segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Dia de Natal

Querida Danuza,

O Natal chegou novamente e isso é tão bom! Um ciclo que se fecha mais uma vez e nos dá oportunidade de abrir outro, renovar os desejos e repensar os acontecimentos.
Hoje o que considero mais importante é conferir a lista de convidados e verificar que estão todos presentes. Essas pessoas é que são meus presentes, minha família, meus filhos, meus amigos.
No ano passado meu Natal teve uma ponta de angústia, de assuntos mal resolvidos e hoje estou aqui de novo em outro momento de Natal, em paz.
Quanto vale isso? Estarmos todos juntos, com saúde, com união, sem ninguém faltando...
Foi um ano interessante, muitas decisões e ações.
Comemoramos os 90 anos de minha mãe com uma festa linda e ela ficou felicíssima com os elogios da festa e de sua performance dançando um tango com seu professor de dança.
Para o próximo ano desejo um casamento, pois é, um casamento! Quando falo isso minha amigas dão risada, casamento ???? Dessa vez vou começar do final para o princípio, primeiro desejar o casamento, depois procurar um homem que também esteja pensando em casamento rsrsr. Acho que assim vai ser mais fácil!
Desejo também fazer uma viagem para Barcelona, conhecer de perto as obras de Gaudi.
Para 2013 desejo saúde, cabeça equilibrada, amor da família e dos amigos e algumas surpresas, para a vida ficar mais colorida.
Desejo a você um Feliz Natal e que saiba escolher bem seus desejos para o próximo Ano.

Esse post é dedicado à coragem que cada um tem dentro de si para escolher o melhor caminho, sabendo que nem sempre ele é o mais fácil.



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Fechada para balanço

Querida Danuza,

Sim, estive fechada para balanço. Não que eu tenha ficado em casa, pensativa, meditando, avaliando, nada disso. Estive fechada em mim mesma revendo minhas prioridades e o blog entrou nessa lista.
Uma das minha maiores prioridades até agora era cuidar, educar e formar meus filhos. Sinto então que essa é uma das prioridade a serem revistas já que essa missão está quase cumprida e já não exige tanto de mim.
Uma outra era cuidar de mim, de minha saúde, fazer ginástica, manter o peso, cuidar da pele e do cabelo. Tenho tido sucesso nesse itens  fora o cabelo, que insiste em ser seco, apesar das inúmeras hidratações, cauterizações e outras invenções dos cabeleireiros.
A outra é o trabalho e vai continuar como prioridade pois pretendo trabalhar sempre.
Manter as amigas próximas também vai ser prioridade sempre, pois nada pode substituir o apoio incondicional das amigas nos nossos erros ou acertos. Falar mal do ex com uma amiga não tem preço!
Cuidar da família e mantê-la em torno de mim também será prioridade para sempre pois não existe melhor aconchego que o da família e comentários mais sinceros e verdadeiros, mesmo que às vezes um tanto cruéis.
Mas e agora? Qual o próximo passo? Que prioridades anexar na minha vida?
Acho que chegou a hora de planejar uma viagem para bem longe, para um país que eu não conheça a língua e não tenha que entender nada do que as pessoas estão falando. Não sei se eu já lhe contei, mas há algum tempo resolvi assumir algumas características minhas que até então eu não conseguia traduzir, e uma delas é que eu não gosto nem de beber e nem de conversar. Então porque continuar indo a eventos onde a prática é beber e conversar? Não vou mais, dou uma desculpa e declino do convite. Por isso vai ser ótimo viajar para um lugar onde eu não precise conversar, só ouvir as histórias dos lugares, experimentar os sabores e ver as belezas do lugar.
Vou continuar revendo minhas prioridades para o próximo ano e devo incluir aulas de música ou de italiano, já planejando uma viagem à Itália e visita aos parentes na Calábria onde vou ter que conversar!
Desejo que você também reveja suas prioridades para o próximo ano, e não se esqueça de colocar como a mais importante manter a paz no seu coração.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Eu também...

Querida Danusa,

Por favor não reclame comigo por estar há tanto tempo sem escrever, vou lhe dar mil desculpas, todas sem sentido, e vamos perder nossa energia à toa.
Só gosto de escrever quando tenho um conflito interno para resolver ou uma questão para me colocar, não quero escrever por escrever e decidi que vou pagar esse preço.
Esses dias um tema tem rondado meus pensamentos e quero aproveitar para conversar com você e saber sua opinião.
Trata-se da demonstração de sentimentos, quanto e como devemos  nos expor, abrindo nosso coração e contando ao amado dos nossos sentimentos.
Aí é que entra o "eu também". Você já passou pela experiência de dizer "Eu te amo" e o outro responder "Eu também"? Eu já.
Que coisa mais triste essa resposta, por que a pessoa não responde "Eu também te amo" ou "Eu te adoro" ou "Gosto muito de você"?
Isso me parece tão econômico, tão pobre... Sei o que você vai me dizer, que as pessoas têm medo de expor seus sentimentos e eu já vou discordar.
Se a pessoa não ama, também acho que não deve dizer que ama o outro, mas deve dizer o que sente e não simplesmente, eu também. Pode até ficar calado e dar um sorriso...
Hoje, com a vivencia que eu tenho, quero ter sempre a coragem de falar ao outro sobre os meus sentimentos sem qualquer receio e ter a oportunidade de ser clara e aproveitar a experiência de estar sentindo amor pelo outro, o que é um presente da vida e também quero ouvir do outro claramente a expressão de seus sentimentos.
Eu acho que quando duas pessoas declaram seus sentimentos e os reforçam sempre com palavras, provocam o crescimento e o crompromisso entre as partes, seja entre o casal e também com os filhos, os familiares, e os amigos.
Por isso minha conclusão é que não se deve ter medo de declarar  os sentimentos nunca! Deve-se aproveitar essa experiência  e declarar sempre e da maneira mais amorosa possível e com todas as palavras seus sentimentos e nunca aceitar de volta um "eu também"!.



domingo, 9 de setembro de 2012

Despertando Hulk...

Querida Danuza,

Ontem recebi a visita de uma amiga, Rosa Virgínia, e conversamos muito sobre nossas vidas, relembramos histórias antigas e atualizamos as notícias recentes.
Numa certa hora ela passou a me contar sobre sua experiência em uma terapia de grupo, onde uma das participantes afirmava que em determinadas horas de tensão e raiva, despertava dentro dela um Hulk!
Era um ser que aparecia sem que ela chamasse, que a deixava descontrolada, que a fazia dizer coisas sem censura, expressando sua fúria, e que ela precisava dominar, igualzinho ao personagem do seriado da TV.
Concluímos que todos temos dentro de nós um Hulk em estado de latência e claro que imediatamente identificamos várias situações onde nosso próprio Hulk aparecia e ficamos especulando onde e quando, nos últimos tempos, tínhamos despertado sua força e contra quem...
Quando ela saiu já era noite e fiquei pensando sobre o meu Hulk, qual o gatilho que o despertava e como perceber que ele estava aflorando.
Tem pessoas que preferem "engolir sapo" (hem queridinha?) e ir levando uma situação ao extremo até explodir em doenças ou tristezas que levam à depressão. Tem outras que mantém seu Hulk quase solto (hem queridinho?), pronto para intervir com seu jeito nos menores acontecimentos e levam sua vida para uma explosão constante.
Conheço os dois tipos e creio que você também deve conhecer.
Acho que o bom é ficar entre os sapos e o Hulk, ir se equilibrando para levar a vida de maneira a se posicionar com respeito e respeitar os outros. Nem marasmo nem explosão. Simplesmente buscar o equilíbrio, fácil assim (quem dera!).

Esse post é dedicado a minha grande amiga Rosa Virgínia, a quem desejo um Hulk com controle remoto!


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Amor com pedigree

Querida Danuza,

Tomei uma decisão na minha vida. Agora só quero amor com pedigree! Verdade!  Agora quero amor com selo de qualidade, garantia de linhagem pura, registro no Inmetro.
Veja bem, investimos nosso tempo e  nossos sentimentos para construir uma relação, estabelecer um vínculo, envolvemos nossos familiares, um esforço enorme, além de vestidos novos, escova no cabelo, manicure, e tudo isso para um amor sem pedigree? Definitivamente não.
Vou definir o que é amor com pedigree. Para mim é um amor onde as pessoas respeitam princípios iguais como lealdade e respeito, tem um nível de educação semelhante e assumem o compromisso de fazer tudo o que for necessário para o relacionamento dar certo, ser bom para as partes, fazer bem às partes.
Bem definida essa parte vamos à segunda.
Pergunta básica, e como encontrar esse amor do qual estou falando?
Resposta, ainda não sei, mas me proponho a descobrir.
Algumas pistas devem ser seguidas e uma delas é a história da pessoa com as relações anteriores.
Pisou na bola com a parceira anterior? Com certeza fará de novo. Não tem pedigree.
Namora com uma e depois com outra e logo com outra? Vai me pular também. Não tem pedigree.
Vou fazer um parênteses nesse ponto. Sempre haverá alguém melhor que aquela pessoa com quem estamos nos relacionando; mais inteligente, mais engraçado, mais rico, mais bonito, mais generoso, mais charmoso, mais cuidadoso, mais protetor, mais, mais ,mais... mas se não paramos para conhecer e valorizar a pessoa com quem estamos entraremos numa busca sem limites, sem fim, sem nunca encontramos, pulando de galho em galho.
Voltando, outra pista é a relação do pessoa com a família e consigo mesmo.
Um homem que tem boa relação com sua família, tem grandes chances de estabelecer uma relação com pedigree e se estiver feliz com sua vida, mais chance ainda.
No mais é sorte, abrir o coração e ligar GPS!




