Querida Danuza,
Hoje acordei com saudade de tia Dinoráh. Ela era uma das irmãs de minha mãe, a que vinha logo depois dela. Minha mãe tinha 5 irmãs e 2 irmãos, hoje estão vivos apenas um irmão e uma irmã.
Tia Dinoráh era muito engraçada nos seus comentários e tinha um jeito todo próprio de enfrentar seus desafios. Tenho inúmeras recordações dela.
Uma certa vez seu marido passou mal, teve um ataque de coração e foi levado de urgência para o hospital. Eles eram muito apegados e ele a chamava de amôooor. No hospital o médico disse que era um caso grave e ela repetia para o médico que ele não podia morrer porque ela era o amor da vida dele! Era a forma que ela tinha de dizer ao médico que ela não podia viver sem o amor dele.
Quando se perguntava a ela se estava tudo bem ela dizia - Tudo ótimo! Fôrmidável! Fora a febre de 40graus, está tudo bem!!
Sempre brincamos com isso até hoje. Ela faleceu há uns 8 anos atrás, mas não esqueço dela.
Quando ficou viúva, foi morar com minha mãe que a essa altura também já estava viúva e ficavam as duas conversando e reconversando sobre o passado, os casos, as tias, as primas, o que cada uma tinha vivido.
Sempre que eu chegava elas estavam na sala de Tv, cada uma em uma poltrona lendo ou costurando tapeçaria ou conversando. Minha mãe sentiu muito a falta dela quando ela faleceu. Sempre tinham um assunto novo para comentar. Minha tia adorava passear no shopping, apesar de ser dificílima para comprar, mas gostava de olhar as vitrines e andar pelo shopping.
Tia Dinoráh sempre foi muito prendada. Casou jovem e teve logo uma filha, que era mais bonita que uma boneca, como meu pai sempre dizia.
Para ajudar o marido que era representante, ela fez bolos de casamento, baianas pintadas com roupas próprias para serem vendidas no Mercado Modelo, doces, artesanato, e até chegou a pintar quadros. Era uma comerciante nata.
Dávamos muitas risadas com ela contando os casos do passado e com os comentários dos lugares onde íamos.
Seu segundo filho chegou quase oito anos depois e era uma de suas maiores paixões na vida. Como a filha mais velha casou muito cedo e foi morar fora, ela e meu tio ficaram muito apegados ao filho que ela chamava de Filho Amado! Sempre o chamo assim quando o encontro, pois é uma forma de me lembrar dela.
Tenho tantas histórias sobre ela!
Considero que ela teve muita sorte em sua vida. Foi muito amada pelo marido e pelos filhos, e ela sempre me dizia - Edinha é uma filha maravilhosa, e foi mesmo, maravilhosa, até o fim.
Ela tinha muito medo de viajar de avião e sempre pedia cadeira de rodas para entrar e sair do avião, o que era um transtorno para quem viajava com ela, mas ela adorava o mimo.
Hoje acordei com saudade dela, das histórias que nunca mais vou ouvir...
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