terça-feira, 5 de novembro de 2013

Visita ao asilo

Querida Danuza,

Na semana passada vivi uma grande experiência, visitei um asilo de velhos.
Nunca penso em mim como uma pessoa velha e de repente estar rodeada por todos aqueles idosos me fez ver uma situação de vida que  é no mínimo muito triste.
Pessoas que vivem na nuvem de sua demência, outras que ficam olhando o tempo passar vendo TV, outras encolhidas em suas doenças e fraquezas de corpo e uma grade legião de cuidadores, cozinheiros, arrumadeiras, lavadeiras,  enfermeiros, dedicados àquelas pessoas.
À frente dessa legião da boa vontade um rapaz jovem em seus quarenta e poucos anos, que já foi frei e abdicou da batina para se dedicar à causa dos idosos.
Ouvi muitas histórias, desde aquelas de pessoas que enlouqueceram e foram deixadas na rua, abandonadas por seus parentes, até aqueles que tornam difícil a convivência familiar por exigirem um trabalho árduo de seus familiares para serem cuidados.
Uma das histórias impressionantes que ouvi foi a de um senhor que foi abandonado na rua por sua filha, que lhe disse que voltaria para apanhá-lo logo, e ele ficou vagando pelas ruas por dez anos. Quando foi recolhido pelo frei, ele lhe disse que não podia ir porque a filha viria apanhá-lo...
Pelo que vi não é nada fácil cuidar de pessoas idosas, não que eu não soubesse disso, mas saber é uma coisa e viver é outra.
Fiquei também impressionada com a rede de ajuda que se forma em torno desses trabalhos de abnegados como esse frei. Um sem número de voluntários aparece toda semana para ajudar. A manicure, a cabeleireira, a massagista, a terapeuta, a fisioterapeuta, e nem sei mais quantas pessoas dão um dia voluntário para ajudar.
Até cachorros ele mantem para fazer terapia com os idosos que já perderam todas as suas referências, toda a sua memória afetiva.
Levei alguns pacotes de fraldas geriátricas, porque a maioria dos idosos faz uso delas de dia e de noite. Nunca imaginei fraldas como presente a não ser para bebês, e de repente me vi em outro mundo, carente de afeto e de atenção, com necessidades tão grandes como o coração daquele rapaz que sozinho na sua persistência consegue realizar esse milagre diariamente; cuidar de 65 idosos com todo respeito, mantendo-os alimentados e cuidados e cuidando também de sua dignidade.
A cada um que chega, e que nunca mais sairá de lá, ele diz - Essa é a sua casa, se você nunca teve uma, agora você tem.
Diariamente ele reza uma missa na capela da casa e a oração deve ser muito forte porque o resultado é gigantesco.
Fica aqui o registro dessa experiência tão forte e difícil de aceitar - a chegada da velhice com todas as sua perdas.


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