terça-feira, 4 de setembro de 2012

Reflexões sobre as mudanças - II

Querida Danuza,

Estive pensando sobre as oportunidades de mudança que são criadas quando acontecem coisas que alteram o rumo das nossas vidas, sejam elas separações, doenças, casamentos, nascimentos, morte, trabalhos e outras tantas que não nos damos conta.
Cada mudança é uma nova chance que a vida nos dá. Chance para que, você vai me perguntar. Chance para experimentar coisas diferentes, para mudar de paradigmas, o que não significa que sejam melhores, podem até ser piores.
Já conheci pessoas que que se tornaram extremamente religiosas após vencerem uma doença. Tiraram da fé sua força para enfrentar todas as dificuldades do tratamento.
Por outro lado já vi pessoas perderem sua fé depois de passar por dificuldades que não conseguiram vencer ou perdas que não conseguiram superar.
Também acontecem oportunidades para mudanças quando os filhos se casam e a casa fica vazia. O que fazer para preencher esse vazio? Que oportunidade é essa deixa os casais sozinhos depois de toda a euforia de preparar o casamento e arrumar a casa nova dos filhos? Se for encarada como oportunidade pode ser uma chance para o casal se unir mais, fazer programas somente de seu agrado, viajar...se for encarada como abandono, pode separar o casal.
O fato é que quando as mudanças acontecem precisamos enfrentar suas consequências e se conseguirmos enxergar as oportunidades criadas termos mais chances de nos adaptarmos a ela.
Lembro de um filme que já assisti diversas vezes, O sol da Toscana, onde o personagem principal, uma escritora americana, se separa do marido após uma traição e faz uma viagem para a Itália em uma excursão gay e quando o ônibus para em uma pequena cidade da Toscana ela se encanta com o lugar e resolve ficar.
Essa decisão muda completamente sua vida e lhe traz novos projetos, desafios, metas, sonhos...
Não é fácil mudar e nem sempre percebemos que é preciso mudar, mas quando mudamos e dá certo é muito bom.



quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O futuro chegou...

Querida Danuza,

Quanto tempo sem lhe escrever! Saudades... Andei muito ocupada nos últimos dias e também com alguns problemas que precisavam ser enfrentados e resolvidos até amanhã, enfim, aqui estou.
Aconteceram muitas coisas comigo nesses últimos meses desde que escrevi o primeiro post falando sobre qual o melhor caminho para o futuro e, especialmente nesse último mês, ações que foram iniciadas lá atrás começaram a dar frutos. Hoje percebo que o futuro que eu imaginei há quase oito meses chegou.
É verdade, acredite, acompanhe meu pensamento.
O que é o futuro? É a nossa expectativa de realizar desejos ao longo do tempo. Quando eles se realizam é porque o futuro chegou. Deve-se então sonhar com um novo futuro e planejar ações que nos levem de novo a ele. Pode ser?
Meu futuro chegou, aquele futuro que eu projetei lá em janeiro.
O que é que eu queria alcançar? Retomar minha vida, ficar em paz comigo mesma, refazer minhas amizades, construir novas, cuidar de mim e de minha família, manter a saúde, desatar alguns nós que teimavam em ficar atados e que precisavam de força e coragem para serem resolvidos... buscar um novo amor... o que mais? Fazer a mudança do escritório para um local mais perto de casa, aprender a dançar... tudo se realizou, e eu preciso avaliar isso para validar meus planos, minha ações, meus acertos e meus erros.
Tive sorte? Tive. Tive amigos que me ajudaram? Tive. Mantive minha linha planejada? Mantive.
Hoje tem uma lua cheia linda enfeitando a noite da minha cidade, marquei para encontrar um amigo e comemorar. O que? O futuro que acabou de acontecer!


domingo, 19 de agosto de 2012

Beijoca

Querida Danuza,

Beijoca é uma menina linda, minha princesa Ibérica. Filha única de minha irmã que avisava aos sete ventos que queria ter muitos filhos, mas parou nessa filha única depois que descobriu que ter e cuidar de filhos na prática era muito mais difícil que na retórica.
O nome Beijoca vem de uma boneca que tive e com quem ela se parecia quando pequena.
Aconteceu uma coisa muito engraçada que vou lhe contar agora. Beijoca nasceu muito branquinha, grande, um bebê lindo, sem cabelo, completamente carequinha.
O tempo foi passando e nada do cabelo crescer. Na festa de aniversário de um ano ela continuava sem um fio de cabelo e  todos começamos a ficar um pouco preocupados com isso. As fotos dela desse período mostram uma garotinha com lacinhos de fita colados numa rala penugem de fios finos e loiros.
Passou-se mais um ano e nada dos cabelos crescerem - minha mãe até chegou a me perguntar, preocupada, se os cabelos  não iriam crescer.
Aí o cabelo começou a crescer bem loiro com cachos nas pontas e chegou até a cintura. Hoje ela já tem 7 anos, está bem alta para a idade e continua com o cabelo na cintura. Minha irmã nunca cortou o cabelo dela, acho que por trauma dessa história só apara as pontas!

Dedicado a Beijoca - "eu te amo de paixão!"


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Aniversário do blog - 2 meses

Querida Danuza,

Estou parecendo aquelas mães de primeira viagem que comemoram com festa cada mês de aniversário de seu bebê.
Um mês se passou desde que decidi continuar a escrever o blog e contar minhas histórias. Foi um mês conturbado com algumas decisões importantes e manutenção de algumas posições adotadas além de um grande aborrecimento no escritório.
Mas acho que hoje é dia de comemorar, o blog alcançou 840 acessos! O que posso concluir é que devo continuar escrevendo e de alguma forma participar da vida dos meus leitores contando minhas experiências.
Hoje me ligou uma pessoa que fez parte da minha vida até recentemente, uma senhora linda, na faixa de 80 anos, com mãos de fada. Nunca conheci uma pessoa como ela, com tantos predicados, uma verdadeira artista  - cozinha maravilhosamente bem, costura, faz tricots lindos, lenços de seda, bolsas de tecido, cintos e tantas coisas mais... Ela me ligou para me dizer que estava com saudades e que sentia muito minha falta. Sempre fico emocionada com essas demonstrações de afeto e eu acredito na máxima que diz que "quem me procura é porque sente a minha falta".
As pessoas saem de nossa vida de um jeito, mas permanecem de outro e continuam a viver conosco. Durante a nossa convivência essa senhora me presenteou com casaquinhos de lã lindos, lenços de seda pintados, cachecóis de lã, todas as peças feitas por ela especialmente para mim, como posso esquece-la? Nunca! Sempre vou me lembrar dela ao usar essas peças e também de todo o carinho que acompanhou esses presentes. Também acho que não tem porque não lembrarmos das pessoas que fizeram parte de nossa história. Lembrei agora de uma música de Roberto Carlos que diz - durante muito tempo em sua vida eu vou viver - e é isso mesmo, as pessoas continuam vivendo em nossas vidas mesmo quando já não fazem mais parte dela.

Esse post é dedicado a d. Ignez.

Você é o meu número!

Querida Danuza,

Veja que declaração de amor mais linda - Você é o meu número! Não é fantástica? Original?  Adorei, nunca tinha ouvido antes.
Vale para qualquer casal, novo ou velho. Fiquei pensando na maneira simples de dizer que uma pessoa atende os desejos da outra. E simplicidade no amor é o melhor que pode acontecer.
Outro dia fiz uma lista de pré-requisitos do homem ideal que desejo que chegue para mim. A lista continha desde dados físicos, tais como altura, cor dos olhos, peso, tipo de cabelos, pele, até dados bancários, tais como disponibilidade para viagens, presentes, moradia. Da lista ideal passei para outra mais viável cortando os supérfluos e depois para outra possível que considero a ideal e depois para outra mínima.  Cheguei em pontos como caráter, disponibilidade, saúde, independência financeira  e humor. Simples assim.
E a definição de - Você é o meu número diz - confortável, calça bem e adequado ao gosto.
Por que pensar só nas pessoas super, quando a maioria de nós é normal? Esse marketing de procurar sempre o mais  e não olhar para o suficiente?
Setembro está chegando e junto com ele a primavera.  O amor está no ar, basta sentir o vento. E o amor pode aparecer a qualquer hora, em qualquer lugar, desde que se esteja disponível.
Você já sabe qual é o seu número? Olhe em volta, talvez ele já esteja por aí.

Dedicado a Edinha, que hoje me perguntou pelas cartas.

sábado, 11 de agosto de 2012

Muito obrigada X Me desculpe

Querida Danuza,

Hoje é sábado, véspera do dia dos pais, e estou um pouco saudosista neste final de tarde.
O almoço aconteceu e todos já se foram.  Conforme eu tinha previsto foi um daqueles momentos felizes para guardar na memória e sorrir quando lembrar.
Lembrei de outros almoços do dia dos pais que tivemos e das faltas, falta de meu pai principalmente. Pessoas que não estão mais participando desses almoços, seja porque se afastaram, seja porque já se foram para sempre.
E nesse encadeamento de lembranças que não sei como acontece no cérebro, cheguei a meu tio e padrinho, irmão de meu pai e nas lições que ele deixou na minha vida, uma em especial que vou lhe contar agora.
Ele foi um homem daqueles que não existem mais hoje.
Ele faleceu há exatos 17 anos, subitamente, de uma falta respiratória proveniente de cigarro e uma deficiência pulmonar. Nessa época seus dois filhos já estavam casados, com filhos e ele e minha tia tinham adotado uma garota, filha de uma empregada, que ainda era pequena.
O enterro foi muito emotivo, minha tia chorando muito, mas o que chamou minha atenção é que ela repetia o tempo todo - Muito obrigada, obrigada por tudo o que você fez por mim, obrigada pela vida que você me deu, obrigada pela família que você me deu, obrigada por ter sido tão bom para mim, obrigada por ter cuidado de mim, obrigada, obrigada... E ela chorava, se lamentava pela perda e agradecia a ele, agradecia e agradecia.
Eu fiquei muito tocada por toda aquela gratidão, tão aclamada publicamente, tão verdadeira, porque realmente ele tinha sido muito bom para ela. E ele era bom para todos nós.
Saí daquele enterro com uma sensação que não conseguia definir, mas aquilo não saia de minha cabeça, a ligação daquela gratidão pela bondade dele com a minha vida.
Não demorei muito para descobrir o link.
Naquela época eu estava vivendo uma fase muito tumultuada da minha vida e vivia ouvindo - Me desculpe.
Já deu para você entender? Ela dizia - Muito obrigada - e eu ouvia - Me desculpe.
A diferença entre a gratidão pela bondade e o perdão pela falta. Tudo o que eu queria era dizer - muito obrigada e não ouvir - me desculpe.
Essa foi uma das grandes lições que ele me deixou.
Desde então fiquei atenta para ser uma pessoa melhor a quem se pudesse dizer  - muito obrigada -  e também procurei afastar de mim aquelas de quem eu ouvia - me desculpe - e procurei trazer para perto pessoas a quem eu pudesse dizer - muito obrigada.
Nem sempre consegui, mas é um sinal muito claro para mim quando começo a ouvir - me desculpe - e não consigo dizer - muito obrigada.







quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Atenção, mensagem chegando....

