios complementares para ajudar na perda do excesso de peso.
Também auxiliaria  em lembrá-lo das boas maneiras tão importantes na conquista de uma nova namorada. Abrir a porta do carro e fechá-la é básico, sem perdão para aquele que não o faz. Ligar para saber como passou o dia e convidar para um cinema durante a semana, também auxilia no início do relacionamento para manter uma certa ligação do tipo, "está acontecendo alguma coisa entre nós".
Saber comer à mesa é fundamental e faríamos algumas incursões por restaurantes de diversas cozinhas para treino nos talheres e na mastigação, coisas básicas também. Claro que a refeição seria controlada com vistas à perda de peso prescrita pelos médicos.
Continuando o processo do conserto, indicaria um curso de dança de salão para iniciá-lo na arte da dança e prepará-lo para saber dançar nas festas de casamento e nas oportunidades onde tivesse música boa tocando. Um homem que sabe dançar já ganha pontos de saída.
Agora o mais importante, a conversa. Para ganhar atenção é necessário uma conversa leve, agradável e com bom humor. O ritmo da conversa é importante e não sei se saberia explicar mas tentaria.
Indicaria ainda um bom dentista para uma revisão nos dentes e manutenção de um hálito fresco e saudável.
Ao final dessa tarefa hercúlea teríamos um novo homem, no peso correto, maneiras adequadas, hábitos refinados e conversa agradável.
E agora eu lhe pergunto, por que eu faria isso? Por que interviria tão fortemente na vida de alguém e assumiria o compromisso de estar com ele já que o teria modificado ao meu gosto? E essa transformação duraria quanto tempo?
Acho que nenhum de nós merece isso.
Não desejo consertar ninguém, desejo apenas aceitar as pessoas como elas são e caso me peça alguma sugestão, possa dar uma dica sem qualquer direito de cobrança.

Esse post é dedicado aos novos amigos que vão chegar na minha vida e que precisam ser aceitos na sua forma diferente de ser.


domingo, 10 de março de 2013

O futuro que não vai acontecer

Querida Danuza,

Hoje estamos contando um ano da morte de meu sobrinho Ricardo. Amanhã teremos uma missa para marcar a data do tempo que estamos chorando essa perda.
Hoje li um texto postado pela mãe dizendo que ela perdeu um pedaço de seu futuro e eu infelizmente concordo com ela. Como não pensar no futuro perdido de um garoto de 24 anos? Saudável, inteligente, feliz , amoroso, bonito, amado, querido...
Mas não foi só ele que perdeu o futuro, sua mãe e seu pai também o perderam. Sabem que não vão comemorar mais junto com ele os gols do Bahia, clube de sua paixão, a formatura, o namoro, o noivado, o casamento, a arrumação do apartamento, os netos, todo esse futuro se perdeu, e todos nós sabemos que não vai acontecer mais.
E eu lhe pergunto, como se consegue viver com essa perda? Sempre nos perguntamos o que será que vai nos acontecer no futuro, esperando boas surpresas e também expectando as repetições que nos fazem felizes.
E quando já sabemos o que não vai acontecer, como podemos suportar essa falta? Quando temos esperança, essa nos move e nos traz forças para vencer os obstáculos, e quando não temos esperança, qual a alternativa?
O futuro não tem graça e o presente também não, então, o que fazer? Acho que é aí que entra a religião, trazendo   uma esperança para depois da vida, como a conhecemos, jogando a esperança para um futuro que não conhecemos, apenas tentamos adivinhar, mas é uma esperança.
Para sobreviver com sanidade então é preciso trocar a certeza de um futuro que não vai acontecer por um outro futuro que poderá acontecer, e é essa esperança de um dia voltar a abraçar esse garoto maravilhoso que permite que se enfrente diariamente a vida, se trabalhe, se envolva com os outros filhos, família, amigos e se enfrente a rotina diária de resolver os problemas e suportar a dor da falta.
Acho que a certeza do futuro que não vai mais acontecer é uma carga muito pesada para os seres humanos, que tem essa noção de tempo, de futuro e conseguem antever o futuro.
Penso nos pais de Ricardo e em outros amigos que perderam seu filho ainda jovem e desejo que encontrem alguma esperança que os faça fortes o suficiente para encontrar algum sentido na vida sem ele.

Esse post é dedicado a Ricardo, de quem nunca perderemos a esperança que de alguma forma esteja entre nós e faça parte de nosso futuro.

terça-feira, 5 de março de 2013

Que bacana!

Querida Danuza,

Se você ouviu essa expressão e entendeu, isso significa duas coisas: a primeira é que quem falou tem mais de cinquenta anos; e a segunda é que sim, as palavras também ficam velhas!
Termos e expressões que fizeram todo o sentido para a minha geração de repente ficaram obsoletos e já não conseguem exprimir surpresa, ou sentimento, ou desagrado.
Quando chamo meus filhos de "Meu bem" às vezes ele me dizem, "Que coisa mais antiga mãe!" e eu que acho tão linda essa forma de falar com eles, insisto, achando que um dia eles vão entender o que significa alguém ser o seu bem, o seu amor.
Lembro da primeira vez que ouvi a expressão "Barril!" e não entendi se era para qualificar uma coisa de boa ou de ruim. Vou traduzir para você entender, significa, "Não gostei, ruim!".
De lá para cá aprendi várias novos vocábulos e entendo que uma língua viva se comporta dessa maneira, palavras assumem novos significados e outras perdem o seu e deixam de ser utilizadas. Massa isso! (Coisa boa!).
Outra expressão que não se usa mais é "Que legal!" e soa até esquisito quando ouvida. Posso relacionar muitos outros... lembra como falávamos dos rapazes bonitos e charmosos?  "Esse cara é um pão!". Lembro que quando minha mãe não gostava completava com "Pão dormido!". Pois é, hoje não faz o menor sentido.

Hoje no FB quando quero dizer que gostei, digo que curti.
Quando não gosto e comento com um amigo, ouço um Relaxe! ou Delete!

As palavras também tem seus ciclos de vida, assim como nós e nossas vidas. O eterno perde e ganha.
Ao longo da minha vida conheci muitas pessoas bacanas, e com certeza ainda conhecerei outras tantas no futuro.
E por falar em futuro, que palavras nos esperam?

Esse post é dedicado à minha amiga Michelle Marie que gosta de usar "bacanérrimo!" para dizer que adorou!