sábado, 16 de junho de 2012

Da separação para o futuro


20/01/2012
Cara Danuza,
Um dia vamos nos conhecer pessoalmente e nesse dia tomaremos um café numa cafeteria em Ipanema e lhe contarei porque foi escolhida para ser minha confidente. Vou adiantar alguns dos porquês, só para ficar registrado desde já. Primeiro porque você escreve sobre sentimentos, histórias do cotidiano, lembranças boas, esperança para o futuro. Gosto disso. Creio que para vivermos com saúde precisamos ter esperança.
Hoje vou lhe contar sobre uma descoberta. Descobri o que sofrem as pessoas que param de fumar, de consumir alguma droga ou de parar algum vício. Todas elas passam por uma fase de síndrome de abstinência, uma etapa de sofrimento e dúvida – será que vou aguentar, será que vale a pena passar por isso? 
Estou passando hoje pela crise de abstinência de amor. Tínhamos uma relação maravilhosa que foi se deteriorando com o tempo e que resolvemos de comum acordo colocar em um ponto final.  Separados, sem qualquer vestígio de comunicação, sem notícias. Já avaliei se valia a pena ligar, se valia a pena relevar os mil defeitos que agora aparecem mais que as dezenas de qualidades e considero que a decisão foi acertada. Um tempo para avaliar. Mas como fica essa falta? Penso que devo ser forte que vai passar. Eu sei que vai passar, mas enquanto não passa como vou sobreviver? Chorar, nem pensar, não vale a pena, agora que escrevi pensei de novo, será que não vale mesmo a pena chorar um pouco, um pouquinho só?
Mas voltando à minha descoberta agora entendo porque é tão difícil parar de fumar. É um sofrimento enorme essa falta! Nunca mais vou falar que as pessoas que não conseguem deixar de fumar são fracas, nunca mais. A força de vontade tem que ser muito grande e a certeza de que é o melhor a se fazer tem que ser maior ainda. Minha conclusão, a coisa mais inteligente é não permitir que o vício se instale. Ponto pacífico, sei que você vai concordar comigo. Mas e o amor, como não permitir que se instale e depois vá embora deixando essa falta, essa tristeza que parece que colou em mim? Não consigo achar graça em nada e sinto que estou ligada na tomada elétrica, soltando faíscas pelas mínimas coisas.
Sei que você vai dizer, passa, tudo passa, e eu sei que vai passar, só espero que passe logo.

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