Querida Danuza,

No último post falei sobre a mensagem e o mensageiro e ontem me aconteceu uma coisa que quero lhe contar ainda sobre esse assunto.
Estava tomando café na cozinha, por volta das 7:30h, quando meu filho mais velho chegou, me deu bom dia,  sentou na cadeira na minha frente e começou a preparar seu café.
Começamos a conversar e de repente ele olhou para mim e me perguntou - Mãe, quando é que você vai voltar a malhar? Imediatamente o alerta laranja soou - mensagem chegando.
Perguntei - Por que você está me perguntando isso meu filho? e me preparei para a resposta. Desde quando você parou de malhar mãe? - veio uma nova pergunta. Desde janeiro, por que? - respondi suavemente e esperei a bomba.-  Olhe seu braço, você já perdeu todo o trabalho - respondeu ele indo direto no ponto fraco! Alerta vermelho, ele está me dizendo sem qualquer filtro, que perdi o tônus muscular, que o braço está mole! - Você precisa voltar a malhar, sentenciou ele - e começou a comer os ovos que tinha estralado e esqueceu de mim.
O mensageiro tinha trazido a mensagem de forma muito clara -  é preciso voltar a malhar para manter o corpo firme. Fiquei sentada por mais alguns minutos e resolvi ligar para a academia de ginástica.
Wilson, o personal, já me atendeu dizendo - Vai voltar a malhar, finalmente! - Ainda não sei Wilson, estou pensando em voltar, tem horário para mim? - respondi rezando para que ele não tivesse horário livre. Tenho um horário ótimo, às 10 para as 6 da manhã! - ele me respondeu todo feliz. Não acreditei no que ouvi - 10 para as 6h da manhã,Wilson? eu não consigo, é muito cedo, vou ter que acordar 5h! - que nada, é um horário ótimo, você vai malhar com Mara. No princípio ela também não gostava, mas agora ela não troca esse horário por nada e você precisa voltar a malhar! - retrucou ele com toda veemência. Venha que estou lhe esperando!
Desliguei o telefone e pensei nas mensagens recebidas - Você precisa voltar a malhar e 10 para as 6 da manhã é um ótimo horário. Capitulei.
Começo 2a.-feira.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

A mensagem e o mensageiro

Querida Danuza,

Acredito que você também já tenha passado por isso inúmeras vezes, tal como eu e a grande parte das pessoas em todo o mundo.
Uma pessoa lhe diz uma coisa que lhe desagrada ou lhe incomoda e você briga com ela, apresenta mil justificativas e às vezes até rompe relações.
A mensagem chega e você não ouve, seja por vaidade, seja por ser sempre dona da verdade, seja por achar que aquela pessoa não tem o direito de lhe criticar ou chamar sua atenção. Quem ela pensa que é para me criticar?
É muito importante saber ouvir a mensagem sem se ofender com a crítica, pois ela na maioria das vezes nos obriga a ver defeitos ou falhas que não queremos ver e o mensageiro é muito corajoso para nos trazer tal má notícia.
Eu posso falar de cátedra porque já passei inúmeras vezes por isso e não conseguia distinguir a mensagem do mensageiro.
Poderia ter evitado muitos erros se tivesse ouvido certas críticas que no momento me pareceram estapafúrdias e que depois se mostraram verdadeiras. Acredito que isso tenha acontecido com você também, é muito difícil ouvir críticas.
Lembro de uma crítica em especial, um querido amigo que me disse que eu estava sempre postergando a resolução dos problemas até que eles se resolvessem por si mesmos e na hora contestei, me aborreci, briguei, discuti, argui, tudo o que você puder imaginar, me justifiquei ao máximo e fiquei zangada com ele.
O resultado é que tempos depois vi que a crítica era perfeita, que eu estava agindo mesmo daquele jeito e  que a mensagem era correta.
Lição do dia, para seu crescimento e "melhoramento" - Ouça a mensagem e não mate o mensageiro! Agradeça!



domingo, 5 de agosto de 2012

O preço da paz

Querida Danuza,

Hoje é domingo, quase 5 da tarde e estou aqui, sentada na minha cama, computador no colo, olhando o céu azul pela janela, a buganvilea toda florida, o barulho dos carros passando na rua e estou sozinha.
Estou sozinha e em paz. Quanto vale esse momento? Já vivi domingos tão tumultuados, tão cansativos, domingos que ansiavam por uma segunda-feira o mais rápido possível.
E essa tarde de domingo assim tão calma, tão silenciosa, é um presente. Posso ficar aqui escrevendo esse post, pensando na minha vida e no preço que paguei para ter essa paz.
Se alguém me dissesse há algum tempo atrás que eu estaria feliz numa tarde ensolarada de domingo, sozinha em casa, eu iria taxá-la de insana, de não me conhecer nem um pouco.
E hoje estou aqui valorizando esse momento de paz que conquistei dominando meus medos e assumindo minhas escolhas.
Ainda não posso dizer que dominei completamente meu medo de ficar sozinha mas posso dizer que esse medo já não me comanda.
A paz é cara. No meu caso presumiu afastar pessoas, assumir compromissos, enfrentar situações delicadas e também um esforço emocional muito grande.
Tive que repensar minha forma de ver a vida, de me situar no contexto onde vivo, de me exercer como uma pessoa única, de ter coragem de não fazer parte da situação padrão e de não chorar por isso.
Tive perdas que doeram e demoraram a parar de doer. Tive ganhos que me sustentaram a prosseguir e principalmente passei a aceitar que cada um tem sua história e que não adianta ficar olhando a história dos outros, mais bonita ou mais feliz.
Cada um tem desejos a realizar. Um dos meus sonhos era ter paz na minha casa e isso eu consegui. Tenho muitos outros para alcançar.

O dia dos pais

Querida Danuza,

Próximo domingo é o dia dos pais.  Costumo fazer um almoço em casa para reunir minha família e apesar do pai dos meus filhos não participar, gosto de fazer esse evento para meu irmão e para meu cunhado que não abre mão dessa reunião. É uma forma de estarmos juntos em família e eu gosto muito dessas momentos. Os participantes são sempre os mesmos, minha mãe, tia Edna que não pode faltar nunca, minha irmã, marido, filha (Beijoca, minha princesa Ibérica) e sogra, meu irmão e filho. Esse ano teremos dois convidados vindos diretamente de Portugal  e Nequinha com certeza estará presente, recepcionando os convidados à porta.
Sempre tem uma brincadeira  ou discurso nesse almoço  e os meninos reclamam de ter que pagar esse mico, mas terminam lendo os textos que seleciono e é muito divertido. Acabei  de lembrar que ainda tenho que preparar o desse ano.
No nosso caso o domingo dos pais acontece no sábado, porque no domingo não tenho minha Mari, e sem ela nada de almoço.
Estamos discutindo o menu: entrada,soufflé de queijo Roquefort; pratos, lagostins ao forno, risoto ao funghi, uma massa com tomate fresco e manjericão e um filé com batatas gratinadas; sobremesa, torta de limão (receita nova) e sorvete de coco verde com calda de gengibre. O vinho, meu cunhado já trouxe de presente e está na adega. Chocolates  e licor para o café. O que você achou?
Ainda não lhe contei, mas adoro ler receitas, sou craque nesse assunto. Sempre compro livros, assino revistas de receitas, imprimo receitas na Internet, encaderno tudo, e só de ler já sei se a receita é boa ou não (para o paladar da casa), apesar de não saber nem fritar um ovo e muito menos coar um café. Faço assim, leio a receita, explico a minha Mari e ela faz certinho e claro que o mérito dos almoços deliciosos é meu, que soube ler e explicar corretamente o modus operandi da receita a Mari.
Pois é, lembra que lhe contei que pautei minha vida nos momento felizes? Esse vai ser mais um deles, para ser guardado na  memória e nas fotos que registrarão essa emoção.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Aprendendo a dizer não

Querida Danuza,

Uma das minhas maiores dificuldades é saber dizer não. Dizer não sem culpa. Dizer não sem medo.
Quantas vezes disse sim, quando minha vontade era dizer não.
A partir de agora quero aprender a dizer não e saber como colocar minha escolha de forma clara e tranquila de modo a não parecer uma ofensa ao outro ou um sinal de pouco caso.
Sei porque tantas vezes disse sim em vez de não. Para não criar problemas com o marido, com os filhos, com a família, com os amigos, para evitar uma discussão e às vezes até por cansaço.
Dizer sim é mais fácil, agrada a todos, facilita a vida em sociedade e aqui entre nós duas, quem está se importando com a minha vontade?
Saber dizer não é o ato de exercer o próprio desejo. Mas para exerce-lo é preciso; segurança em primeiro lugar; coragem em segundo; e arcar com as consequências em terceiro.

Segurança para manter o não, com a certeza de que não vai se arrepender, que é a sua melhor alternativa e que não vai desistir no meio do caminho;

Coragem para enfrentar as críticas, os pedidos para rever a posição, os afastamentos, as ameaças do tipo, "não foi você que quis assim?";

Arcar com as consequências e assumir as responsabilidades que passam a ser só suas, sem qualquer tipo de ajuda, sem qualquer solidariedade.

