quarta-feira, 12 de junho de 2013

Iguais perante a dengue

Querida Danuza,

Somos todos tão diferentes entre nós!  Diferentes pela educação, pela aparência, pela classe social, pelo dinheiro que temos, pela religião, pelos hábitos, pela cidade e bairro onde moramos, pela língua que falamos...
Mas perante a natureza não existe qualquer diferença entre nós.
O mosquito da dengue, por exemplo, não se importa com quem ele pica e transmite a doença. Tão democraticamente quanto é possível ser democrata.
Essa importância que nos damos está apenas na terreno das idéias, derrubadas por uma picada de mosquito.
Por que estou falando disso? Acho que é porque às vezes nos sentimos tão mais especiais que os outros, pura ilusão!
Penso em atitudes minhas, penso em atitudes de pessoas que conheci. Arrogâncias destruídas por uma doença ou superioridades vencidas por tragédias fora do script.
Conheci algumas pessoas muito arrogantes a quem uma depressão ou Mal de Alzeimer transformaram em  pessoas débeis.
Conheci também pessoas tão superiores, acima do bem e do mal que tiveram que enfrentar mudanças em seus planos pessoais, com filhos ou netos. Hoje a homossexualidade e o lesbianismo estão cada vez mais presentes dentro de uma família, dita normal, pelas regras vigentes até os últimos anos. Mas como enfrentar de perto a escolha de uma filha que termina um casamento com o príncipe dos sonhos da mamãe para sua princesa, e decide ir morar com outra moça, perdidamente apaixonada? Como aprender a conviver com o filho querido, lindo, inteligente que podendo escolher qualquer moça, prefere viver com outro rapaz?
Pensamos que controlamos nosso destino fazendo tudo o que é certo, dentro do nosso conhecimento e crença, achando que isso nos livra do que não desejamos, mas não é suficiente.
Fazendo uma metáfora é como se tentássemos viver protegidos por um escudo invisível, que nos torna diferentes dos outros, especiais mesmo, só que de repente entra um mosquito da dengue por um acesso qualquer e nos pica, destruindo nossa bolha, nos tornando iguais a todo os outros.

Um comentário:

  1. É bom tomar consciência que ninguém é melhor que o outro.
    Todos temos nossas virtudes e defeitos.
    Não dá para viver dentro de uma redoma de vidro,fica sem ar e morre.

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