quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

As perguntas mudam com o tempo

Querida Danuza,

Acabou o carnaval! Durante esse período recebemos a notícia da renúncia do Papa Bento XVI, o que deixou toda a comunidade católica surpresa.
Hoje fui para a academia e encontrei com Mariana, a filha de uma vizinha, que vai casar em setembro. Ficamos conversando sobre os preparativos do casamento e perguntei a ela sobre o noivo, o que estudou, em que trabalha, quais os planos para o futuro, se gostava da família dele e vice-versa, o apartamento, a viagem, a festa, enfim, um relatório completo.
E percebi que são essas as perguntas que são feitas aos jovens, quando se apaixonam por alguém. De que família é a moça, quantos anos tem, é bonita? É formada em que? Trabalha? Tem irmãos? E por aí vai. E o rapaz está bem empregado? Pensa em casamento?
São perguntas ligadas ao futuro, às perspectivas, tentando adivinhar se o escolhido tem boas chances de sucesso na vida.
Agora vamos pensar nas perguntas que se faz quando uma pessoa de mais de 50 anos se apaixona por outra. Vou listar algumas.
Quantas vezes ele foi casado? Tem quantos filhos de cada mulher? É careca? Barrigudo? É depressivo? Bebe? Tem pressão alta? Diabetes? E tem netos? Mora sozinho ou tem filhos ainda com ele? Vai morar na sua casa ou na dele? Está aposentado ou ainda trabalha?
E as perguntas sobre ela não são muito diferentes. Ou seja, as perguntas são sobre o legado, o resultado de todas aquelas esperanças de anos atrás.
Olhe que diferença nas perguntas! Antes se tenta adivinhar o que vai acontecer e depois se pergunta o que aconteceu e o que ainda se pode aproveitar.
A avaliação passa a ser mais subjetiva e no primeiro momento lá atrás se pensa em "nós dois" e agora se pensa em "todos nós" que fazem parte da vida de cada um dos cinquentões apaixonados.
Feliz de quem percebe essa nova realidade e está disposto a arriscar mais uma vez.
Quem sabe agora que as pessoas estão mais maduras, menos ansiosas e com menos expectativas da tudo certo?

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