Mas eu acho que o preço de aprender a dizer não  vale a pena, depois de um tempo deve ficar mais fácil, até que as outras pessoas aprendam a respeitar o meu novo jeito de ser.







quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Carta de chegada

Querida Danuza,

Você já reparou que as pessoas escrevem cartas de adeus, de despedida e nunca cartas de boas-vindas? Pensei nisso hoje e resolvi escrever uma carta para quem vai chegar na minha vida.
Quero dizer como ele deve chegar quando resolver vir.
Essa carta é quase uma oração, um desejo colocado, para ser ouvido pelo universo.

Carta para você, que ainda vai chegar,
mas deve estar a caminho.
Seja bem-vindo, seja você quem for.
Chegue livre, chegue feliz,
chegue leve e com cuidado.
Deixe seus traumas, suas mágoas, suas decepções
e todas essa coisas que lhe trouxeram até aqui para trás,
não traga nada.
Chegue preparado
para começar uma vida nova.
Traga suas qualidades bem azeitadas,
deixe que eu descubra aos poucos os seus defeitos
e se puder melhorá-los, faça-o, para termos chances maiores.
Não quero saber do seu passado,
só do resultado atual dele,
os filhos que você formou,
a família que lhe rodeia,
os amigos, o trabalho, os hobbies,
os livros, sua bagagem cultural
e seus planos para o futuro.
Traga muitos planos.
Venha tranquilo,
seja para ser meu amigo ou amante,
sem medo, sem truques.
Chegue forte,
para enfrentarmos as diferenças de quem já viveu outras vidas antes.
Traga com você alegria,
espírito de união,
uma vontade de viver novas aventuras,
para que possamos juntos escrever a nossa história.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Me encante...

Querida Danuza,


Será que existe coisa mais linda que o encantamento entre duas pessoas? Esse poema de Pablo Neruda é simplesmente maravilhoso! 
Quando nos encantamos ganhamos de presente um colorido especial em nossas vidas, corremos riscos que valem prazeres e ouvimos segredos que parecem sonhos. 
Hoje o post é em homenagem ao encantamento do amor, aos perdidos e achados no redemoinho dessa emoção, a todos que já encantaram.


Me encante...
Me encante da maneira que você quiser, como você souber. Me encante, para que eu possa me dar.
Me encante nos mínimos detalhes. Saiba me sorrir, aquele sorriso malicioso e gostoso, inocente e carente.
Me encante com suas mãos, gesticule quando for preciso, me toque, quero correr esse risco.
Me acarinhe se quiser, vou fingir que não entendo, que nem queria esse momento.
Me encante com seus olhos, me olhe profundo, mas só por um segundo, depois desvie o seu olhar, como se o meu olhar não tivesse conseguido te encantar...e então, volte a me fitar, tão profundamente, que eu fique perdida, sem saber o que falar. 
Me encante com suas palavras, me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres, me conte segredos, sem medos...e depois me diga o quanto te encantei.
Me encante com serenidade, mas não se esqueça, também tem que ser com simplicidade, não pode haver maldade.
Me encante como você fez com a primeira namorada, sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.
Me encante na calada da madrugada, na luz do sol ou embaixo da chuva. Me encante sem dizer nada ou até dizendo tudo, sorrindo ou chorando, triste ou alegre...mas me encante de verdade, com vontade... que depois, eu te confesso que me apaixonei e prometo te encantar todos os dias do resto das nossas vidas!!!

(Pablo Neruda)

A arte de presentear

Querida Danuza,

Não conheço ninguém que saiba presentear melhor do que meu irmão. Ele tem a senha da arte. Sempre procura presentes diferentes e o mais importante, pretende ao máximo agradar o presenteado.
Se ele viaja e compra artigos de vestuário, traz o número certo, o modelo do gosto de quem recebe; se presenteia joias, são adequadas ao momento; se presenteia artigos de grife, são bonitos, da última moda; se presenteia arte, escolhe artistas que estão criando novidades, enfim, pode dar aulas sobre esse assunto. E tem mais, ele fica feliz quando presenteia, gosta de presentear e esse gostar faz o presente melhor ainda. Não sei se ele sabe que eu penso isso dele e vai ficar surpreso quando ler esse post.
Lembrei agora de uma história ligada a esse tema (acredito que tenha sido traumática para quem a viveu) que uma grande amiga me contou, pois foi testemunha do acontecido. Toda vez que ela me conta essa história comentamos sobre a coragem da personagem principal em fazer o que fez.
A história é a seguinte. Uma senhora muito rica, do tempo em que cacau era ouro, herdeira de fazendas na região de Ilhéus, tinha dois filhos, nessa época já casados e com filhos.
Essa senhora costumava presentear suas noras com presentes digamos simples para a condição que tinha e sem grandes preocupações em agradar as suas noras.
Uma delas, muito educada, recebia os presentes e mesmo não gostando, agradecia, e depois dava qualquer destino ao presente. A outra, não muito educada, também recebia e devia fazer o mesmo, até que um dia, em um Natal, recebeu uma blusa de presente e provavelmente  não julgando o presente à sua altura e de seu agrado resolveu fazer uma desfeita. Embrulhou o presente e o colocou de volta na caixa e o devolveu  à sogra dizendo que não tinha sido de seu agrado. Eu não sei você, mas eu nunca tinha ouvido contar uma coisa dessa, uma pessoa devolver um presente! E ainda mais da sogra! Imagine o constrangimento dessa senhora recebendo de volta, na frente de todos, em plena festa de Natal, o presente dado à nora!
Minha amiga me contou que a partir dessa data essa senhora tinha a maior preocupação em comprar bons presentes para agradar a essa nora, com certeza para nunca mais passar por aquele vexame de ter o presente devolvido.
Moral da história: a nora mal-educada ensinou à sogra a arte de presentear!





domingo, 29 de julho de 2012

A leitura dos sinais

Querida Danuza,

As pessoas não precisam dizer quem são, basta que saibamos ler os sinais e teremos todas as informações que precisamos sobre elas.
Fala muito de si? é vaidosa. Diz que vai ligar e não liga? não tem compromisso. Critica os conhecidos? é preconceituosa ou invejosa. Reclama de tudo? é difícil de conviver. Some final de semana? tem outro compromisso. E por aí vai.
Quando conhecemos uma pessoa e nos encantamos com ela fechamos os olhos e os ouvidos para os sinais, que estão ali, mas preferimos não vê-los.
Se eu tivesse ficado atenta aos sinais certamente não teria passado por muita coisa que passei, mas se não tivesse passado certamente não estaria aqui hoje escrevendo esse post.
Hoje estou mais atenta aos sinais e fico impressionada como são claros agora, talvez porque tenha controlado a minha ansiedade, esteja em um período de paz comigo mesma.
No final do ano passado encontrei com um casal jovem numa festa, ele filho de uma amiga minha, que estava de casamento marcado para o início desse ano. Eles saíram da festa na mesma hora que eu e fiquei observando a atitude dele, que saiu na frente, deixando ela para trás, sem se importar em lhe dar a mão ou acompanhá-la, numa atitude de falta de cuidado, de desatenção até diria de descaso. Pensei comigo mesma no sinal que ele estava emitindo em relação a ela e ao casamento próximo - total descompromisso. Eles casaram e o casamento está por um fio em menos de seis meses. Os sinais estavam ali mas eles não quiseram ver.
Acho que vou escrever um manual sobre Leitura de Sinais e vender aqui no blog, aposto com você que vou vender milhões de exemplares, licenciar o livro para filme de Hollywood e ficar milionária, o que você acha dessa ideia?










Você me faz bem!

Querida Danuza,

Você me faz bem! Já ouvi essa frase algumas vezes, mas hoje quando a ouvi novamente repercutiu diferente em mim, dessa vez recebi a mensagem com uma nova compreensão.
"Você me faz bem" é melhor ou igual a " Eu te amo". Vou tentar explicar o que senti dessa vez, para ver se você concorda comigo.
A primeira significa que você traz alegria, paz, saúde ao outro, é o movimento de dar algo a alguém, enquanto que a segunda é a declaração de receber um sentimento, algo sem movimento. A diferença entre dar e receber, ambas experiências maravilhosas.
Se eu puder estender essa ideia, "fazer bem" traz um benefício adicional de você poder espalhar sua energia, tornar outra pessoa feliz, dar amor, esvaziar o pote (eu e Edinha já conversamos tanto sobre isso) e receber energia nova. E "receber amor" é a energia nova que vem, num ciclo que torna as pessoas mais felizes por se sentirem amadas e reconhecidas.
Essa reflexão me remete à ideologia cristã de fazer o bem sem olhar a quem, ao próximo, seja ele quem for. Será esse um dos segredos para ser feliz? Será essa a forma de receber as bençãos diárias de que tanto necessitamos para nos sentirmos em paz?
Não sei, talvez você saiba e um dia me conte.
Mas hoje o que posso lhe afirmar é que "Você me faz bem!" é uma mensagem linda de se ouvir e sentir.


sábado, 28 de julho de 2012

A vida é uma festa!

Querida Danuza,

A cada dia que me levanto da cama recebo um presente da vida, um dia para viver, é o início da festa que valorizo cada vez mais.
Uma festa onde vou encontrar pessoas, conversar, negociar acordos, resolver problemas, tomar decisões, receber informações, me divertir, enfrentar situações adversas ou favoráveis e tantas e tantas outras coisas onde meus sentimentos e emoções vão variar do amor à raiva e eu posso escolher entre uma atitude positiva ou uma negativa, reclamar ou resolver.
Hoje tenho consciência que atitudes, palavras e pensamentos podem fazer do meu dia uma festa mais ou menos animada. 
Tem dias que a festa "bomba" e tem dias que não. Acho que é uma forma de avaliar a vida.
Ontem tive um dia muito cansativo, onde tive que tomar alguma decisões complicadas, mas terminei com a aula de tango que foi maravilhosa. Avaliando, cabe sempre a mim buscar a melhor forma de viver e a ninguém mais. 
A vida a é uma festa, sim, o convite para participar chega todos os dias, e hoje é sábado, dia de velejar, aproveitar o sol, almoçar com minha família e ver os amigos. Acho que hoje a festa vai "bombar"!









terça-feira, 24 de julho de 2012

No have pictures!

