Querida Danuza,
Acabei de lembrar de uma história engraçada que aconteceu há alguns anos atrás. Toda vez que lembro dessa história com as pessoas que participaram dela, damos risada.
Alguém da turma da faculdade resolveu marcar um encontro com os colegas que formaram juntos, num restaurante. Não nos víamos já há alguns anos e você há de convir que jovens de 23 anos são muito diferentes de adultos de 45.
Havia uma mesa grande, comprida, reservada para o grupo e as pessoas iam chegando e se sentando junto dos colegas que tinham maior amizade e a mesa foi crescendo.
Todos começaram a pedir os pratos, as bebidas e as conversas cruzavam a mesa às vezes em voz alta para que os que estavam nas pontas opostas ouvissem as perguntas uns dos outros.
Eu e alguns colegas mais próximos ficamos em uma das pontas da mesa e cada um que chegava era uma surpresa. Fulana, você não mudou nada! ou Sicrano, você engordou! e lá se iam os comentários. As mulheres estavam em sua maioria mais bem conservadas que os homens e eles cavalheiros diziam que elas estavam mais bonitas, e as perguntas de praxe sobre maridos, mulheres, filhos, iam se repetindo.
Lá para as tantas as conversas estavam muito animadas e um amigo que estava junto de mim, na cabeceira da mesa, resolveu perguntar bem alto para uma colega na outra cabeceira - Maria, você está muito diferente, o que foi que você fez?
Ela do outro lado, no meio daquela barulheira, dizia - Nada, não fiz nada.
Ele não se conformou e perguntou de novo, alto, para ela ouvir do outro lado da mesa - Maria, você fez alguma coisa, você está muito diferente! Nessa altura ele falava alto e todos na mesa ouviam a pergunta e olhavam para ela.
Ela continuava sorrindo e dizendo - Nada.
Na terceira vez que ele perguntou, ela já meio sem-graça e boa parte da mesa já olhando para ela para saber o que ela tinha feito, uma amiga que estava conosco do mesmo lado da mesa, não aguentou mais, puxou ele de lado e disse - Antonio, pare de perguntar porque ela está diferente, não viu que ela fez uma plástica?
Ele ficou surpreso, atônito com a informação e perguntou baixinho - Ela fez plástica? Como é que você sabe? É por isso que ela está tão diferente?
- É por isso sim você não está vendo? Pare de perguntar isso!
Ele ficou muito sem graça e mudamos de assunto e ele de vez em quando voltava a olhar para ela para se certificar da plástica.
Rimos muito com esse incidente, porque ele não fez por mal, apenas não entendia o que tinha acontecido com a mudança na fisionomia dela e tinha sido muito sincero em seu questionamento.
Provavelmente teremos outro encontro esse ano e prometo que lhe conto como estão os colegas, mais de 30 anos depois...
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