segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A história de amor de Celina

Querida Danuza,

Tenho certeza que o que eu vou te contar agora não é nenhuma novidade para você, mas vou contar mesmo assim.
Com o passar dos aniversários estou aprendendo a ouvir as outras pessoas e de fora da emoção avaliar o que está acontecendo com uma lupa, que eu chamo de experiência, porque já passei por isso ou alguma amiga já passou e eu aprendi. Diria que são histórias do tipo, já vi esse filme...
Celina é uma atendente de call-center, que trabalha em instituições de caridade, pedindo donativos para a instituição. Eu já a conheço pelo telefone há muitos anos, mas nunca nos encontramos pessoalmente. Ela trabalhou muitos anos no call-center da Apae, depois em uma instituição de crianças especiais e agora está numa entidade de Criança com Câncer.
Falo com ela periodicamente, para acertar o donativo trimestral e ela é muito delicada e religiosa e com o tempo foi conhecendo as pessoas da minha família e sempre pergunta por todos, pergunta como eu estou e me oferece orações e bençãos divinas.
Sábado passado, ela ligou pela manhã e eu atendi o telefone. Ela começou a conversar e quando percebi ela estava me contando sobre o namorado que tinha há dois anos. Estava infeliz com a atitude dele que só aparecia quando queria, cheio de mistérios e de desculpas sem pé nem cabeça. Eu dei uma de psicóloga e perguntei porque ela ainda estava com ele, porque gostava dele, ela me respondeu. Mas continuou com as queixas de que ele nunca trazia nada para ela, às vezes passava o final de semana na casa dela, ela fazendo almoço, jantar, lanche, sopas, suco, tudo gostoso e ele só agradecia, mas não trazia nem um pacote de biscoito.
Presente para ela? Trouxe um CD no Natal do ano passado... Toda magoada ela repetiu toda essa história, e dos sumiços, da falta de telefonemas, da falta de atenção, da falta de valorização, da falta de tudo... mas que ela gostava dele.
Como eu já lhe disse eu aprendi a ouvir e fiquei ouvindo toda essa história até que ela me deu uma chance de falar.
O que eu falei você já pode imaginar; que ele a estava enganado, aproveitando-se do sentimento de amor, da carência, da solidão, do sexo, dos lanches bem preparados, e da ingenuidade dela.
Ela, é claro, concordou comigo, e jurou que não ia mais atender telefonema, nem mesmo ia ligar, nem atender a irmã, e todas essas coisas.
Ainda não sei o final dessa história de amor mas o conselho que dei a ela foi que se arrumasse bem bonita e perfumada e fosse para a festa do Ilê, lá mirasse para um negão bem bonito e sorridente e aproveitasse a noite, para ver que existem outras pessoas que estão por aí e que ela poderia começar uma nova história de amor.
Desapegar do que está ruim é um bom começo.

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