Querida Danuza,

Como você já dever ter percebido, tenho vasta cultura em filmes infantis da Disney. Alguns filmes como Bela Adormecida, A Bela e a Fera, Aladim, Branca de Neve, O Rei Leão e Mulan eu devo ter assistido umas cinquenta vezes cada. Meu filho caçula e o mais velho também, adoravam assistir a esses filmes. Eu comprava as fitas e assistíamos a tarde toda. Quando acabava uma sessão meu filho caçula dizia - De novo! e lá íamos nós para outra sessão.
Mas entrei nesse assunto por conta de uma passagem do filme A Bela e a Fera onde o personagem Gaston, apaixonado por Bela, a intercepta na rua lendo um livro e o toma de sua mão, folheia o livro todo e surpreso ao constatar que não tem imagens diz - No have pictures!
Sempre uso esse exemplo quando meus filhos ficam mais preocupados em malhar o corpo que o cérebro, falo que eles vão ficar igual a Gaston, com o cérebro encolhido e os músculos expandidos.
Eles estão em uma fase em que acham que a única maneira de atrair as meninas é ser forte, malhado e a academia de ginástica é o passeio diário. Essa preocupação excessiva me aborrece.
Acho importante o cuidado com a saúde, estar bem fisicamente, mas a leitura e o estudo são mais importantes. Pessoas sem conteúdo, sem conhecimento, sem informação, enfim, sem assunto para conversar são desinteressantes, pelo menos para mim.
Será que essas coisas que eu digo tem algum efeito sobre eles? Sinceramente não sei, a princípio me parece que não, que estou pregando no deserto, mas quem sabe fica alguma coisa no inconsciente? Tomara que sim.

Confia em mim?

Querida Danuza.

Você já confiou em alguém que não honrou sua confiança? Vou responder por você, sim. E você conseguiu confiar nessa pessoa novamente? Vou responder de novo por você, não.
A confiança tem uma característica igual a dos bits, zero ou um. Ou se confia em uma pessoa ou não se confia, não existe "confio um pouco" ou "mais ou menos".
A confiança é um dos pilares da relação entre pessoas, sejam essas amorosas, comerciais ou de amizade e quando ela é destruída não há nada mais que se possa fazer para recuperá-la.
Sabe como eu defino confiança? Tem um filme da Disney, Aladim, da história da lâmpada maravilhosa, onde   Aladim e Jasmim se encontram em um tumulto na rua e sem se conhecerem anteriormente começam a fugir juntos de uma perseguição dos soldados do rei, seu pai, já que ela era uma princesa e ele um ladrão barato.
Eles começam a correr sobre os telhados das casas e quando Aladim pula para o telhado de um outro grupo de casas se vira e estende a mão para Jasmim e percebe que ela está com medo de pular. Ele olha para ela com a mão estendida e diz "Confia em mim?" ela olha bem dentro dos olhos dele, avalia se confia ou não, decide que sim, segura a mão dele e pula. Para mim confiar é isso, é ter a certeza que o outro vai fazer o que se comprometeu.
Você concorda comigo que não dá para confiar em alguém que nos deixa cair do telhado?

domingo, 22 de julho de 2012

Reflexão sobre as mudanças

Querida Danuza

Terminei de ler "Cândido" de Voltaire e fiquei refletindo sobre as mudanças dos personagens  ao longo da história. Ao final todos estavam juntos novamente, mas eram outras pessoas em seus desejos,  pensamentos, valores e como viam a si próprios e aos outros.
Cândido, o Otimista, não estava mais apaixonado pela outrora bela Cunegundes que tornou-se feia, rabugenta e insuportável.  Pangloss, o Filósofo, que pregava o otimismo, continuava sustentando que tudo ia às mil maravilhas mas não acreditava em nada que dizia.
No último parágrafo Pangloss diz a Cândido: "Todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivesses sido expulso de um belo castelo com grandes pontapés no traseiro, por causa do amor da senhorita Cunegundes, se não fosses apanhado pela Inquisição, se não tivesses percorrido a América à pé, se não tivesses dado uma boa espadada no barão, se não tivesses perdido todos os teus carneiros do bom país do Eldorado, não estarias comendo aqui cidras em calda, e pistaches. - Isso está bem dito, respondeu Cândido, mas é preciso cultivar nosso jardim."
Penso na minha vida, em tudo que já passei e na pessoa que sou hoje. Olho ao meu redor e observo as vidas das pessoas próximas.
A mensagem final de Voltaire diz que os acontecimentos nos levam a destinos nunca pensados mas também o nosso desejo e nossas ações infuem na direção das nossas vidas. Um jogo de vetores.
Onde minhas mudanças vão me levar? Será que a minha visão de futuro está correta? Como ir balizando para saber se o que estou fazendo vai me levar onde quero chegar?
Hoje fiz uma mudança na minha rotina de domingo. Vou lhe contar e você vai acompanhar comigo onde essa ação vai me levar ao longo do tempo.
Minha rotina aos domingos, até hoje, era acordar tarde, sair para almoçar em um restaurante com os meninos, com minha mãe ou com amigos, voltar para casa, pegar a revista Veja para ler ou assistir um filme na TV.
Essa semana estive na dermatologista e conversando ela me contou que gostava muito de fazer esporte. Ela é uma mulher de uns sessenta e poucos anos, cabelos vermelhos cacheados no ombro, pele bem clara, um pouco acima do peso mas uma mulher muito interessante. Eu perguntei que esporte ela gostava e tive como resposta WindSurf. Fiquei surpresa e perguntei onde ela fazia e recebi todas as informações. Há mais de  20 anos eu não fazia WindSurf mas resolvi que ia voltar a subir na prancha e dominar o vento.
Combinei com minha amiga Vevé de irmos nessa aventura e hoje acordei cedo, passei na casa dela e às 9h da manhã estávamos na Ribeira, um bairro da Cidade Baixa, procurando a Marina do Bira.
Rodamos, erramos o caminho, voltamos, até que encontramos. Fiquei surpresa com a quantidade de pessoas passeando com Jetsky, Hobbycat, caiaque, remo e Windy. Bira nos recebeu muito bem e nos apresentou a Marlon,  nosso instrutor para a primeira aula, um negro de uns trinta e poucos anos, magro, alto, muito delicado e paciente.
Primeiro ele deu todas as explicações teóricas na areia e depois entramos no mar. Armamos a prancha com a vela e Vevé foi primeiro e tomou logo uma queda, que ele denominou de batismo. Eu consegui me manter de pé sem cair e ficamos quase 1 hora no mar, que estava liso, sem ondas, com um vento leve.
Depois tomamos banho de mar e almoçamos peixe frito, Vermelho, em um restaurante que funciona em baixo de uma amendoeira na beira da praia. Para completar esse dia maravilhoso fomos tomar sorvete na Sorveteria da Ribeira - côco verde com mangaba - e cheguei em casa às 3 da tarde feliz da vida.
Essa é uma mudança que pretendo converter em uma nova rotina. Vamos ver aonde ela vai me levar.



quinta-feira, 19 de julho de 2012

Cor e Sabor

Querida Danuza,

Estava fazendo uma limpeza nos meus e-mails e encontrei vários deles tão cheios de emoção que não tive coragem de apagá-los.
Alguns eram de amigos que estavam em viagem de férias, outros que estavam em viagens de estudo, outros que relatavam festas de aniversário, de casamento, outros que falavam de saudades, enfim, e-mails que quero guardar e reler novamente daqui a alguns anos.
Gosto quando as pessoas sabem expressar seus sentimentos e colocam cor e sabor no que escrevem, quase que consigo vê-las!
Fui educada de modo a ser discreta, a esconder os sentimentos, a proteger a privacidade, a não demonstrar o que se passava na minha casa ou na minha alma.
Hoje tudo é diferente e estou me re-educando; agora eu mesma sou a professora e a aluna.
Sentimentos devem ou podem ser mostrados de forma clara, porque esconder uma decepção ou uma paixão? Faz sentido ou já estou com sono e escrevendo bobagens?
As redes sociais mostram essa mudança de comportamento. As pessoas falam o que sentem, mostram suas fotos, suas famílias, fazem questão de historiar suas vidas através dessas mensagens postadas. Outra forma de se conectar com os outros, sem tanto medo (até meio irresponsável, às vezes, eu acho).
Meu pai tinha muito medo de demonstrar qualquer tipo de riqueza, por causa de sequestro, de assalto, de tudo e então éramos muito comedidos nos assuntos de família.
Hoje é diferente, as pessoas não tem medo de mostrar o que tem, o que fazem, as viagens, as casas, os cônjuges, os filhos, acho que não estão preocupadas com isso.
E o resumo da história é que todos publicam suas histórias, suas emoções e tudo fica muito mais saboroso e colorido e a vida fica mais divertida. Ponto para a tecnologia que propicia tudo isso e ponto para as pessoas que fazem de suas vidas suas novelas preferidas, concorda?

