Querida Danuza
Terminei de ler "Cândido" de Voltaire e fiquei refletindo sobre as mudanças dos personagens ao longo da história. Ao final todos estavam juntos novamente, mas eram outras pessoas em seus desejos, pensamentos, valores e como viam a si próprios e aos outros.
Cândido, o Otimista, não estava mais apaixonado pela outrora bela Cunegundes que tornou-se feia, rabugenta e insuportável. Pangloss, o Filósofo, que pregava o otimismo, continuava sustentando que tudo ia às mil maravilhas mas não acreditava em nada que dizia.
No último parágrafo Pangloss diz a Cândido: "Todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivesses sido expulso de um belo castelo com grandes pontapés no traseiro, por causa do amor da senhorita Cunegundes, se não fosses apanhado pela Inquisição, se não tivesses percorrido a América à pé, se não tivesses dado uma boa espadada no barão, se não tivesses perdido todos os teus carneiros do bom país do Eldorado, não estarias comendo aqui cidras em calda, e pistaches. - Isso está bem dito, respondeu Cândido, mas é preciso cultivar nosso jardim."
Penso na minha vida, em tudo que já passei e na pessoa que sou hoje. Olho ao meu redor e observo as vidas das pessoas próximas.
A mensagem final de Voltaire diz que os acontecimentos nos levam a destinos nunca pensados mas também o nosso desejo e nossas ações infuem na direção das nossas vidas. Um jogo de vetores.
Onde minhas mudanças vão me levar? Será que a minha visão de futuro está correta? Como ir balizando para saber se o que estou fazendo vai me levar onde quero chegar?
Hoje fiz uma mudança na minha rotina de domingo. Vou lhe contar e você vai acompanhar comigo onde essa ação vai me levar ao longo do tempo.
Minha rotina aos domingos, até hoje, era acordar tarde, sair para almoçar em um restaurante com os meninos, com minha mãe ou com amigos, voltar para casa, pegar a revista Veja para ler ou assistir um filme na TV.
Essa semana estive na dermatologista e conversando ela me contou que gostava muito de fazer esporte. Ela é uma mulher de uns sessenta e poucos anos, cabelos vermelhos cacheados no ombro, pele bem clara, um pouco acima do peso mas uma mulher muito interessante. Eu perguntei que esporte ela gostava e tive como resposta WindSurf. Fiquei surpresa e perguntei onde ela fazia e recebi todas as informações. Há mais de 20 anos eu não fazia WindSurf mas resolvi que ia voltar a subir na prancha e dominar o vento.
Combinei com minha amiga Vevé de irmos nessa aventura e hoje acordei cedo, passei na casa dela e às 9h da manhã estávamos na Ribeira, um bairro da Cidade Baixa, procurando a Marina do Bira.
Rodamos, erramos o caminho, voltamos, até que encontramos. Fiquei surpresa com a quantidade de pessoas passeando com Jetsky, Hobbycat, caiaque, remo e Windy. Bira nos recebeu muito bem e nos apresentou a Marlon, nosso instrutor para a primeira aula, um negro de uns trinta e poucos anos, magro, alto, muito delicado e paciente.
Primeiro ele deu todas as explicações teóricas na areia e depois entramos no mar. Armamos a prancha com a vela e Vevé foi primeiro e tomou logo uma queda, que ele denominou de batismo. Eu consegui me manter de pé sem cair e ficamos quase 1 hora no mar, que estava liso, sem ondas, com um vento leve.
Depois tomamos banho de mar e almoçamos peixe frito, Vermelho, em um restaurante que funciona em baixo de uma amendoeira na beira da praia. Para completar esse dia maravilhoso fomos tomar sorvete na Sorveteria da Ribeira - côco verde com mangaba - e cheguei em casa às 3 da tarde feliz da vida.
Essa é uma mudança que pretendo converter em uma nova rotina. Vamos ver aonde ela vai me levar.
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