domingo, 10 de março de 2013

O futuro que não vai acontecer

Querida Danuza,

Hoje estamos contando um ano da morte de meu sobrinho Ricardo. Amanhã teremos uma missa para marcar a data do tempo que estamos chorando essa perda.
Hoje li um texto postado pela mãe dizendo que ela perdeu um pedaço de seu futuro e eu infelizmente concordo com ela. Como não pensar no futuro perdido de um garoto de 24 anos? Saudável, inteligente, feliz , amoroso, bonito, amado, querido...
Mas não foi só ele que perdeu o futuro, sua mãe e seu pai também o perderam. Sabem que não vão comemorar mais junto com ele os gols do Bahia, clube de sua paixão, a formatura, o namoro, o noivado, o casamento, a arrumação do apartamento, os netos, todo esse futuro se perdeu, e todos nós sabemos que não vai acontecer mais.
E eu lhe pergunto, como se consegue viver com essa perda? Sempre nos perguntamos o que será que vai nos acontecer no futuro, esperando boas surpresas e também expectando as repetições que nos fazem felizes.
E quando já sabemos o que não vai acontecer, como podemos suportar essa falta? Quando temos esperança, essa nos move e nos traz forças para vencer os obstáculos, e quando não temos esperança, qual a alternativa?
O futuro não tem graça e o presente também não, então, o que fazer? Acho que é aí que entra a religião, trazendo   uma esperança para depois da vida, como a conhecemos, jogando a esperança para um futuro que não conhecemos, apenas tentamos adivinhar, mas é uma esperança.
Para sobreviver com sanidade então é preciso trocar a certeza de um futuro que não vai acontecer por um outro futuro que poderá acontecer, e é essa esperança de um dia voltar a abraçar esse garoto maravilhoso que permite que se enfrente diariamente a vida, se trabalhe, se envolva com os outros filhos, família, amigos e se enfrente a rotina diária de resolver os problemas e suportar a dor da falta.
Acho que a certeza do futuro que não vai mais acontecer é uma carga muito pesada para os seres humanos, que tem essa noção de tempo, de futuro e conseguem antever o futuro.
Penso nos pais de Ricardo e em outros amigos que perderam seu filho ainda jovem e desejo que encontrem alguma esperança que os faça fortes o suficiente para encontrar algum sentido na vida sem ele.

Esse post é dedicado a Ricardo, de quem nunca perderemos a esperança que de alguma forma esteja entre nós e faça parte de nosso futuro.

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