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Perdoar é preciso

Querida Danuza,

Você sabe para que serve o perdão? Então me diga. Quer que eu fale antes? ok.
Então eu vou lhe contar a minha experiência com o perdão.
Sempre achei complicada a aplicação prática do perdão.
Sou de família católica e fui educada em colégio de freiras onde era obrigatória a confissão semanal para estar apta para a comunhão também semanal. Tínhamos que assistir e participar de um missa todas as sextas-feiras às 11h onde era praticamente obrigatória a comunhão.
Para comungarmos devíamos estar puras e para estar puras tínhamos que confessar ao padre nossos pecados (pecados de meninas de até 14 ou 15 anos). Meus pecados eram repetidos toda semana e sempre recebia o perdão do padre acompanhado de tantas Ave-Maria e tantos Pai-Nosso. Jesus em sua bondade extrema me perdoava toda semana pelos mesmos pecados que lembrando agora eram, respondi a minha mãe, menti por qualquer bobagem e outras tantas tolices que nem seriam pecado hoje, mas naquela época eram.Mas eu era pecadora e ao me confessar era perdoada, essa era a mensagem.
Durante os 20 anos do meu casamento acumulei mágoas, que despejava no meu ex-marido a cada briga. As mágoas eram catalogadas e sempre repetidas para não serem esquecidas.
Nos separamos e numa tentativa de reconciliação ele me levou para conversar com Irmã Sarah, uma freira já na casa dos 70 anos, miúda e muito calma.
Bastou ela me perguntar o motivo da separação para eu começar a contar todas as minhas mágoas, decepções, injustiças, e levei mais de duas horas falando.
Ela me ouviu pacientemente, até que eu finalmente parei de me lamentar.
Aí ela me disse - Perdoe.
Perdoar? Como? Não, ele não merecia o meu perdão ( eu não era Jesus para perdoar) eu era uma mulher que tinha todas aquelas mágoas listadas, será que ela não tinha entendido?
Ela continuou - O perdão liberta. Todo dia, toda hora, diga  - Eu perdoo -  e um dia você vai ver que perdoou. - Pare de embalar mágoas ( e fez um gesto de uma mãe embalando uma criança) para libertar seus braços e poder abraçar outra pessoa. O perdão liberta e você vai ser livre quando perdoar.
Naquele exato momento não entendi a grandeza do ensinamento, mas à medida em que fui pensando e avaliando as palavras dela, vi que tinha toda razão e que eu precisava praticar o exercício do perdão para me libertar. Foi muito difícil no início mas aos poucos fui perdoando e me libertando daquele peso.
Hoje esse é um dos meus lemas, não embalo mágoas de ninguém. Quando alguém me maltrata ou me desrespeita ou me desvaloriza  eu me afasto e perdou (não confunda com esquecer) e assim tenho meus braços livres para abraçar as pessoas que eu amo e que me amam.
Essa é a minha experiência com o perdão e lhe digo com toda a sinceridade, perdoe quem lhe magoou e se liberte.

domingo, 15 de julho de 2012

Não me conte seus problemas

Querida Danuza,

Estou numa fase em que meus problemas me bastam, não quero saber dos problemas de mais ninguém.
Preciso me concentrar em resolver os meus e até adotei uma técnica nova.
Num caderninho agora faço uma relação de todas as coisa que tenho que resolver, apenas respondendo à pergunta - o que.
Ao lado coloco o prazo final que tenho para resolver, se for o caso.
Fico olhando aquela lista todos os dias e começo a elaborar mentalmente como vou resolver aquele problema, ou seja, o - como fazer.
Agora mesmo estou com um problema seríssimo no escritório. Fizemos uma parceria comercial com um consultor, um contrato de risco, e a parceria não deu certo. No momento do distrato ele disse que era nosso funcionário, que havia uma relação de trabalho e quer uma indenização trabalhista! Fico louca com essas coisas, como as pessoas não tem ombridade, não tem respeito ao que foi acordado.
Para mim funciona assim - O acordado é o acordado, não é barato nem caro, e tem que ser cumprido. Não dá para mudar as regras nem durante o jogo e nem depois. Também levei muitos anos para aprender isso mas aprendi.
Como estava lhe dizendo, estou numa fase em que escuto os problemas dos outros mas não me meto nem com avaliações nem com conselhos, estou tratando de resolver os meus. Paciência, é uma fase, e como tudo na vida, vai passar.

Aniversário de 1 mês do blog

Querida Danuza,

O blog completa hoje 1 mês com 300 acessos, para mim um número fantástico. Fico imaginando quem lê meus posts. Estive olhando as estatísticas e tenho acessos do Brasil, dos EUA, da Alemanha e até 1 acesso da Rússia.
Como você sabe, nunca divulguei o blog e aqui entre nós duas, nunca imaginei ter tantos acessos em 30 dias, estou muito feliz.
Outro dia, conversando com minha decoradora, que vai fazer o projeto do meu escritório novo e é uma grande e querida amiga, comentei com ela sobre as mudanças que estou fazendo na minha vida e ela me disse - Desconfie de água parada!, uma citação do Confucio.
Parei e pensei no movimento que gerei na minha vida desde o término do meu relacionamento. Quer saber de uma coisa? Meu relacionamento transformou minha vida em uma "água parada" e desde o término, quando comecei pequenos movimentos de mudança que hoje são quase um redemoinho, 180o de mudança,  obtive várias vitórias.
Vou relacionar algumas para você entender:
- Visto para os EUA,  tinha pelo menos 2 anos que eu dizia que ia tirar, mas não fazia nenhum movimento para isso. No final de janeiro fui a Recife, e tirei o visto, juntamente com meu filho caçula;
- Passaporte italiano, tinha pelo menos 4 anos que rodava com isso, documentação para troca de nome, tradução juramentada, cidadania dos meninos. Consegui finalizar toda a burocracia e estamos os três em vias de receber os passaportes nos próximos 3 meses;
- Som com toca-discos de vinil, não ria, por favor. Desejava um som com toca-discos de vinil porque tenho muitos discos de orquestras maravilhosas, presente do meu professor de piano já falecido, que eu  não tinha como ouvir porque minha radiola, bem antiga, tinha quebrado há alguns anos. Essa semana recebi de presente de minha irmã e de meu cunhado um modelo imitando um gramofone antigo, com toda-discos, toca CD, MP3, radio, maravilhoso, porque eles compraram um novo e  me deram o antigo deles, que está perfeito;
- Mudança do local do escritório, por força do tempo que gasto no trânsito e por não estar mais adequado às necessidades atuais, já lhe contei sobre isso. Consegui esse novo espaço perto da minha casa e perto da casa de meu sócio, que também está feliz com as mudanças;
- Novos serviços para a minha empresa. Consegui fazer um acordo comercial para desenvolvimento de um projeto corporativo, e estamos trabalhando em uma proposta para uma empresa municipal que pode ser replicado em outras unidades municipais;
- Aula de dança, que nem vou comentar;
- Novos amigos, alegres, maravilhosos, que me convidam para estar com eles e com quem me divirto muito. Semana passada passei o final de semana em Campos do Jordão na casa de um casal  amigo e  eu e ela conversamos e rimos sem parar por 3 dias. Foi maravilhoso, vou te contar a história dessa amiga querida em outro post para você ter a oportunidade de conhecê-la
Tem muito mais para contar mas vou parar por aqui.
A partir de amanhã vou lhe contar sobre algumas pessoas maravilhosas que fazem parte de minha vida e tenho certeza que você vai gostar de conhecê-las, cada uma com seus sonhos, suas crenças e seu jeito de ser.
Nunca sabemos o impacto que causamos na vida do outro e talvez fosse  isso que Antoine de Saint- Exupéry  queria dizer quando afirmava que "tu te tornas responsável por aquele que cativas".
Quero agradecer às pessoas que tenho cativado com meus posts e lhes dizer que me sinto responsável em ser verdadeira, em escrever com mais assiduidade, em contar minhas histórias, minha vida, e não ter medo de me expor exatamente como sou, com minha força e minhas fragilidades.

Maria Luiza - Minha gatinha tralalá

Querida Danuza,

Hoje vou lhe falar de Maria Luiza, minha sobrinha. Temos uma brincadeira desde que ela era pequena em que eu pergunto - "O que você é de sua tia?". Quando ela era pequena respondia bonitinho - Uma gatinha tralalá!. Agora que já é uma moça responde - "Minha tia, que mico"! E  eu insisto até que ela, vencida, me responde bem baixinho! Adoro isso.
Maria Luiza é uma garota especial. Ela vai fazer 23 anos em outubro e é filha do primeiro casamento de meu irmão. Ela é loirinha, esbelta, rosto lindo. Mas o mais especial dela é que ela tem um norte interno. Dotada de inteligência, de um senso de oportunidade raro em pessoas dessa idade, desde pequena ela sabia o caminho que queria trilhar.
Quando estudava na escola Pan-Americana ela criou uma ONG, participava de todos os eventos da escola e aproveitou todas as oportunidades oferecidas para se qualificar para pleitear uma vaga nas melhores universidades americanas. Quando Condoleezza Rice esteve no Brasil como Secretária de Estado dos Estados Unidos governo americano e visitou a escola, apenas os diretores e duas alunas tiveram a honra de recebê-la. E quem foi uma das duas alunas? Ela, claro!
Ela foi aceita na Universidade de Columbia e frequentou o curso de Relações Internacionais onde teve a oportunidade de estar Fernando Henrique Cardoso, que foi à Universidade por conta de uma homenagem à d. Ruth Cardoso. Você pode imaginar o orgulho de meu irmão e de todos nós por ela. Quando esses eventos acontecem  as fotos são enviadas rapidamente por meu irmão para todos nós e todas as notícias que vem dela são sempre um prazer de se receber.
São tantas as coisas para se contar sobre ela que vou ter que filtrar para esse texto não ficar muito longo.
Há dois anos atrás ela veio para as férias e também para finalizar uma pesquisa sobre o papel da mulher na política latino-americana (esteve em Brasília, em Buenos Aires e não lembro a terceira capital) e fez uma pequena palestra numa Faculdade local sobre esse trabalho que ela estava desenvolvendo. Acredito que essa apresentação não durou mais de 20 minutos, mas mudaram definitivamente o rumo da vida de meu filho caçula. 
Ela estava usando um terninho preto de saia, uma blusa branca e apresentou alguns slides sobre a Universidade, o curso que ela estava fazendo e sobre a pesquisa.
Quando saímos de lá, todos encantados com ela, meu filho me disse - Mãe quero estudar na Pan-Americana, quero fazer Universidade nos EUA (contarei o desdobramento dessa história em outro post).
Esse é um dos mistérios da vida, o impacto que uns causam nas vidas dos outros, sem qualquer intenção na maioria das vezes.
Maria Luiza se formou, foi aceita em Oxford para o Mestrado e agora no segundo semestre vai iniciar o doutorado. Ela quer ser professora , mas eu acho que ela deve trabalhar na ONU, e lutar pelo direito das mulheres na política em todo o mundo.
Estamos esperando pela chegada dela nos próximos dias e vai ser uma delícia ouvi-la dizer - Minha tia!

