20/01/2012
Cara Danuza,
Um dia vamos nos conhecer pessoalmente e nesse dia tomaremos
um café numa cafeteria em Ipanema e lhe contarei porque foi escolhida para ser
minha confidente. Vou adiantar alguns dos porquês, só para ficar registrado
desde já. Primeiro porque você escreve sobre sentimentos, histórias do
cotidiano, lembranças boas, esperança para o futuro. Gosto disso. Creio que
para vivermos com saúde precisamos ter esperança.
Hoje vou lhe contar sobre uma descoberta. Descobri o que
sofrem as pessoas que param de fumar, de consumir alguma droga ou de parar
algum vício. Todas elas passam por uma fase de síndrome de abstinência, uma
etapa de sofrimento e dúvida – será que vou aguentar, será que vale a pena
passar por isso?
Estou passando hoje pela crise de abstinência de amor.
Tínhamos uma relação maravilhosa que foi se deteriorando com o tempo e que
resolvemos de comum acordo colocar em um ponto final. Separados, sem qualquer vestígio de
comunicação, sem notícias. Já avaliei se valia a pena ligar, se valia a pena
relevar os mil defeitos que agora aparecem mais que as dezenas de qualidades e
considero que a decisão foi acertada. Um tempo para avaliar. Mas como fica essa
falta? Penso que devo ser forte que vai passar. Eu sei que vai passar, mas
enquanto não passa como vou sobreviver? Chorar, nem pensar, não vale a pena,
agora que escrevi pensei de novo, será que não vale mesmo a pena chorar um
pouco, um pouquinho só?
Mas voltando à minha descoberta agora entendo porque é tão
difícil parar de fumar. É um sofrimento enorme essa falta! Nunca mais vou falar
que as pessoas que não conseguem deixar de fumar são fracas, nunca mais. A
força de vontade tem que ser muito grande e a certeza de que é o melhor a se
fazer tem que ser maior ainda. Minha conclusão, a coisa mais inteligente é não
permitir que o vício se instale. Ponto pacífico, sei que você vai concordar
comigo. Mas e o amor, como não permitir que se instale e depois vá embora
deixando essa falta, essa tristeza que parece que colou em mim? Não consigo
achar graça em nada e sinto que estou ligada na tomada elétrica, soltando faíscas
pelas mínimas coisas.
Sei que você vai dizer, passa, tudo passa, e eu sei que vai
passar, só espero que passe logo.
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