Querida Danuza,
Espero que você já tenha assistido o filme "Um trem para Lisboa", e se ainda não assistiu, assista.
Estou aqui pensando se devo ou não te contar a história do filme, e acabo de resolver que não devo; o filme é lindo demais e não merece que eu estrague a sua surpresa.
Vou só comentar aqui uma passagem que me deixou emocionada e pensativa.
O protagonista do filme, que é um professor solitário, se encontra parado na estação esperando o trem para voltar para a sua cidade, quando a "mocinha" que tinha se apaixonado por ele pergunta:
- Por que você não fica?
E ele fica parado olhando para ela, entendendo que aquela resposta poderia mudar a vida dele... e ela arriscando mudar sua vida também, talvez viver um grande amor.
Penso na coragem de se fazer determinadas perguntas, quando se sabe que a resposta pode dar um novo rumo à vida, pode trazer um sofrimento, pode corrigir erros de um relacionamento, ou pode encerrar um.
Você já pensou nisso? Quantas vezes a pergunta fica presa sem que tenhamos a coragem de falar só por medo de ouvir a resposta do outro?
Voltando ao filme, por que ele não perguntou a ela se desejava que ele ficasse? Imagino que ele não sabia como dizer isso porque de antemão achava que era muito chato (segundo sua ex-mulher) e aceitava isso como verdade absoluta, não deixando espaço para outra chance.
Quantas mães ficam caladas com medo de perguntar aos filhos se estão usando drogas ou de perguntar se estão se protegendo em suas relações com sexo, só por medo de ouvir a resposta.
Quantas perguntas ficam caladas quando um dos parceiros desconfia de traição mas prefere não perguntar para não dar vez à uma resposta?
Nossos medos às vezes são maiores que nós e nos prendem até que consigamos fazer as perguntas que vão nos libertar.
Lembrei agora de um caso muito bobo, mas bem dentro dessa questão.
Uma amiga sempre comprava iogurtes para o filho e em poucos dias não tinha mais nenhum na geladeira. Ela não tinha coragem de perguntar para a babá quem estava tomando os iogurtes com medo que ela se ofendesse e fosse embora. E ficava com aquela situação a aborrecendo semana após semana. Até que um dia, por algum motivo acumulado mandou a babá embora. Logo descobriu que quem tomava os iogurtes do garotinho era a cozinheira!!!!!
Não era melhor ter tido a coragem de perguntar?
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