sábado, 14 de julho de 2012

Mudar é preciso - Parte II

Querida Danuza,

Como lhe disse estou promovendo várias mudanças na minha vida com o objetivo de aprender a viver bem sozinha. Lembro de uma sessão de terapia onde Lucia, minha terapeuta, me dizia que eu tinha que construir uma vida para mim e eu achava isso a coisa mais impossível!  Como viver sem um marido, sem um namorado? Eu não conseguia ver uma possibilidade dessa alternativa ser viável. Mas, creia, é plenamente possível e acredito que você sabe muito bem disso, porque já construiu a sua vida dessa forma.
Eu tenho uma frase que costumo repetir sempre, para desespero dos meus filhos (depois lhe conto porquê). "No Sião tudo tem seu tempo!". Significa que as coisa tem um tempo para acontecer, para serem entendidas, para serem possíveis e eu finalmente entendi que tenho que ter uma vida minha, independente de qualquer pessoa, até mesmo dos filhos. Levei anos para entender, mas aprendi e estou implantando a cada dia essas mudanças.
As mudanças são pequenas, mas são consistentes.
Uma das primeiras foi me inscrever em aulas de dança de salão, bolero e samba. Sempre quis aprender a dançar e até cheguei a frequentar uma escola de dança anos atrás, mas por motivos outros parei. Agora retomei em outra escola e estou adorando, aprendendo a dançar, decorando os passos e acredito firmemente que estarei dançando sem pisar nos pés do cavalheiro até o final desse ano. O professor é ótimo, super animado e dança muito bem. O método é adequado aos iniciantes e de tanto repetir posso lhe dizer que já aprendi alguns passos.
Mas a grande surpresa que tenho para você é que ontem comecei as aulas de tango!!!!!! Isso mesmo, tango! Meu professor iniciou uma turma somente às sextas-feiras e para minha alegria tinham quase 50 alunos na sala. Posso lhe contar um segredo? Tenho loucura para aprender a dançar tango desde que assisti o filme "Perfume de Mulher" e lhe prometo que vou dançar o tango desse filme até o final do ano. Vou gravar minha performance e publicar no You Tube e você será a primeira pessoa a receber o endereço!
No objetivo proposto de construir uma vida para mim, participar desse grupo de dança me possibilitou fazer novas amizades e ao final desse ano poderei participar da confraria de dança da escola. Diga para mim agora, tem coisa melhor do que isso?



quarta-feira, 11 de julho de 2012

Avaliando o Blog

Querida Danuza,

Muitas coisas aconteceram desde o último post. Resolvi ir a SP para duas reuniões de trabalho, uma das quais terminou não acontecendo e também visitar uma querida amiga, que me convidou para passar o final de semana em sua casa em Campos do Jordão.
Aproveitei para pensar no blog, que me dá tanto prazer em escrever.
Sempre gostei de ouvir histórias. Na escola era uma de minhas aulas preferidas apesar de quase nunca conseguir coordenar o que estava acontecendo simultaneamente em países diferentes e decorar em que datas eventos importantes tinham acontecido.
Sempre gostei também de contar histórias, e é isso que esse blog está aos poucos se tornando, um espaço onde eu posso contar minhas histórias.
Toda história tem várias facetas, vários ângulos de visão e aqui eu vou colocar a forma como as percebo, de acordo com meus conhecimentos, minha bagagem de vida.
Quero que as pessoas que leiam esses pequenos textos participem de experiências que eu vivi e que de alguma forma eu participe também de suas vidas.
E veja que história incrível essa que vou lhe contar agora, verdadeira e única.
Na quinta-feira passada estive com um amigo português, e perguntei por sua neta, que tem 5 anos e é a paixão de sua vida.
Antes de contar o que ele me relatou vou lhe passar a primeira parte da história para que você entenda perfeitamente o ocorrido.
A filha desse meu amigo namorou um rapaz e engravidou. Não chegaram a se casar e ela veio, com a filha pequena, morar com a mãe (já separada há muito anos desse meu amigo). Segundo meu amigo esse rapaz não valia grande coisa, parece que não tinha nem trabalho certo nem bom caráter e também não dava atenção à filha.
O que aconteceu depois foi que a filha desse meu amigo morreu, acho que foi de acidente, não sei ao certo, e houve uma disputa judicial pela guarda da garota. Depois de mais de um ano de litígio a avó ganhou a guarda da neta e o pai tem direito a visitas acompanhadas, o que faz esporadicamente.
Final da parte I.
Voltando à resposta de "como vai sua neta?".
Ele me contou que há algum tempo atrás um amigo de sua filha o procurou e disse que tinha tido um relacionamento com sua filha e que sentia que ele é que era o pai da garota. Pediu um exame de DNA e o exame confirmou que ele é que era o pai da garota! Você pode imaginar?
Segundo meu amigo esse rapaz é muito bom, está se aproximando da garota e estão ficando amigos, sem que ela saiba ainda que ele é o verdadeiro pai dela.
Agora ele vai chamar o atual pai  para contar o ocorrido e fazer todo o trâmite burocrático, processo na justiça e acompanhar emocionalmente a garota com todas essas mudanças.
Acredito que ele e a avó vão pedir novamente na justiça a guarda da neta, agora perante esse novo pai e espero que corra tudo bem para todos eles, principalmente o pai e a garota.
Não é uma história de cinema?







quarta-feira, 4 de julho de 2012

Mudar é preciso - Parte I

Querida Danuza,

Tenho pensado muito na minha vida, o que fazer daqui para a frente. A vida deveria ter um manual que pudéssemos consultar; em tal situação faça assim, em outra faça assado, mas em se fazendo corretamente vai dar certo!
Eu sei o que você vai me dizer - Isso não existe, esqueça, mas devia existir.
Veja minha situação. Divorciada, já na casa dos cinquenta, dois filhos que em dois anos me deixarão sozinha  por conta de suas escolhas profissionais e eu tendo que resolver a equação do meu futuro hoje, me preparar a partir de agora. E como é que eu faço isso, onde está o manual?
Pensei, avaliei, falei sozinha, comentei e cheguei a uma conclusão.
Então resolvi fazer mudanças...
Hoje vou te contar a primeira delas, amanhã conto as outras.
Resolvi mudar o escritório de lugar. Vou trazê-lo para mais perto de minha casa, evitando o trânsito diário, o stress, a perda de tempo.
Identifiquei um lugar um pouco maior do que o que ocupamos no momento, no pavimento térreo, o que evita uso de elevadores e amanhã marquei com o corretor e com minha querida amiga decoradora para avaliarmos o espaço e o custo da reforma. O lugar está estragado e vai dar trabalho para recuperá-lo mas acho que vale a pena.
Já sei o que você vai me perguntar - Como essa mudança vai lhe ajudar?
Vou mudar o meu espaço aéreo, meus caminhos diários, minha rotina e esse procedimento vai ser o início de outras mudanças.
Aguarde até amanhã, terei novidades.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A dor acabou

Querida Danuza,

A dor passou, acabou, que maravilha! Nem lembro mais que ele existe, creia em mim!
Agora olho para minha história como se fosse simplesmente um filme, acho que é isso, um filme que eu assisti. Estou finalmente livre das lembranças que me causavam uma comoção, uma tristeza, saudades...
O tempo maravilhoso passou.
Minha receita para esquecer um amor: esqueça que ele existe, não pense, não queira saber de nada, mergulhe no trabalho e faça outras amizades. Dance e faça malhação (isso eu ainda não consegui mas vale como conselho).
Tenho aprendido tanto, tanto. Posso recitar aqui dicas de livros de auto-ajuda, todas válidas.
Um amigo meu, que é também amigo dele, me dizia que eu me cuidasse, que trabalhasse para ser feliz comigo mesma; minha terapeuta me dizia que criasse uma vida para mim; minha mãe me dizia que deixasse isso para lá e procurasse alguém que valesse a pena, todos conselhos excelentes que valem ser seguidos.
Mas que sensação ótima! Livre! Feliz! Problemas no escritório? Mil. Alguém em vista? Zero. Mas estou feliz comigo mesma, até planos de viagem já estou fazendo.
Sabe quem está me ajudando muito? Minhas amigas. Minhas queridas amigas que me ligam, me convidam, me procuram. Viva as amigas, viva a amizade.
Talvez eu ame de novo, talvez não, quem sabe? Mas as amigas são para sempre.

Nequinha

Querida Danuza,

Hoje vou lhe apresentar Nequinha, minha princesa africana.
Nequinha é filha de minha Mari, e praticamente nasceu na minha casa. Mari trabalha comigo há 14 anos e quando começou nem era casada ainda. Não sabia fazer nada direito. Nessa época Dalva era enfermeira de meu filho mais novo e eu me lembro de dizer a ela: Dalva, Mari não sabe cozinhar, nem arrumar casa, nem lavar ,nem passar, o que é que eu faço? E Dalva me dizia - Calma, ela vai aprender.  E aprendeu. Hoje é meu braço direito, sabe cozinhar muito bem, arrumar mesa, casa, tudo...e ainda me ajuda na educação dos meninos.
Mas voltando a Nequinha, Mari casou e  tempos depois engravidou. Quando ela voltou a trabalhar trouxe a filha com ela, um bebezinho, e voltou a morar comigo. Só voltava para casa no final de semana. E Nequinha foi se criando por aqui. Eu fazia dela boneca de brincar. Eu costumo dizer que ela nasceu "com o bumbum para a lua" porque ela tem tudo e todos gostam dela. Não tem quem viaje na minha família e não traga presente para ela.
Eu a ensinei a se apresentar assim: Quem é você? Sou Nequinha, uma princesa africana,do Quênia,  da etnia Zulu, descendente de Zumbi dos Palmares...
Ela está com 7 anos, e é muito leve na dança. Estudiosa e inteligente, uma graça.
Tem gente que nasce com sorte, e Nequinha é uma dessas pessoas.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Saúde, meu bem precioso

