segunda-feira, 11 de março de 2013

Não quero consertar ninguém!

Querida Danuza,

Acho que estou curada da síndrome de querer consertar alguém para servir para mim! Aceito o seu parabéns, obrigada. Nada mais difícil que imaginar que temos o poder de moldar alguém à nossa maneira, erro total.
Ontem saí com uma amiga para tomar um café e conversando sobre um amigo comum ela me perguntou se eu não poderia consertá-lo, caso ele fosse de meu interesse, isto é, em resumo, fazer uma transformação radical nele ao meu gosto.
Esse amigo está separado há algum tempo e está meio perdido, com a vida familiar desorganizada e com isso, muito ansioso. Por conta dessa ansiedade come muito, sem controle, e está muito gordo, realmente muito acima do peso.
Em outra época aceitaria a missão de consertá-lo. Indicaria (não só indicaria mas também marcaria) um bom médico clínico geral, para os exames de praxe, que detectariam imediatamente a necessidade de um cardiologista e de um nutricionista. Claro que também faria a marcação desses médicos e acompanharia os resultados e também já faria a matrícula em uma academia de musculação para início imediato dos exercícios complementares para ajudar na perda do excesso de peso.
Também auxiliaria  em lembrá-lo das boas maneiras tão importantes na conquista de uma nova namorada. Abrir a porta do carro e fechá-la é básico, sem perdão para aquele que não o faz. Ligar para saber como passou o dia e convidar para um cinema durante a semana, também auxilia no início do relacionamento para manter uma certa ligação do tipo, "está acontecendo alguma coisa entre nós".
Saber comer à mesa é fundamental e faríamos algumas incursões por restaurantes de diversas cozinhas para treino nos talheres e na mastigação, coisas básicas também. Claro que a refeição seria controlada com vistas à perda de peso prescrita pelos médicos.
Continuando o processo do conserto, indicaria um curso de dança de salão para iniciá-lo na arte da dança e prepará-lo para saber dançar nas festas de casamento e nas oportunidades onde tivesse música boa tocando. Um homem que sabe dançar já ganha pontos de saída.
Agora o mais importante, a conversa. Para ganhar atenção é necessário uma conversa leve, agradável e com bom humor. O ritmo da conversa é importante e não sei se saberia explicar mas tentaria.
Indicaria ainda um bom dentista para uma revisão nos dentes e manutenção de um hálito fresco e saudável.
Ao final dessa tarefa hercúlea teríamos um novo homem, no peso correto, maneiras adequadas, hábitos refinados e conversa agradável.
E agora eu lhe pergunto, por que eu faria isso? Por que interviria tão fortemente na vida de alguém e assumiria o compromisso de estar com ele já que o teria modificado ao meu gosto? E essa transformação duraria quanto tempo?
Acho que nenhum de nós merece isso.
Não desejo consertar ninguém, desejo apenas aceitar as pessoas como elas são e caso me peça alguma sugestão, possa dar uma dica sem qualquer direito de cobrança.

Esse post é dedicado aos novos amigos que vão chegar na minha vida e que precisam ser aceitos na sua forma diferente de ser.


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