Querida Danuza,
Nunca acho demais agradecer por ter saúde. Não sei exatamente a quem devo agradecer, mas agradeço diariamente.
Um item que agradeço em especial é ter dentes. Brancos, completos, fortes! Resultado de acompanhamento de bons dentistas. Sorriso é bonito com dentes alinhados e limpos!
É uma das coisas que logo reparo quando conheço uma pessoa. E quando percebo que falta um dente, só fica faltando eu perguntar porque está sem o dente, de tanto que me incomoda.
Quando meus filhos eram pequenos, até chegarem na adolescência, minha cantiga diária ao irem dormir era perguntar se já tinham escovado os dentes. Devo ter feito essa pergunta milhares de vezes ao longo dos anos e quando demoravam para responder lá ia eu acompanhar a escovação noturna.
Sempre que penso nos meus problemas, nas minhas dores, nos meus percalços, tento conduzir uma saída através da valorização da saúde. Penso assim, tenho saúde, o bem mais precioso, o que mais importa além disso? Tudo se resolve quando se tem saúde, e assim vou minimizando meus problemas.
Começo a listar toda a família com saúde, com cabeça boa, juízo perfeito, não gasto em farmácia, só em supermercado e por aí vai. Penso nas amigas que estão enfrentando problemas de saúde, e digo para mim mesma, está vendo?, isso é que é problema!
Tenho perdido amigas com câncer, ou tenho-as visto lutar contra a doença e sempre agradeço por ter saúde, por não ter que passar por essa dor.
Saúde, meu bem precioso.

domingo, 17 de junho de 2012

Lições da terapia

18/06

Querida Danuza,

Acho que qualquer pessoa que já fez terapia vai entender o que vou colocar nesse post.
Antes porém de falar sobre isso vou te contar um segredo. Duas pessoas leram as cartas que fiz para você! Imagine! Você está acostumada a ter milhares de leitores e eu tive dois! Fiquei emocionada quando vi, fiquei imaginando quem seriam, se gostaram, se vão voltar para ler as próximas cartas...e ao mesmo tempo fiquei pensando se desejo que outras pessoas leiam as cartas além de você, por isso não contei para ninguém sobre esse blog que estou escrevendo.
Sábado à noite, pizzaria com amigas, os programas mudam e vou me adaptando.
Domingo de manhã, arrumação das maquiagens, gavetas do banheiro e agora estou aqui para finalizar esse texto.
Quando estava no processo de separação ( ainda não lhe contei mas tive um casamento de 20 anos) fiz terapia  de casal com uma psiquiatra excelente, que me ajudou a definir alguns parâmetros que passei a usar na minha vida a partir de então.
Primeira lição: Esse é o homem!
Entendeu? O homem era aquele que estava ali, e não o que eu queria que ele fosse. Ele não iria mudar pelos meus desejos, nem pelos meus pedidos, nem por nada! Era aquele, se eu quisesse eu pegasse, se não quisesse que deixasse. Muito simples, muito claro. Levei anos para aceitar essa máxima.
Segunda lição: Arque com seus 50% dos erros
Mas como se eu tinha razão em tudo? Eu, errada, em 50%? Também levei muito tempo para entender a mensagem, avaliar minha responsabilidade sobre os acontecimentos. Onde eu tinha permitido, onde tinha me omitido, onde tinha errado. Hoje eu avalio onde errei para não repetir.
Terceira lição: Momentos felizes
Foi um dos momentos mais duros da terapia, eu procurava os momentos felizes e não achava! Verdadeira tristeza. A cada momento feliz que lembrava, vinha a sequencia ruim que o destruía. Esse foi o argumento que validou a minha separação. A partir desse entendimento os momentos felizes balizaram todas as minhas relações.

sábado, 16 de junho de 2012

Boa noite William

17/06

Querida Danuza,

Não lhe contei mas passei bem o 1o. dia dos namorados sem namorado,  mesmo após um encontro inesperado no shopping, coisa que só acontece na novela das 8. Se você quiser saber mais sobre isso pergunte o que quiser que lhe respondo.
Hoje estou saudosista e vou me permitir relembrar um pequeno ritual que praticávamos diariamente.
Nos víamos diariamente e ele costumava chegar  por volta das 19h e assistíamos juntos  ao jornal da Globo, com William e Fátima. Comentávamos sobre a roupa de Fátima, o cabelo, o terno de William, a gravata e nos divertíamos com isso. No final do jornal, quando Bonner dizia "Boa noite" eu dizia "Boa noite William" e ele fazia a mesma coisa com Fátima. Era um pequeno ritual, um detalhe apenas, que eu não pratico mais. Bonner deve estar sentindo falta do meu "boa noite", você não acha?




Um dia depois

Querida Danuza,

Noite péssima. Mistura de estado emocional com virose. Minha Mari está providenciando um mingau de aveia, estou precisando de reforço, emagreci nos últimos meses. Quando me aborreço tenho fome mas não tenho vontade de comer, então emagreço. A maioria das pessoas tem uma reação contrária, comem a mais e engordam.
Você tem FaceBook? Eu tenho um perfil e muitos amigos cadastrados. Tenho nível universitário assim como a quase totalidade dos meus amigos, a maioria na faixa de 50 anos. Então me diga, faz sentido as pessoas dessa faixa etária escreverem errado? Vou lhe contar sobre minhas observações e conclusão. Sou de uma geração onde teoricamente a educação era muito melhor, onde as pessoas aprendiam a escrever sob as regras gramaticais, o vocabulário era valorizado e a grafia era correta.
Nas redes sociais e nos e-mails nada disso é respeitado. A maioria das pessoas não faz distinção de uso entre o mas e o mais e o e o a. Acho interessante quando sou chamada para reunir em vez de reunir-se... trágico isso. Outro dia num chat rápido com uma amiga formada em magistério fiz um comentário e ela retrucou com um "me polpe" ao invés de "me poupe", fiquei sem resposta!
Minha conclusão é que nossa educação sempre foi muito ruim, não existe piora, só continuidade.
Existe uma nova língua sendo criada e em breve nos daremos conta disso e teremos que aceitá-la como uma nova forma de comunicação.

5 meses depois

15/6/2012

Querida Danuza,

Muito tempo se passou desde a primeira carta. Fiquei na dúvida se queria mesmo publicar um blog e não tomei nenhuma iniciativa para criar esse espaço ou mesmo escrever. Mas agora, decisão tomada, volto a lhe escrever.
Tenho uma cunhada muito engraçada, na realidade ela é minha ex-cunhada, que me disse que o tempo para esquecer é de 6 meses. Como já se passaram 5 meses, estimo que já estou 90% curada, e que nos próximos 30 dias o processo se completa.
Resolvi então não falar mais sobre esse assunto. Amores passados não são interessantes.
Agora estou concentrada no aniversário de 90 anos de minha mãe! Você não acredita que minha mãe vai fazer 90 anos e quer comemorar o aniversário com uma bela festa, com direito a dança e todas as amigas em volta dela? Pois acredite. O aniversário será em dezembro e já estamos às voltas com listas de convidados, orçamentos de buffet, decoração, som, fotos e nem sei mais o quê.
Como eu estava devagar esses últimos meses, ela ficava impaciente com os meus tempos de resposta.
Após a morte de meu pai, há 21 anos, ela deu uma guinada na vida dela, passou a frequentar a faculdade da 3a. idade, fazer natação e viajar. Pense numa pessoa que viaja! é minha mãe. Agora ela resolveu escrever um segundo livro relatando as viagens feitas nesse 20 anos e estamos às voltas com essa tarefa também.
Essa semana foi aniversário de meu filho mais velho, no dia de Sto Antonio ele completou 23 anos, e amanhã vamos comemorar com um almoço em família.
Meu anjo da guarda que se chama Mari, minha Mari, vai fazer o almoço: salada verde, chester, picanha e farofa, massa com nozes. De sobremesa teremos um bolo de chocolate e abacaxi de forno (para minha irmã que está de dieta). Acabei de lembrar que preciso providenciar umas 2 garrafas de vinho.
Vou receber minha família para almoçar amanhã, e posso lhe dizer com toda certeza que será um momento muito feliz.

Da separação para o futuro


20/01/2012
Cara Danuza,
Um dia vamos nos conhecer pessoalmente e nesse dia tomaremos um café numa cafeteria em Ipanema e lhe contarei porque foi escolhida para ser minha confidente. Vou adiantar alguns dos porquês, só para ficar registrado desde já. Primeiro porque você escreve sobre sentimentos, histórias do cotidiano, lembranças boas, esperança para o futuro. Gosto disso. Creio que para vivermos com saúde precisamos ter esperança.
Hoje vou lhe contar sobre uma descoberta. Descobri o que sofrem as pessoas que param de fumar, de consumir alguma droga ou de parar algum vício. Todas elas passam por uma fase de síndrome de abstinência, uma etapa de sofrimento e dúvida – será que vou aguentar, será que vale a pena passar por isso? 
Estou passando hoje pela crise de abstinência de amor. Tínhamos uma relação maravilhosa que foi se deteriorando com o tempo e que resolvemos de comum acordo colocar em um ponto final.  Separados, sem qualquer vestígio de comunicação, sem notícias. Já avaliei se valia a pena ligar, se valia a pena relevar os mil defeitos que agora aparecem mais que as dezenas de qualidades e considero que a decisão foi acertada. Um tempo para avaliar. Mas como fica essa falta? Penso que devo ser forte que vai passar. Eu sei que vai passar, mas enquanto não passa como vou sobreviver? Chorar, nem pensar, não vale a pena, agora que escrevi pensei de novo, será que não vale mesmo a pena chorar um pouco, um pouquinho só?
Mas voltando à minha descoberta agora entendo porque é tão difícil parar de fumar. É um sofrimento enorme essa falta! Nunca mais vou falar que as pessoas que não conseguem deixar de fumar são fracas, nunca mais. A força de vontade tem que ser muito grande e a certeza de que é o melhor a se fazer tem que ser maior ainda. Minha conclusão, a coisa mais inteligente é não permitir que o vício se instale. Ponto pacífico, sei que você vai concordar comigo. Mas e o amor, como não permitir que se instale e depois vá embora deixando essa falta, essa tristeza que parece que colou em mim? Não consigo achar graça em nada e sinto que estou ligada na tomada elétrica, soltando faíscas pelas mínimas coisas.
Sei que você vai dizer, passa, tudo passa, e eu sei que vai passar, só espero que passe logo.